Quando a Som Livre anunciou a Austro no segundo semestre de 2016, muita gente não imaginava que haveria um trabalho tão profundo, focado não apenas no lado mais mainstream da música eletrônica, mas também em abordagens ligadas ao underground. Quebrando gêneros e superando expectativas, a Austro já emplacou lançamentos de nomes como NZPA, Art in Motion, LuizFribs e Nato Medrado e nesses últimos meses deixou claro uma mensagem: o selo veio pra ficar.

Antes de falarmos do próximo lançamento, existem alguns pontos muito interessantes a serem analisados no trabalho do label até aqui. O primeiro é o profissionalismo com que os processos são encarados. Diferentemente da maioria dos labels de música eletrônica do Brasil, cada setor possui um responsável pelo seu desenvolvimento, o que torna o workflow agilizado e possibilita um fluxo alto de lançamentos da gravadora – além de um belo exemplo de como as coisas podem e devem ser feitas no que diz respeito a modelo de negócio.

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O segundo fator a ser analisado é a confirmação do crescimento da música eletrônica enquanto movimento musical para grandes massas. Sem estatísticas e boas perspectivas jogando do “nosso lado”, certamente não teríamos um investimento tão importante de grandes marcas oriundas de fora do cenário da dance music, como é o caso da Som Livre. Esse investimento, além de movimentar a indústria em diferentes frentes, abre espaço para novos artistas brasileiros lançarem seus trabalhos com boa visibilidade e aproxima o cenário house/techno de outros nichos e tribos acostumados a consumir música de outros segmentos.

Esses e outros pontos dão o tom do trabalho do Austro até aqui e possibilitam a chegada de artistas de ponta do cenário undereground brasileiro para os próximos releases. O Austro Selections – Heavyweights, por exemplo, é uma compilação composta por 5 faixas inéditas produzidas por Bruce Leroys, Luthier, Dakar, Thomas Krauze, Maz e Touchtalk. Cada um dos envolvidos conseguiu impor sua identidade musical e deu um toque diferente ao VA. Enquanto To Enjoy da dupla Bruce Leroys puxa mais para o tech house, por exemplo, Condition do duo Touchtalk carrega elementos do progressive house em sua estrutura.

// Relembre nossa entrevista com Dakar

A curadoria do selo é certeira ao mirar em artistas que vivem um momento especial no estúdio. Dakar passou por um 2017 de conquistas e recordes pessoais, Maz tem despontado com cada vez mais força para o mercado nacional e Luthier segue sua jornada de sucesso ao longo dos últimos anos – cada um deles tem algo interessante para contar e mostrar nesse começo de 2018. Toda compilação exige um cuidado especial para que no fim as peças selecionadas formem uma espécie de quebra cabeça e resultem em algo que faça sentido para o público na pista e para o ouvinte mais atento que vai viajar com as produções durante o dia, em casa, no trabalho ou no trânsito. Nesse caso as peças escolhidas formam um ótimo trabalho. Ouça todas as faixas na íntegra abaixo:

A música conecta as pessoas!