Organização, seriedade de trabalho, consistência de lançamentos e curadoria de ponta podem ser considerado os pilares para o sucesso da Get Physical, uma das gravadoras mais influentes do cenário internacional da música eletrônica. De Ricardo Villalobos a WhoMadeWho, a variedade de artistas é grande e inclui alguns talentos brasileiros como Renato Ratier, Andre Salata, ANNA, Gabe, Davis e Zopelar, além de medalhões da cena europeia como Sante, Black Coffee, Kolsch, MANDY e andhim.

Buscando uma aproximação ainda maior com os produtores do Brasil, a Get Physical em parceria com o RMC lançará em breve a Cocada, uma compilação com traços das nossas pistas, compilada por ninguém menos que o carioca Leo Janeiro. O trabalho é fruto de uma intensa pesquisa musical dentro do que há de melhor e mais novo no cenário nacional e provavelmente apontará alguns talentos em ascensão.

Conversamos com Matt de Plessis, um dos chefões do selo baseado em Berlim para compreender mais sobre o momento da gravadora e o que eles estão buscando com a Cocada. Confira abaixo:

1 – Olá, Matt! Obrigado por nos atender. A Get Physical tem trabalhado em bastante coletâneas recentemente, inclusive com uma focada no Brasil e assinada por Davis que já saiu. O que podemos esperar agora da Cocada? O que ela difere em relação aos demais projetos da gravadora?

Cocada é uma colaboração com Claudio da Rio Music Conference e o DJ brasileiro Leo Janeiro. Sob o nome de Cocada, nós vamos lançar música, além de oficinas e talvez até algumas festas, sempre tentando iluminar a música eletrônica no Brasil e nos países da América Latina em geral. Nosso objetivo é criar uma plataforma internacional para todos os produtores emergentes do underground, bem como aqueles que brilham por lá já.

2 – Nos impressiona a quantidade de lançamentos que a gravadora possui e, ainda assim, é capaz de manter um padrão de qualidade. Como vocês trabalham para tornar isso possível?

Trabalhamos todos os dias na seleção de música em nosso estúdio, testando novas faixas e demos em clubes e festivais, ouvindo e ouvindo repetidas vezes até ter o sentimento certo para tomar a decisão final. Temos uma ótima rede de amigos e profissionais de todo o mundo que estão compartilhando algumas pérolas ocultas conosco e estão nos apresentando novos talentos regularmente, mas no final do dia, simplesmente lançamos a música que amamos!

3 – Quais razões levaram vocês a escolha do nome Cocada?

Cocada é um doce muito popular da América Latina. Gostaríamos de deixar o mundo inteiro provar todos esses “sabores auditivos” que estão crescendo por aí [Brasil e América Latina].

4 – Quem são os parceiros da Get Physical para esse lançamento? Como vocês chegaram até esses nomes?

Nós estamos trabalhamos em uma colaboração fechada com a equipe do Rio Music Conference para ser a principal plataforma promocional e especialmente Leo Janeiro como nosso manager A&R para este projeto. Nós apresentamos Cocada juntos no RMC 2016 e tivemos muita atenção de produtores jovens, então estamos fazendo de tudo para apresentar Cocada #1 no próximo RMC

5 – Recentemente, em conversa com um amigo, refletimos sobre a música genuinamente brasileira ser uma das mais originais do mundo. Vocês concordam com essa afirmação? Na visão de vocês, o que há de mais especial aqui?

No meu ponto de vista, a música brasileira é certamente uma das mais originais. Há muita diversidade cultural e influências de todo o mundo, isso torna a música brasileira única. Por outro lado, o Brasil deu à luz a muitas músicas clássicas e a muitos músicos talentosos que redefiniram tantos gêneros musicais e criaram novos que são respeitados em todo o mundo – isso é realmente muito especial.

6 – Quais estilos e artistas brasileiros estão no radar da gravadora atualmente?

Nós não estamos atrás de um estilo em particular, mas sim pela melhor e mais original música com a melhor produção. Nós na verdade temos muitos artistas brasileiros trabalhando conosco, como Gabe, Andre Salata, Mumbaata, Leo Janeiro, Renato Ratier, Digitaria, ANNA, Rafael Moraes, Davis, Fractal Mood, Carrot Green, Bruce Leroy, Ossaim, Ananda Nobre e outros.

7 – Há uma gama grande de estilos no catálogo da Get Physical, certo? Faz falta ter um som categorizado como algo único de vocês?

Este ano a Get Physical está completando 15 anos e se você escutar o catálogo inteiro você notaria grande variedade de estilos e influências, isso é certo. A dinâmica do label é lançar música que NÓS AMAMOS e sentimos algo antes de tudo. Procurar a batida perfeita é equilibrar sabiamente entre o nosso mundo pessoal interior, cultura, gostos e o mundo lá fora florescendo com novas músicas, tecnologia e talentos todos os dias.

8 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa na vida de vocês?

Música é a nossa minha vida.

A música conecta as pessoas!