Techno e house talvez sejam os dois grandes pilares da dance music na atualidade. Os dois estilos caminham lado a lado há anos e possuem uma base de fãs e seguidores respeitáveis nos quatro cantos do globo. Apesar da importância histórica semelhante que cada um possui, é inegável que nos últimos tempos houve um crescimento significativo do techno. Um movimento global que obviamente chegou ao Brasil e impactou diretamente a indústria internacional.

No Beatport, por exemplo, o techno superou o EDM para se tornar o gênero mais vendido. Isso não aconteceria sem um crescimento do número de artistas, gravadoras e releases na plataforma, que inteligentemente visualizou o potencial do estilo e proporcionou mais visibilidade a essas marcas – artistas e gravadoras. Ainda assim, muitos labels e produtores de house music continuaram desempenhando um trabalho de primeira categoria – muitos mesmo – e esses nomes são responsáveis por uma espécie de renovação do estilo a nível global.

Um dos símbolos desse momento é o label alemão Toy Tonics, que possui no casting artistas do naipe de Black Loops, Coeo, DJ Koze, Lancelot, Session Victim, Brame & Hamo e Red Axes. De forma exclusiva, a crew Toy Tonics nos atendeu para uma entrevista, que aborda assuntos como identidade sonora, cultura alemã, filosofia de trabalho e projeto Mushroom House – que teve mais um release semana passada. Confira o resultado desse bate-papo:

1 – Olá, Manuel! Obrigado por nos atender. Podemos começar nossa entrevista falando sobre identidade. Quais são os principais pontos para construção de uma identidade tão forte como a da Toy Tonics?

Nós somos um grupo de amigos com as mesmas paixões: velhos discos de funky, bom gosto na cultura DJ e faixas da dance que tem uma certa vibe séria, obscena e jazzy. Nós somos muito rigorosos com o que gostamos (e o que não gostamos) – então como nós todos produzimos música, fez sentido fazermos um label que reflete essa vibração que compartilhamos. Achamos que isso que faz nossa identidade.

2 – A gravadora é baseada em duas cidades: Munique e Berlim, certo? O que cada um desses polos tem trazido de melhor para vocês?

Munique fica no sul da Alemanha e sempre foi uma cidade da disco music: Moroder, Donna Summer, Faltermeyer, começaram suas vidas na disco aqui. Mais tarde, DJ Hell, Gomma Records e muitos outros trouxeram a vibe da disco para a dance music.

Como muitas das crianças da Toy Tonics estão baseadas em Munique, você pode sentir esse amor por acordes quentes e padrões do tambor batendo – elementos da disco – em muitas faixas.

Berlim é a casa de Munk, que é quem comanda o label com Manuel Kim e Kapote. Berlim é famosa por sua cena techno. Isso tornou-se quase clichê, como o tango em Buenos Aires, em Berlim o turista quer techno, assim parece que há uma anti-reação dos produtores em Berlim: cada vez mais começam a trabalhar com elementos de Jazz ou referências de funk.

3 – A gente percebe aqui de fora que a cultura eletrônica alemã é muito ligada ao techno. Como está a cena house no país? Vocês tem encontrado jovens artistas alemães para colaborar na gravadora?

Ao nosso redor parece que o techno é mais para a geração mais velha. Parece que a maioria das crianças de 20 anos começaram a ficar mais no funky novamente. Slow House com uma sensação de Jazz e Hip Hop em diferentes maneiras estão espalhados entre as pessoas a nossa volta. Temos a sensação de que o renascimento do techno está desaparecendo lentamente.

4 – Fora do campo digital, quais estratégias estão sendo adotadas para tornar a Toy Tonics uma gravadora com maior visibilidade?

Nós realmente não usamos “estratégias”, nós lançamos um 12” todo mês e temos uma página no Facebook. Essa é nossa estratégia! 🙂

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5 – O que você sabe a respeito da cena no Brasil? Tem algum artista brasileiro que você tem acompanhado recentemente?

Nós amamos a música brasileira, principalmente dos anos 70. Banda Black Rio, Marcos Valle, muitos lançamentos bons de tempos atrás. Infelizmente não conhecemos muito sobre hoje, exceto o baile funk e The Twelves que fizeram ótimos lançamentos.

6 – Fale um pouco sobre o projeto Mushroom House. Após as compilações que já foram lançadas… o que vem pela frente?

O próximo sairá em breve [saiu na semana passada]. Incluindo material por Red Axes, Munk, Barking Dogs, Tom Trago… Um lançamento incrível!

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7 – Como vocês buscam estimular o relacionamento de vocês com os artistas que lançam pelo selo? Há uma filosofia de continuidade de releases com os produtores que passam pela Toy Tonics?

Sim, há uma equipe básica: Kapote, COEO, Rhode & Brown, Black Lopes, Kian T, todos eles lançam regularmente. Nós somos o label que eles baseiam como casa, eles são parte da gangue. Há também alguns amigos que fazem alguns lançamentos por fora às vezes: Adesse Versions lançou recentemente.

8 – A gravadora possui uma identidade visual bem forte. Quem é o responsável por essa parte?

PAZE. Ele é um designer gráfico de Munique. Famoso pelo trabalho que ele fez para Gomma Records e pra várias revistas.

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9 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Tudo.