Minha Primeira Gig | Aryela

Ainda não é possível fazer uma previsão 100% precisa do futuro, mas se formos analisar a evolução do “objeto de estudo”, conseguimos ter uma ideia do que a vida poderá nos apresentar em alguns anos. No campo artístico, é raro vermos alguém que já começa no topo, a maioria precisa ralar muito para vencer suas batalhas diárias até chegar no seu grande objetivo, e é este o caminha que Aryela tem tomado e seguido firme, desde sua primeira apresentação na carreira — que não foi nada fácil, como você verá em seguida.

Analisando a trajetória da artista até aqui, não conseguimos afirmar o que o futuro lhe reserva, mas não temos dúvida que é um caminho próspero e digno de quem merece chegar até lá. Ao todo, a DJ e produtora já soma quase 15 anos de carreira, mas foi somente em 2019 que ela deu um passo mais ousado para desbravar o universo da produção musical. Nesta sexta (13), Aryela está lançando seu quarto single até aqui, Bad Wood, produção que marca mais uma importante conquista pessoal sua.

Decidimos então que era hora de voltar um pouquinho no tempo para descobrir como exatamente essa história “começou”, pelo menos em cima dos palcos.

Com vocês, a primeira gig de Aryela:

“Esse é o tipo de história que a gente enquadra… Eu considero a minha primeira gig profissional quando recebi um cachê por aquela apresentação, então vou falar sobre ela e já aproveito o espaço para pedir desculpas ao contratante, rs. Foi em Hortolândia, cidade do interior de São Paulo, o maior público que eu já tinha tido na minha frente foi de 11 pessoas, 10 amigos e minha mãe. 

Aliás, minha mãe, no começo da minha carreira, ia em todas as festas que eu tocava, só mais atualmente que eu descobri a verdade. Achava que ela era minha fã número 1, mas a real é que ela morria de medo pois a maioria das pvts daquela época eram em locais distantes, sem GPS, e eu era uma menina indo sozinha. Nessa de Hortolândia ela não estava, eu tinha pedido para um amigo que era DJ ir comigo e ficar do meu lado no palco, era uma festa pequena, um campo de futebol de uma chacarazinha, eu tocava psy-trance e era a única mulher no line up. 

Cheguei cedão, chequei umas 68 vezes os meus CDs, tinha uma case super organizada, alguns CDs originais e a maioria eu escrevia os nomes num pedaço de papel e deixava na pasta com os CDs. Desenhei o set todo na minha cabeça, muito diferente de hoje em dia. Bom, chegou o meu momento, me posicionei ao lado do DJ de cabelo amarelo (não lembro o nome dele), acho que era o dono da festa. 

Play. A mesa — essas de plástico de festa de aniversário — estava com um dos pés rachado e com o peso das duas cases mais o meu play um pouco forte ela tombou. Segurei o que consegui na mão e de uma forma tranquila chamei toda a atenção que eu não queria pra mim. Pausamos tudo, trocaram a mesa, volta som. Estava tudo ok, lembro inclusive que trouxe o público para um pouco mais perto do “palco”, o equipamento de um lado era o CDJ 200 e do outro um 100. Meu amigo tinha sido estrategicamente convidado, pois ele tinha mais experiência e eu me senti mais segura com ele ao meu lado até que ele me falou algo assim: “Ary, mandando bem, eu volto já, preciso ir ao banheiro vou aproveitar e pegar um drink” – pra que que ele foi falar?

Era só ter saído de mansinho, a partir daquele momento comecei a tremer, afinal, a minha “segurança” que já tinha sido abalada estava saindo do palco mais uma vez, não deu outra, com o nervosismo veio a cagada. Eu fui trocar a música de um dos decks e esqueci o fader aberto, porém eu estava com o fone de ouvido dos dois lados e ouvindo apenas a música que ia entrar porque eu precisava achar o ponto do CUE. 

Foram algumas tentativas para deixar o CUE no ponto certo, puxa jog pra trás, dá pause, dá play pra ver se está ok, apenas observando o tempo da música que estava na pista quando de repente eu olho do outro lado do campo de futebol meu amigo saindo do banheiro correndo desesperadamente na minha direção, eu tirei o fone e percebi que tinha feito tudo aquilo com o fader aberto, ele chegou na mesa como se estivesse recebendo um bola de vôlei que estava prestes a encostar no chão, jogada pelo time adversário, e abaixou o fader. Eu olhei para o público, olhei pro meu amigo, olhei pra dentro de mim e falei, continua.

As mãos ainda tremendo um pouco mas finalizei o set como tinha que ser. Acredito que o sentimento da primeira vez nunca vai fugir da minha memória pois a partir desse dia eu tive a maior certeza da minha vida… “cheque todos os botões antes de qualquer movimento” e na maioria dos casos, os pés da mesa.

No mais foi puro aprendizado, tudo que acontece a todo momento seja em nossas carreiras profissionais ou em situações da vida, acontecem porque você precisa aprender algo, nunca vai significar que você não é bom o suficiente, que você não “serve para aquilo”, que você não tem talento, bla bla bla… Você pode tudo, pode especialmente aprender sempre. Não esqueça de colocar no rider técnico a altura da mesa porque também nessa primeira apresentação a mesa era tão baixa que eu quase pedi uma cadeira e obrigada ao contratante, se ele ler isso, valeu a pena.”

A música conecta.


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