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O legado de Anderson Noise vai além de seus 30 anos de pista

Como resumir em alguns parágrafos os 30 anos de carareira de Anderson Noise? Tarefa ingrata, praticamente impossível. Poderíamos falar de suas principais conquistas, de seus lançamentos de sucesso, das melhores gigs, das participações em festivais de renome ou dos suportes que ele conquistou ao longo dos anos. Mas, certamente nada disso superaria o seu legado.

“Quem cumpre tarefa é funcionário. DJ de verdade é um artista e artista tem que criar.”

Anderson faz parte de uma geração que se interessou pela música eletrônica não pelo hype, nem pela fama, muito menos pelo glamour sedutor das redes sociais. Amor a música era a espinha dorsal de toda e qualquer carreira de um disck jockey no século passado. Ao longo desses 30 anos de estrada, Noise entregou as pistas horas de pesquisa musical, infinitos momentos de experimentação no estúdio e uma energia rara de ser encontrada, comum apenas entre os mais talentosos artistas.

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Se o mercado é cíclico e a música eletrônica totalmente incerta? Pouco importa! Anderson Noise é aquele tipo de profissional que olha para as dificuldades com responsabilidade, mas não se sente intimidado. Por essa e por outras, se tornou uma espécie de patrimônio nacional da música eletrônica e hoje, com 3 décadas de pista, investe seu tempo em novos projetos e deixa uma mensagem bastante clara: há muita energia para ir além. Confira abaixo entrevista e set exclusivos:

1 – Olá, Anderson! Tudo bem? É um grande prazer falar com você. Esse ano você trabalhou em uma faixa para o Mineirão, certo? Como foi inserir a música eletrônica em um lugar tão importante para a história de BH? Como surgiu o convite?

Tudo lindo comigo e com vocês? Muito obrigado pela oportunidade e é um enorme prazer estar aqui! O Mineirão foi um trabalho incrível de realizar porque contamos muito com a ajuda da equipe do estádio que é muito profissional e abriu todas as portas para executarmos nossas ideias. Quando eu e o Fabio Mergulhão começamos a produzir a serieTRINTA, comentei com ele de fazermos algo com o Mineirão e ai quando estávamos gravando o Samuel, que é quem dirige o Mineirão, ele nos deu a noticia das comemorações do aniversario de 52 anos do Gigante e decidimos juntos que a musica e o vídeo seriam nossa homenagem para celebrar o aniversario do estádio.

2 – Caras como você, Mau Mau e Renato Cohen são constantemente lembrados pelos primórdios da música eletrônica no Brasil. De lá pra cá, certamente muita coisa mudou, não é mesmo? Na sua visão, o que ainda permanece intacto?

Eu fico muito feliz de sempre as pessoas lembrarem do que fizemos, isso é muito bom mesmo. Na minha visão, tudo mudou mesmo e nada está intacto, talvez só minha vontade de continuar fazendo barulho. [risos]

3 – Manter uma pista plenamente conectada com o seu som é um dos principais desafios de um DJ. O que um artista não pode deixar de fazer para obter êxito nessa tarefa?

Estar conectado com uma pista não é uma tarefa simples e o DJ acaba dependendo de alguns fatores. O mais importante é tocar no horário e line up certo, com um público interessando no que ele toca. Falando em publico… o que acontece hoje é que mais da metade da pista é formada por DJs, porque vivemos em um tempo que todo mundo é DJ e ai entra numa questão difícil para alguns desses que definitivamente não conseguem tocar para outros DJs. Pra finalizar eu penso que quem cumpre tarefa é funcionário. DJ de verdade é um artista e artista tem que criar.

4 – Paralelamente a sua carreira, você mantém um trabalho regular com a Radio Noise e com a Noise Music. Essas duas plataformas tem auxiliado seu crescimento pessoal? O que elas te trouxeram de melhor até hoje?

Não é fácil cuidar de plataformas diferentes, mas já tive muito retorno com as duas. A Radio Noise sempre foi transmitida por muitas rádios, principalmente fora do Brasil. Isso contribuiu muito para me levar a tocar em outros países. O Noise Music que em 2019 completa 20 anos, sempre teve o suporte de excelentes DJs e produtores do mundo todo e sem dúvida ajudou muito a nos divulgar – isso foi melhor ainda na época em que fazíamos vinil.

5 – Muito se fala sobre a música eletrônica do eixo Sul-SP. Mas e outras regiões, até mesmo como BH… como você tem sentido a cena no Brasil como um todo?

Como tudo na vida um dia muda e um dia se acaba, antigamente o eixo mais forte era SP-RJ-BH ai veio Campo Grande com suas festas gigantes e o D-EDGE e na sequência o sul que encantou o Brasil. O que mais vejo hoje é que as pessoas não viajam mais tanto quanto antes para outros estados pra conhecer outras festas. Vejo muita gente preferindo viajar para fora do pais por alguns motivos, um deles é que nas temporadas viajar pelo Brasil é igual viajar pra fora muitas das vezes. Outro acontecimento impressionante é como os carnavais nas capitais como SP-RJ-MG cresceram e antes essas pessoas desses estados que viajavam, agora ficam em suas cidades porque tem muitas coisas legais acontecendo. Por ultimo o bairrismo, ele voltou com força e tem muita gente achando que sua cena é melhor que a do outro, mas na verdade nem conhece a cena do outro para poder falar algo.

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6 – Percebo que as barreiras entre os gêneros estão cada vez mais tênues e que gradativamente as pistas brasileiras estão pedindo por coisas realmente novas. Na sua opinião, qual o futuro do movimento house/techno no Brasil?

Sim nos últimos anos os géneros aproximaram se muito mas e ainda entre house/techno e que também continuam se amando e odiando ao mesmo tempo [risos]. Eu venho presenciando uma alteração muito boa quanto as nossas pistas aqui no Brasil, realmente nos últimos meses a galera quer mesmo é sons novos e musicas lançadas recentemente. Isso me agrada muito

7 – Nos últimos anos, quais DJs e produtores brasileiros tem captado mais a sua atenção?

Nossa eu teria que ficar dois ou três dias por conta de fazer uma pesquisa de DJs e produtores que gosto e estão fazendo um bom trabalho e não seria justo porque com certeza eu iria esquecer alguns nomes. Hoje temos muitos e muitos os DJs e produtores brasileiros que fazem um trabalho competente. Parabéns a todos vocês!

8 – Esse ano você estará em uma tour comemorativa pelos 30 anos de carreira. Quais ações estão sendo planejadas para essa data especial? O que você já pode adiantar pra gente?

Estou ansioso para dar continuidade aos planos. Trabalhamos muito em diferentes projetos que vão acontecer para esta comemoração. Acho que a mais longa será a tour, mas já temos uma das ações que vamos fazer que vocês já estão assistindo é a serieTRINTA produzida pelo meu parceiro Fabio Mergulhāo. Já lançamos 4 vídeos e há outros por ai. O que ainda não divulgamos quanto a serieTRINTA é que estaremos realizando vários workshop por várias escolas pelo Brasil. Queremos mostrar como está sendo nosso processo de criação e produção desta série que também vai virar uma exposição áudio visual. Há muitas outras novidades ao redor dessa celebração mas ainda não posso dizer – espero comemorar com todos vocês

9 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

A música, minha família e meus amigos são tudo o que tenho e amo. Quem convive comigo sabe minha paixão por eles.

A música conecta as pessoas! 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n’ Lights Management.

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