Minha Primeira Gig | Marco Faraone

Original da região de Toscana, na Itália, Marco Faraone cresceu imerso na música e influenciado pelo seu pai, DJ nos anos 90, começou a brincar com alguns discos de hip hop, passou pelo drum and bass até chegar na dance music.

Foram as produções de Todd Terry e Masters At Work e os DJ sets únicos de Laurent Garnier que renderam a Faraone uma empolgação para mergulhar de vez na música eletrônica. Pouco a pouco ele desenvolveu suas habilidades na produção musical e em 2008 lançou seu primeiro release. 10 anos se passaram e após muito estudo e um acumulado de experiências relevantes, Marco possui lançamentos importantes por selos como Ovum Recordings, Natura Viva, Avotre e Drumcode.

Seu próximo release já está em pre-order no Beatport e sairá pela gravadora On Edge Society. Stage Capture apresenta 5 faixas originais, densas e voltadas para o dance floor. Aproveitando o excelente momento da carreira de Marco, o convidamos para compartilhar suas lembranças em torno de sua primeira gig como DJ profissional.

Com a palavra, Marco Faraone:

Minha primeira gig foi há cerca de 15 anos atrás, na casa de um dos meus amigos em uma pequena vila chamada San Cassiano A Vico. Era a festa de aniversário do meu amigo Alessandro. Lembro que eu era tão novo, com apenas 14 anos, cabelos longos e realmente interessado em tocar hip hop e drum’n’bass. Para ser sincero, tudo me deixava animado.

Na época, obviamente eu ainda estava na escola e não tinha muito dinheiro para comprar discos caros, então comecei a tocar usando um pouco da coleção de discos dos anos 80 do meu pai, juntamente com a compra de discos de segunda mão em mercados pequenos onde eu conseguiria algo barato e no budget de um garoto de 14 anos. Agora, olhando para trás, percebi que comprei algumas joias preciosas na época como ‘Terrorista’ de Rinnegate e ‘Brand New Funk’ de Adam F. Gastei aproximadamente 1000 libras com eles, que agora são aproximadamente 50 centavos. Dois lendários clássicos do Drum’n’Bass, e alguns discos raros da Run DMC e 2Pac.

Foi assim que aprendi a tocar em toca-discos. Tentar mixar esses gêneros era muito difícil, então o house e o techno tornaram-se mais fáceis para mim depois de alguns anos. Lembro que eu esperava tocar para 20 pessoas naquela pequena festa em casa, com os pais dele dormindo no andar de cima. Mas não, no final, tivemos umas 100 pessoas no jardim e na sua garagem. Lembro que o soundsystem era uma porcaria, especialmente quando estava tocando para muitas pessoas, mas eu estava feliz por ter a oportunidade de tocar na frente de alguém pela primeira vez e não sozinho no meu quarto.

Venho de uma cidade muito pequena na Toscana, chamada Lucca, onde todos pagavam por música comercial brega e a cena club era inexistente. Então meus amigos e eu começamos a fazer nossas próprias festas usando garagens e espaços que tínhamos acesso. Claro, não era um club, longe disso, mas foi o melhor que pudemos fazer. Na época, os clubs mais próximos para nós estavam há 70km de distância, que era o Tenax (um dos meus clubs preferidos para tocar agora), mas éramos menor de idade e não tínhamos um carro – ou seja, uma missão impossível.

Comecei a amar tocar música por conta própria, sem que ninguém me dissesse o que eu tinha que fazer. Levei algum tempo para descobrir house e techno, já que a cidade não tinha lugares para descobrir novas músicas, ao contrário daqueles que cresceram em Londres ou Berlim. Então, de qualquer forma, no final da festa quebramos as caixas de som e tivemos que gastar todo nosso dinheiro para comprar novas. Mas nunca tive no rosto um sorriso tão grande.

A MÚSICA CONECTA. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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