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Uma cabine de DJ dentro de uma aranha de metal que...

Uma cabine de DJ dentro de uma aranha de metal que cospe fogo: conheça a Arcadia

Ano passado, quando fui para o Glastonbury na Inglaterra pela primeira vez, tinha pesquisado bastante sobre as áreas alternativas do festival (se você for andar por tudo, demora quase 3 horas e meia, da para se perder, se achar e se perder de novo) e já sabia que Arcadia era aonde o techno rolava. Quis me surpreender e não procurei por fotos, mas tinha ouvido falar que a estrutura era impressionante. Do topo da montanha aonde acampávamos comecei a ver uma estrutura de metal cuspindo fogo e achei que fazia parte da grande área de circo que rola por lá. Só fui descobrir que se tratava de uma aranha de metal enorme que cospe fogo e serve como cabine de DJ quando fui procurar o palco aonde o Maceo Plex ia tocar. Todo mundo estava dançando embaixo da aranha e a combinação de luzes, fogos, energia do festival e o tamanho daquilo tudo (e ah o meu DJ preferido tocando) me fez continuar dançando mesmo tendo acabado de descobrir que tinha perdido meu celular (derrubei na lama e ainda faltavam 1 mês e meio de viagem, foi trágico.) Até então achei que Arcadia era uma área do Glastonbury e que só podia ser vista uma vez no ano em Junho na Inglaterra. Mas na realidade a aranha viaja pelo mundo, funcionando como cabine somente para os melhores DJs e músicos do mundo, de diversos estilos em uma experiência completa com todos os elementos artísticos e tecnológicos que complementam a música. No site o staff diz que o Glastonbury é o lar da aranha e aonde as inovações acontecem, mas somente esse ano a aranha já foi para Bangkok e Miami e ainda não anunciou as locações para a segunda metade do ano.

O show da aranha é dividido em três partes: the Landing (o primeiro contato), the Metamorphosis (a evolução e a transformação) e the Finale (a última sinfonia.) Na primeira parte a aranha acorda (literalmente) e é completamente preenchida por luz, ela fala com a plateia e dá inicio ao uso de fogos e performances (tem artistas pendurados, interagindo com a plateia e agindo como seres de outro mundo.) Na segunda parte a aranha evolui e se transforma, tanto em forma quanto em experiência, levando o público para uma imersão ainda maior entre música, arte e tecnologia. Já na ultima parte, a aranha faz uso de todo seu potencial para uma explosão final de união – segundo o site da Arcadia. A aranha suporta em média 50 mil pessoas e pode ser reservada para diversos festivais (foi a primeira vez que ela foi para o Ultra por exemplo) entrando em contato com o staff pelo site.

Além da aranha, a Arcadia tem também a mosca (the Bug) e o Afterburner, duas estruturas que comportam 3 mil pessoas a 10 mil e 3 mil pessoas, respectivamente. O Afterburner vai para Bristol nos dias 28 e 29 de maio no festival Love Saves the Day e a mosca foi atração principal na cerimonia de fechamento das paraolimpíadas de 2012 em Londres. Em 2012 também, a organização foi convidada pelo festival NH7 na Índia para se aventurar pelos restos do país e construir um palco novo. E em 2013 foram convidados por um festival de agricultura em Sydney, que recebe mais de um milhão de pessoas nos seus 14 dias de duração, para criar 4 monster trucks. No site também são oferecidos três estruturas chamadas Flaming Lampposts, Lords of Lighting e Fire Tornado, o primeiro são postes de fogo que iluminam e adicionam para a criação de uma atmosfera de fantasia, o segundo uma estrutura que usa mais de 4 milhões de volts de eletricidade e cria raios, e o terceiro uma estrutura que cria um tornado de fogo.

Ano passado, Arcadia criou seu próprio festival que rolou em Bristol e foi um tremendo sucesso. Com um line up que incluiu Annie Mac, DJ Derek e Leftfield. Honestamente chega a ser inacreditável como esse equipe não tem limites na criatividade, no uso de tecnologia para criar uma experiência imersiva que combina arte, performances e música e no amor pelo o que eles fazem. Segundo a equipe, em entrevista para Wired, revista inglesa esse ano verá ainda mais surpresas no Glastonbury em Junho e eu estarei lá para experienciar tudo de primeira mão e contar para vocês! Só nos resta sonhar que algum organizador de eventos brasileiro traga a aranha para terra tupiniquins (por favor!!!!)

A música conecta as pessoas! 


Georgia Kirilov é estudante de jornalismo e história da arte e acredita que criar é um ato político. Escreve sobre as nuances e sutilezas no caleidoscópio da música eletrônica sempre colocando-o em paralelo com o contexto social e político dos locais por onde passa e explora.

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