Que me desculpem os amantes do techno, mas a house music tem a cara, o DNA e o sangue das pistas brasileiras. O gênero criado em Chicago carrega consigo um legado histórico que prega liberdade, união e alegria. Portanto, não há como não assimilar tais características a cultura de pista do brasileiro, que adora se jogar madrugada a dentro em clubs, bares e discotecas em busca do resultado da soma disso tudo que é: diversão.

E é bem verdade que não importa o gênero ou a vertente se a música for realmente boa, mas cá entre nós que a madrugada fica muito mais divertida quando as batidas do house ecoam entre as paredes e faixa a faixa vão sacando um sorriso despretensioso e sincero de todos que estão na pista. Naquele momento, somos apenas uma alma pulsante, que vibra guiada pelo groove.

Mas não são apenas os medalhões de Chicago que fazem nossas pistas delirar. O projeto Anhanguera, formado pelos DJs e produtores Dudu Palandre e Décio Deep já soma 12 anos de história e através de suas produções,  a dupla construiu uma identidade que tem a cara das pistas brasileiras. A receita é simples, mas absolutamente poderosa. Primeiro, você soma uma rica gama de influências que passa por lendas como Derrick Carter até chegar em uma inspiradora nova geração comandada por nomes como Sidney Charles. Em seguida, você desenvolve uma identidade singular, que o difere de um pelotão de artistas que insiste em entregar as mesmas fórmulas de sucesso ao público. Por último, você faz qualquer pista dançar, com altas doses de groove e uma simpatia que os sinalizam como artistas, com A maiúsculo e personalidade respeitável.

Dudu e Décio são diferenciados não apenas em cima da cabine, mas no estúdio também. Eles já levaram suas produções a labels de respeito no cenário nacional e internacional e isso sem dúvidas contribuiu para fixação do nome como um dos principais projetos de house do mundo, fora do eixo Estados Unidos – Europa. Estamos falando de faixas lançadas por gravadoras do calibre de Maracuja, Guesthouse Music, InStereo Recordings e Ganza. A lista de suportes é vasta e passa por nomes como Mark Farina, Dj Sneak e Derrick Carter – imagina só como deve ser gratificante ver uma de suas influências tocando faixas suas.

Ouvindo em casa, no carro ou na praia é fácil de ser observar a profundidade do trabalho, que explora facetas criativas da house music e resulta em produções originais e envolventes. Ainda assim, somente na pista é possível sentir a real energia do Anhanguera. Se você ainda não os viu em ação, a boa notícia é que 2016 esta apenas começando e dá tempo de você colocá-los na lista de “coisas a se fazer” esse ano. A música conecta as pessoas!