READING

CASE – Alex Justino fala sobre seu trabalho ...

CASE – Alex Justino fala sobre seu trabalho na Nin92wo

Tem sido muito interessante reparar a descentralização da cena nacional nos últimos anos. Na verdade, esse foi um movimento que sempre aconteceu mas que ficou mais forte e evidente com a força cada vez maior das redes sociais. O DJ e produtor, parte do casting da D AGENCY, Alex Justino, é um dos responsáveis por aquecer a cena de Goiânia e mostrar ao Brasil algumas das melhores coisas que acontecem por lá, seja com suas produções ou com o trampo desenvolvido na Nin92wo, gravadora que já lançou nomes como Propulse, Touchtalk e Yannis PK. Conversamos com Alex, que nos contou detalhes dessa caminhada. Confira o papo abaixo 🙂

1 – Olá, Alex! Muito obrigado por falar conosco. Você possui uma identidade muito ligada ao House. Como e quando surgiu essa paixão?

O prazer é todo meu. Realmente o House fez e ainda faz parte da minha vida, não tenho como negar. Acho que por escutar bastante disco music em casa quando mais novo, por causa dos meus pais, gostar de house foi uma coisa natural. Então já me identifico com ele desde bem cedo.

Nos primeiros sets quando comecei a tocar (cerca de 10 anos atrás), sempre tentava misturar algumas vertente de house nos meus sets. Depois comecei a focar mais em deep house, que foi quando comecei a produzir. De um ano pra cá venho testando novas sonoridades, entrando em um campo que nao era muito minha praia, e fiquei bem feliz com isso. Os ultimos lançamentos andam dentro do Techno e Tech House, ambos melodicos. É o que tenho feito, gostado e tocado atualmente.

2 – Falando um pouco mais sobre o mercado das labels a partir de agora. Na sua opinião, qual a importâncias das labels independentes no mercado atual da música eletrônica?

As labels independentes estão para somar neste grande mercado. É difícil competir com uma gravadora grande, pois não temos nem como comparar os recursos nossos com os delas. Mas são nas independentes que o talento de fato faz a diferença, que o artista pode mostrar sua arte sem se preocupar com rótulos, e sim com a musicalidade. A label independente trabalha diretamente ligada com o publico alvo, e assim sua divulgação se torna mais eficaz.

Na Nin92wo Records (Lê-se Nine Two) trabalhamos com diversos artistas, nacionais e internacionais. E nosso objetivo é difundir a musica que acreditamos, fazer com que ela chegue nas mãos dos DJs certos, das pessoas que gostam do nosso estilo, para que eles escutem e toquem nossa musica exaustivamente.

3 – Com a alta do Dólar, comprar um lançamento digital passou a girar em números absurdos quando convertemos para o Real. Quais são as soluções para criar um mercado mais acessível para o público brasileiro?

Acredito que cada dia mais o streaming (Spotify, Apple Music, Deezer, e até YouTube) vão ficar maiores e as vendas digitais menores. Ninguém quer pagar 2 dólares em uma musica, quando pode se ouvir infinitamente algum dos sites citados. O mercado de venda de Dance Music é voltado para os DJs, e mesmo assim só vem caindo por causa da pirataria. Uma vantagem desses serviços de streaming é que a gravadora/artista recebe a cada play na musica, e já na venda você recebe apenas uma vez, porem em uma quantidade maior. O curva do gráfico da venda de musica digital acontece basicamente no primeiro mês após lançado, depois cais drasticamente, já os serviços de streaming andam em uma linha bem mais reta, conseguindo se manter rentável por muito mais tempo, mesmo sendo um valor muito pequeno ainda é bem relevante quando se concorre com a pirataria, que não para de aumentar.

4 – A Nin92wo assinou uma pista no Reveillon da Party Time World em 2015. Quão importante foi para vocês realizar uma ação como essa fora do campo digital?

Não é a primeira vez que andamos fora do campo digital. Já realizamos vários eventos, com diversos artistas nacionais e internacionais. Mas a Party Time World foi um evento especial. Além de ter o astral incrível e todos muito animados devido às festas de fim de ano, conseguimos reunir nossos artistas em um único palco, em um evento bacana, para um publico diferente. A festa teve de giro duas mil pessoas, e nossa pista foi muito movimentada do início ao fim. É sempre gratificante juntar todo o time da Nin92wo em um evento, e desta vez ainda aproveitamos a oportunidade para sentar no estúdio e produzir músicas que lançaremos durante 2016.

5 – O artista que possui mais lançamentos no selo até hoje é você. É possível dizer que ter seu próprio selo contribuiu para que você tivesse uma liberdade maior dentro do estúdio?

Com certeza ter meu próprio selo me deixa mais tranquilo para criar, e acho que na musica tem que existir isso. O artista tem sempre que trabalhar livre pra criar. Tento transmitir essa liberdade de criação para os artistas mais próximos, que lançam frequentemente conosco. Apostamos na boa musica independente do estilo, e pra isso é preciso de liberdade.

6 – Para finalizar… fale um pouco sobre os projetos futuros da gravadora. O que vem por aí em 2016?

Fechamos o ano muito animados, pois o ultimo lançamento do Talking Machines, o EP “About Us”, fechou o ano atingindo a segunda posição no top100 releases do Beatport. Para 2016 apostamos em lançamentos mensais, bem elaborados, focando em artistas nacionais e alguns remixes internacionais. O Paulista Monobloq está preparando um Álbum que sai na primeira metade de 2016, e também um single do Danke. Além disso ainda estamos planejando o lançamento das tracks feitas em conjunto entre Monobloq, Talking Machines, Danke e eu, para a primeira metade do ano também.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

RELATED POST

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

INSTAGRAM
SIGA-NOS