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Fala Filhão | A vida de um club

Fala Filhão | A vida de um club

No inicio dos anos 90 eu estava descobrindo um universo novo do qual eu nunca mais eu iria me separar – engraçado que isso tudo tenha acontecido dentro de uma pista de dança. Poder entender qual era o papel do DJ me fez ir a fundo nessa cultura e assim descobri o que exatamente era um club. Nessa época o Rio de Janeiro tinha excelentes opções para se dançar como os bailes (que merecem uma capitulo a parte) e clubs, da zona norte a zona sul carioca. A figura do DJ residente era muito forte, não existiam vários DJs na mesma noite, em geral somente o residente era o responsável e isso foi algo que me ajudou muito a entender o processo de construção de um set.

Ver discos girando nos toca discos e pistas lotadas era algo que eu realmente gostava, me comportava como se fosse um apreciador de obra de arte numa galeria. Lugares como Babilônia, Zoom, Caligola, Resumo da Ópera, People, Base, Cê que Sabe, Disc Mel, Balibar, Dr.Smith, Press, Bunker e Dama de Ferro, todos em épocas diferentes, mas cada um com a sua história.

Este movimento não apenas algo do Rio, São Paulo também tinha uma cena grande da qual eu não conhecia pessoalmente, mas acompanhava pela Revista DJ Sound (talvez o único veiculo impresso do qual eu tinha acesso) ou através das compilações que saiam em vinil assinadas por DJs da época. Importante dizer que só dentro de um club que você conseguia entender realmente a importância do trabalho que era feito por esse artista. 

Para aqueles que como eu usavam a pista como uma “sala de aula”, era incrível ficar por horas escutando musica e aprendendo um pouco mais sobre aquilo que tanto nos fascinava. Um fato engraçado era que muitas das vezes ao perguntar ao DJ que música era aquela que estava tocando a resposta era daquele tipo de resposta que não ajuda muito “Não sei qual é a musica que você esta falando” ou ate mesmo rotulo raspado [risos]. Isso era algo que eu não conseguia entender, mas depois de um longo tempo compreendi o motivo para tanto segredo. Uma das razões é que cada residente tinha suas próprias musicas que viravam verdadeiros hinos dentro da sua noite e isso era uma forma de fazer o seu nome ganhar força junto ao publico.

Esta relação com a pista de dança de um club é algo muito importante, tanto para DJs como para o publico. Dançar a noite toda e esquecer de todos os problemas era algo como ir a igreja e rezar – fazemos isso de uma maneira instintiva. Atualmente, eu acredito que seja um dos ambientes que mais gosto de estar, talvez por ser mais intimista e colocar a prova toda a minha capacidade musical e técnica, este desafio é incrível e me faz voltar no tempo para entender aonde tudo começou.

Portanto, prestigie sempre e apoie todas as pistas de dança, porem a música dentro de um club sempre vai ser algo especial.

“Last night a DJ saved my life” com certeza absoluta foi criada dentro de um club! [risos]

A MÚSICA CONECTA. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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