Não tem como negar. O ano mal começou e nossa cabeça já esta no primeiro fim de semana de Fevereiro, quando São Paulo irá receber um dos eventos mais importantes da história da música eletrônica nacional. O festival holandês Dekmantel realiza sua primeira edição fora de Amsterdam e a cidade escolhida para tal acontecimento é a terra da garoa.

Nossos amigos da Gop Tun são os co-organizadores do evento. O projeto é fruto de uma intensa evolução artística do grupo e de seus seguidores, que amadureceu com o tempo e foi ganhando traços fortes até chegar nesse momento. O anúncio aconteceu de forma surpreendente, na segunda parte do ano passado. O line up que conta com medalhões como Nicolas Jaar, Moodymann, Jeff Mills e Nina Kraviz movimentou as redes sociais e a avaliação positiva do público foi praticamente unânime.

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Faltando exatamente um mês para a realização do Dekmantel São Paulo, conversamos de forma exclusiva com Caio Taborda, um dos frontmans da Gop Tun e parte da equipe que está a frente da organização do evento. Ele falou sobre a relação do coletivo brasileiro com a marca holandesa, suas atrações mais aguardadas no festival e um pouquinho do que o público pode aguardar. Essa é a primeira matéria da coluna Around The World, que ao longo do ano vai falar sobre diversos festivais espalhados pelo mundo. Confira entrevista abaixo:

1 – Olá, Caio! Muito obrigado por nos atender. Recentemente vocês lançaram o documentário Gop Tun Does Europe e o resultado ficou incrível. Como surgiu a ideia de produzir o filme e o que de mais positivo vocês tiraram dessa experiência?

Quando a turnê começou a se delinear e nos propusemos a tirar o máximo de proveito de cada gig, pareceu lógico tentarmos fazer algo como um diário de bordo. A única dificuldade era encontrar o formato ideal para ilustrar essa narrativa, de uma forma que conseguisse mostrar de um modo cativante para a audiência todas a emoções envolvidas nessa jornada. O Filipe Zapelini que viajou com a gente, registrando cada momento e depois montando esse belo filme, foi o cúmplice que precisávamos para conseguir apresentar toda a intensidade da viagem, e os parceiros da Goose Island que compraram a ideia e nos ajudaram a viabilizar.

2 – Sempre há um debate muito interessante envolvendo os interesses do mercado e as características de um trabalho realmente artístico. Na sua visão, é possível fazer algo com forte apelo conceitual, mas que ainda sim tenha uma boa aceitação no mercado?

Acho que muito se pode debater a respeito de conceito e intenção, o que é arte ou não, mas ao fim, o que realmente procuramos fazer em tudo que empenhamos nossos esforços é criar uma experiência ao público na qual possamos nos expressar como artistas sem nenhuma restrição. É uma relação de confiança que se sustenta através de uma reputação e identidade construídas no decorrer de todos esses quase cinco anos.

3 – Provavelmente o maior desafio da história da Gop Tun será a realização do Dekmantel São Paulo. Você considera que o público brasileiro está apto para receber tais artistas por aqui? Quais foram as principais dificuldades que vocês encontraram nas decisões envolvendo curadoria artística?

Em termos de estrutura e pela quantidade enorme de trabalho envolvido não há dúvida que este é o maior desafio que já nos propusemos a fazer. Mas a relação que temos com o público é de reciprocidade e, como disse acima, de confiança, então a questão de se ele está apto ou não nem se põe. A curadoria é fruto de um diálogo bem afinado com o pessoal de Amsterdam, já que nessa empreitada ambas marcas tem colaboração igual em todas as decisões.

4 – Ainda sobre o Dekmantel, como vocês tem encarado o desafio de trazer a atmosfera holandesa para São Paulo? O que o público brasileiro pode esperar em termos de ambientação?

Nosso plano é criar uma totalmente nova, tanto que há muitas surpresas envolvidas nas locações, na cenografia, em tudo.

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5 – Agora, uma pergunta mais pessoal. Dentre os nomes presentes no line up, quais são os seus favoritos? Além disso, na sua visão, qual será a grande surpresa do festival?

Jeff Mills
Moodymann
Orpheu The Wizard
Awesome Tapes from Africa

Esses são os que eu mais aguardo, tanto por serem inéditos para mim como por já ter tido a oportunidade de vê-los em algum lugar, principalmente naquele ambiente que só o Dekmantel consegue criar. Por isso mesmo acho que cada um dos nomes ali promete nos dar algo único, sejam gringos ou brasileiros.

6 – Fale um pouco sobre a escolha da Fabriketa e do Jockey Club para a realização do Dekmantel São Paulo

Ambos são locais já consagrados na memória festiva da cidade e sediaram eventos de todo tipo no decorrer dos últimos anos – inclusive algumas edições da Gop Tun no caso da Fabriketa. Aqui o que nos pusemos como um desafio criativo foi utilizá-los de uma forma inovadora e, no caso do Jockey, dispondo de áreas que nunca antes receberam um evento.

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7 – Como se deu início do relacionamento de vocês com a crew do Dekmantel? Quais foram os pontos chaves que determinaram a vinda do festival para o país, ao invés da produção de um próprio festival?

Conheci um dos criadores do festival, Casper Tielrooij, quando fomos a Amsterdam em edições anteriores do Dekmantel Amsterdam. Depois de conversarmos e notarmos que ambos os núcleos tem muito em comum em termos de propostas e compromissos, surgiu a oportunidade de receber em São Paulo um dos showcases globais que eles estavam começando a planejar. Fizemos uma edição especial da Gop Tun na Praça das Artes com essa finalidade e o resultado surpreendeu a todos eles, a ponto de essa relação se consolidar no festival paulistano exatamente um ano depois. Em suma, foi bem isso que aconteceu e, como eles mesmos disseram no press release, eles se apaixonaram pela cidade.

“Mantendo sempre o respeito pela cena local e seus integrantes, neste final de semana a festa será servida nos padrões Dekmantel. São Paulo nos presenteou com uma cidade provocante, inspiradora e extremamente excitante. Não vemos a hora de retribuir o favor.”

8 – Para finalizar, que tal uma mensagem para todo o público que irá se encontrar no começo de fevereiro em São Paulo? Obrigado!

Venham de cabeça aberta e calçados confortáveis! 🙂