A semana trouxe notícias boas para a cena clubber britânica. Após o Fabric ter seu direito de funcionamento cancelado pela subprefeitura de Islington – região de Londres na qual o terreno está inserido – houve uma super campanha em prol do club, que resultou em diversas ações que envolveram artistas importantes como Nina KravizRicardo Villalobos e Craig Richards (os dois últimos residentes) nas últimas semanas.

A campanha #savefabric reuniu milhares de assinaturas e cerca de 320 mil libras. Na última segunda-feira, um novo acordo entre Fabric, Polícia e subprefeitura de Islington determinou 32 novas leis de funcionamento para o club londrino, além de uma política mais severa no combate as drogas – em Agosto, duas pessoas morreram por uso de substâncias nas dependências do club. A licença de funcionamento está novamente concebida ao Fabric mas o episódio nos deixa uma reflexão importante.

Há suspeitas que o fechamento do Fabric se deu por razões que vão além dos acontecimentos envolvendo as duas mortes no mês de agosto. Ao fazermos uma análise mais ampla, podemos comparar o caso ao do Ultra Brasil, que sofreu uma série de restrições (incoerentes) dos órgãos públicos, até encontrar no Sambódromo a liberação para sua realização. Ou ainda, ao Warung Beach Club, que assim como o Fabric tem no avanço do mercado imobiliário um grande fator de risco.

A união da cena eletrônica global a favor do Fabric é o grande ensinamento que fica após o desfecho dessa dramática história. Em um mercado tão marginalizado e carente de apoio público como a nossa, não há mais espaço para segregações. A união monta um cenário mais forte e preparado para lidar com situações semelhantes a essa. O retorno do club é incrível para a comunidade britânica e europeia, mais do que isso, demonstra que ainda somos capazes de agir em conjunto por um bem maior. Que essa atitude se repita em lutas futuras. A música conecta as pessoas!