Around the World | Fabric, Londres

Por Inacio Martinelli

A cultura da música eletrônica deve muito aos clubs. Locais lendários como a Warehouse, em Chicago, The Hacienda, em Manchester, Space, em Ibiza e Tresor, em Berlim, ajudaram a moldar não apenas o som que escutamos mas também os hábitos do público e tudo o que é associado a dance music.

Por diversos fatores, que vão desde a especulação imobiliária até um natural desgaste, a vida de um club costuma ser relativamente curta. Portanto, quando uma venue consegue manter-se relevante por mais de quinze anos, é algo a celebrar. Esse é o caso da Fabric, em Londres, que irá completar dezenove anos de atividades em 2018.

Com três pistas independentes, que juntas somam mais de 2300 m², a Fabric é um dos mais famosos clubs do mundo, sendo parada obrigatória para os amantes da música eletrônica que passam pela capital inglesa. Tradicionalmente, as sextas são dedicadas a vertentes da bass music, como dubstep, dnb e grime. Já aos sábados, reinam por lá o house e techno.

A curadoria é um dos pontos altos do club e não é raro presenciar acontecimentos especiais como Ricardo Villalobos tocando all night long, por exemplo. Para se ter uma ideia, se apresentam por lá em Março nomes como Joris Voorn, Dave Clarke, Rebekah, Marcel Dettmann, Efdemin, Anthony Parasole, John Digweed, Jeff Mills, Helena Hauff, Dixon, além dos residentes Craig Richards e Terry Francis. Tudo isso embalado por um soundsystem Pioneer Pro Audio criado especialmente para o local. Tá bom pra você?

A fabric também possui um label próprio, que lança tracks exclusivas e compilações criadas por alguns dos maiores artistas da música eletrônica. O próximo lançamento do selo possui curadoria do duo italiano Tale of Us e conta com treze músicas inéditas de nomes como Recondite, Agents of Time, Mind Against, Adriatique e Fur Coat.

Em 2016, o club teve a sua licença de funcionamento revogada após a morte por overdose de dois frequentadores, permanecendo fechado por cinco meses. Após uma intensa campanha online, que contou com a participação de diversos artistas, labels e venues importantes, mais de 300 mil libras foram arrecadas para ajudar a fabric a enfrentar o caso na justiça. A recompensa veio em janeiro de 2017, quando as portas finalmente se reabriram.

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Hoje em dia, o club permanece como uma das principais marcas da música eletrônica. Todo fim de semana, milhares de pessoas se deslocam a Farringdon para curtir o clima cavernoso do local, que não possui nenhuma janela. Ainda assim, o reflexo do processo enfrentado em 2016 é sentido a todo momento. Na entrada, o público enfrenta uma revista digna de aeroporto, com os seguranças inspecionando até os sapatos. Dentro do club, muitas câmeras e staff com lanternas dão uma sensação de vigilância a todo momento.

Se você estiver em busca do clima libertário de Berlim e clubs como Berghain, a fabric definitivamente não é o lugar certo. Inclusive, não é raro que o número de turistas por lá seja maior do que o de locais. Porém, se você quiser simplesmente curtir o melhor da música eletrônica e um soundsystem de ponta, não vai se arrepender.

A música conecta as pessoas! 

 


Equipe de reação do portal Alataj, focada em levar conteúdo cultural ao público antenado na música eletrônica.

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