Alataj entrevista Anabel Sigel

O BURN Residency 2018 ficou marcado por uma intensa jornada de aprendizado e evolução capitaneada pelos participantes do programa. A partir do momento que foram selecionados em seus países de origem, os participantes iniciaram uma intensa preparação para o programa com atividades que variavam entre media training e questões diretamente ligadas a música.

Nessa temporada, o programa se desenvolveu com atividades em diferentes países até a chegada do The Ark, cruzeiro de música eletrônica que recebeu a final da edição 2018. A bordo do cruzeiro, Anabel Sigel foi anunciada como vencedora do programa e levou pra casa o prêmio de 100 mil Euros, além de um contrato com uma das principais agências de management da Europa.

Anabel é mais uma representante da escola espanhola do tech house, país responsável por formar boa parte dos principais artistas do gênero a nível global. Com a vitória no BURN Residency, Sigel está confirmada como uma artista oficial da elrow e nos próximos meses deve ingressar o casting dos eventos internacionais da marca. Direto do velho continente, ela falou com exclusividade ao Alataj:

Alataj: Olá, Anabel! Tudo bem? O começo de sua carreira é bastante ligado a cena de Barcelona, certo? De que forma a comunidade artística e a atmosfera musical da cidade contribuíram para a sua formação?

Anabel Sigel: Comecei quando morava em Madri, primeiro na capital e depois em outras partes da Espanha. Entendi muitas coisas sobre a vida nesse momento, e o mais importante, quem eu era.

Em Barcelona comecei a tocar profissionalmente como residente em restaurantes e ir a festas de techno underground, como as que eu costumava frequentar nas Ilhas Canárias, com Javier Carballo, Nina Kraviz, Hanfry Martínez e outros. Entendi o que era a qualidade musical, a arte de apreciar cada som. Comecei a me perceber ainda mais como pessoa e artista, dos 20 aos 26 anos, comecei a produzir e deixar minha vida de lado para aprender mais sobre música, com a ajuda de amigos eu consegui crescer passo a passo.

Ter um perfil de produção musical que se relacione bem com a a discotecagem é um grande desafio para produtores mais jovens. Como você tem lidado com isso? Quando está no estúdio, é possível dizer que sua prioridade é produzir faixas para o dance floor?

Todo dia acordo e ligo o computador, dependendo de como me sinto, faço uma ou outra coisa para e pela música. Amo produzir e deixei minha vida completamente de lado nos últimos 3 anos para melhorar como produtora. É um longo caminho a percorrer e há muito para aprender, estudar, praticar… O mais importante é que eu amo passar horas em frente ao computador, criar, praticar piano e guitarra… adoro os pequenos avanços.

Há uma nova geração de mulheres desempenhando um excelente papel nas cenas house e techno – o que é absolutamente maravilhoso. Como você enxerga esse momento? O que ainda devemos fazer para ter uma cena mais democrática nesse aspecto?

Um bom primeiro passo é não fazer essa pergunta, parar de perguntar qualquer coisa sobre isso e nos vermos da mesma forma, 2018… ainda estamos questionando as coisas mais simples da vida, partilha, igualdade, respeito, liberdade.

Sua experiência com o BURN Residency certamente representa um dos momentos mais marcantes de sua carreira até aqui. Quais foram os principais aprendizados que você obteve? O que você leva de melhor dessa experiência?

Eu aprendi sobre tudo, todos os aspectos da música. Produção, histórias, motivação, conselhos, autoconfiança…

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Como ganhadora do BURN Residency, você participará de uma série de eventos com a Elrow. O que isso representa pra você? Como você tem se preparado para os desafios pós experiência no The Ark?

Para mim, todas as experiências são importantes, desde que eu toque música. Gosto de dar a minha alma e me deixar levar pela música e pelas emoções, em casa eu recarrego as energias, e na pista, eu deixo passar [risos]. Cada gig é uma experiência única de aprendizado.

Olhando um pouco mais para o seu lado pessoal, nós gostaríamos de saber quais foram suas primeiras influências dentro da música e não necessariamente na dance music. Sua famíla exerceu algum tipo de influência ou apoio para que você seguisse a carreira de DJ?

Sempre fui muito incompreendida. Ouço música há muito tempo, minha família é grande e enquanto minha mãe trabalhava, meus tios cuidavam de mim. Cada um escutava um estilo diferente: minha mãe era bolero e salsa, minha tia blues, jazz e rock dos anos 70, 80 e 90, meu outro tio queria ser DJ, ele era o mais novo e era como um irmão mais velho (temos 9 anos de diferença). Eu escutei de tudo, pratiquei, estudei, cantei..

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Minha vida é a música desde quando nasci, então ela representa parte de mim, sem ela eu não poderia ter criado, dançado, cantado, produzido ou tocado.

A MÚSICA CONECTA. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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