Alataj entrevista Afrika Bambaataa

A palavra lenda tem sido usado de forma massiva e até mesmo exagerada dentro do cenário da dance music nos últimos anos. Isso por quê a imprensa, de um modo geral, atribuiu tal adjetivo para uma série de artistas que estão bem longe desse posto e acabam banalizando uma expressão que deveria ser direcionada a nomes como o de Lance Taylor, ou melhor: Afrika Bambaataa.

Nascido e criado no Bronx em Nova Iorque, Afrika Bambaata é um cantor, compositor, DJ e produtor musical conhecido como líder da banda Zulu Nation. Com uma obra reconhecidamente disruptiva e a frente de seu tempo no século passado, Bambaataa é tido como um dos fundadores do movimento hip hop e responsável por criar as bases para o surgimento do miami bass, freestyle e até mesmo do funk carioca.

Alguns de seus principais sucessos incluem Looking for the Perfect Beat, Afrika Shox, World Destruction e o super clássico Planet Rock, um dos grandes hinos da história do hip hop. Vale lembrar que Afrika Bambaata é uma das atrações do after do D.RRETE, bloco de carnaval do D-EDGE que terá uma programação especial para as festas que acontecerão dentro do club (mais informações aqui). Aproveitamos sua nova passagem pelo Brasil para um bate-papo exclusivo com o artista:

Alataj: Olá! Tudo bem? Obrigado por nos receber. É um grande privilégio ter sido parte do movimento que fundou o que hoje chamamos de hip hop. Na época onde tudo começou, você tinha noção do tamanho que aquilo tomaria? Em algum momento você pensou que não daria certo?

Sabíamos que iria se espalhar quando começamos a mostrar a cultura e a mensagem universal de Zulu Nation, além claro da boa música oriunda do hip hop. País para país, estado para estado, cidade para cidade, bairro para bairro. Todos os elogios à força suprema.

Antes do hip hop agregar DJs, MCs, grafiteiros, b.boys e b.girls como parte de uma única tribo, como esses artistas conviviam na periferia de Nova Iorque? Havia uma espécie de rivalidade ou tudo sempre foi muito saudável?

A maioria destes artistas se uniu em solidariedade, assim começou a primeira geração do hip hop que tornou-se uma cultura de gratidão ao Zulu Nation.

Você cresceu no Bronx, um dos bairros mais efervescentes da cultura nova-iorquina. Qual foi exatamente a influência que este lugar teve sob você e seus primeiros anos mexendo com arte?

Foram os mais anciões que eu conheci lá que ensinaram o caminho para que os mais jovens estivessem no caminho certo, mesmo quando há momentos de tristeza. Eles são como grandes líderes e professores que nos ensinaram a lutar contra o racismo e o ódio.

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Planet Rock é um dos maiores hinos da história da dance music global. Qual o primeiro sentimento que vem a sua cabeça quando ela começa a tocar hoje em dia?

É surpreendente o poder e a força que essa faixa possui, com centenas de edits e remixes que tocam o coração de seres humanos e extraterrestres nesta terra e além do universo.

Ter a oportunidade de trabalhar com James Brown certamente foi uma das grandes conquistas de sua vida. O que você tirou de melhor no aspecto humano dessa relação com o mestre do soul?

A maior conquista de James foi ensinar as pessoas a pensarem e não serem zombies em assuntos relacionados ao trabalho escravo, paz, amor e diversão.

Aqui no Brasil, muitos atribuem o seu legado como principal referência para criação do funk carioca. O que você sabe sobre o estilo e a cultura de periferia do Brasil?

Eu conheço muito sobre o funk carioca e adoro esta música que mantém as pessoas dançando não somente no Brasil, mas no mundo todo. Há sempre espaço para falar sobre política e ações relacionadas a problemas mundias neste estilo – isso é um poder muito grande que o artista tem. Tenho respeito e honra por todos os irmãos e irmãs de todas as favelas do Brasil. Podemos fazer uma mudança em nossas vidas se cada um ensinar, ajudar e alimentar o outro.

Em Março você vem ao Brasil para tocar no Carnaval de um dos nossos clubs mais importantes de house e techno. O que você espera encontrar na pista?

Espero que as pessoas deixem suas preocupações em casa e saiam para desfrutar da vida com liberdade. Espero que elas dançam e curtam a música.

Sei que falar de clássicos é bastante subjetivo, mas na sua opinião, quais são os três maiores hits da história do hip hop?

É difícil escolher um grande clássico, mas Rappers Delight do Sugarhill, os breaks de Kurtis Blow, a mensagem de Grandmaster Flash, Furious Five e, claro, Planet Rock, são obras que nos fazem viajar no espaço para outros momentos de nossa vida. Tenho que agradecer a todos os artistas do mundo que se dedicaram a cultura hip hop ou qualquer outra música que faz as pessoas se sentirem bem em todo o mundo.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

A música representa o presente da força suprema a quem podemos chamar de muitos nomes. Ela pode te jogar para cima ou para baixo. Use-a para algo positivo, não para segregar através de coisas horríveis como ódio ou racismo. Tenha cuidado com as frequências de som que você usa, porque você nunca sabe o que as entidades podem estar fazendo ao seu entorno. Por fim, deixe a música curar todos a sua volta.

A música conecta.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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