Aftermovies, fotos pessoais, super equipes de produção e definitivamente, a música não é mais o primeiro plano. A popularização do gênero no Brasil tem aberto portas e janelas para que diversos artistas talentosos possam mostrar o seu trabalho. O momento no campo da criação artística é bom, mas nem tudo tem sido aproveitado da maneira correta. A super exposição de um rock star já é uma realidade na vida de alguns jovens DJs brasileiros, que após emplacar um ou outro hit nas pistas, se prontificam a uma exposição intensa, tudo por visibilidade e maior interação com o público. Até aí, aceitável… mas e a música? Ela realmente não é mais o que faz as coisas acontecerem de forma orgânica?

Esse é um assunto delicado, que permite e exige um olhar amplo e impossibilita qualquer tipo de generalização. A exposição é uma característica de toda uma geração, não somente dos artistas e do cenário eletrônico. Por isso, é natural que comos seres conectados com uma tendência global, DJs e produtores façam uso disso fora do aspecto musical, para promoção de suas carreiras. Somado a isso está o contínuo interesse do público de estar mais próximo de seus ídolos a todo momento. Redes sociais como o Instagram e o Snapchat, permitem que os fãs acompanhem a vida dos artistas em tempo real.

É uma faca de dois gumes e como praticamente tudo na vida, o bom senso se torna indispensável para que se encontre o equilíbrio. Por um lado, nunca se praticou uma comunicação onde os artistas pudessem construir uma relação tão intensa com sua base de fãs. Por outro, é inegável que estamos comunicando e falando menos do que deveríamos dentro do aspecto artístico e musical. Quando um aftermovie de uma gig importante parece ter mais apelo e relevância do que o lançamento de um álbum com 12 faixas, algo de errado aconteceu no caminho.

Agências e profissionais trabalham intensamente para criação de hypes e os clubs exploram de maneira desenfreada a imagem dos artistas bookados, praticamente sem qualquer preocupação de gerar conteúdo em cima de seus nomes, o que vale é a imagem. De uma forma geral, pouco se pensa no âmbito regional e na criação de diferenciais dentro da música, capazes de posicionar os artistas no mercado de maneira eficiente e duradoura. Desconfie quando um artista possui números expressivos nas redes sociais e uma discografia pobre, não foi pela música que ele chegou ali e provavelmente não será por ela que ele tentará se manter.

Em um momento atual em que DJs são vistos como super-heróis, tem muita gente querendo liderar o time a qualquer custo. Trabalhar de forma consciente a comunicação e promoção, e gerar conteúdo em cima de uma carreira artística é algo totalmente normal, mas o artista em si não pode esquecer jamais do propósito da história toda. No fim, o que realmente vale é a música que ecoa nos sound systems dos nossos clubs durante as madrugadas e fazem a pista dançar. Lembrem disso. 

A música conecta as pessoas!