O ano de 2017 tem sido transformador na carreira da já experiente DJ Aninha:

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A “rainha”, como é carinhosamente chamado, entrou para Seas, núcleo catarinense que tem se destacado nessa temporada. Além disso, ela tem ficado mais tempo no estúdio e intensificado os lançamentos da AiA Records, seu record label. Desde o ano passado, bons lançamentos foram trabalhados e artistas como Boghosian, Conrad Christ e Arthus apareceram lançando com a gravadora – vem muito mais por aí nos próximos releases.

No campo da discotecagem, Aninha segue sendo reconhecida como uma das principais residentes do Warung e uma desbravadora de pistas: ODD, Colours, FACT Barcelona, Watergate Berlim e Cultive são apenas alguns dos recentes palcos por onde ela deixou seu som. Em busca de descobrir mais destalhes sobre seu atual momento de carreira, conversamos com Aninha sobre experiências pessoais na cena, AiA Records, Warung Beach Club, Alliance e mais. Confira abaixo:

1 – Olá, Aninha! É um grande prazer falar com você. Já são 15 anos de estrada e com certeza muita coisa mudou desde que você começou a tocar. Olhando para o passado, o você sente mais falta? Era mais fácil ou mais difícil agradar o público no começo?

Olá Alan, tudo bem? 🙂 O prazer é todo meu! Tento não ser apegada ao passado, mas posso dizer que hoje sinto muito mais o peso da responsabilidade. Antes eu só precisava pesquisar e tocar música, hoje me desdobro entre produção, pesquisa, projetos e imagem para poder estar presente na cena como um todo. Na época era mais difícil fazer com que as pessoas prestassem atenção no que eu estava disposta a mostrar.

2 – Você, melhor do que ninguém, sabe que o mercado da música eletrônica é cíclico e que a “febre” dos estilos se renova a todo momento. Quando você começou a discotecar, quais eram as preferências da pista? Introduzir sua identidade musical foi algo difícil?

Na época os estilos que predominavam eram techno e trance melódico. Eu estava completamente fora da curva tocando deep house atmosférico. O público não tinha muita paciência com BPMs baixos e não absorvia a cultura do warm up, mas sobrevivi! [risos]

3 – Baseado nas experiências que você adquiriu trabalhando com música eletrônica, o que você tira de melhor do aspecto humano?

Aprendi a respeitar mais o gosto de cada um e a nossa cultura. Também já fui aquela que ergueu a bandeira do vinil lá no início dos anos 2000, mas agora penso que a música é universal, não importa o formato.

4 – Ficamos sabendo que você saiu do quadro societário da Alliance Artists e agora segue apenas como artista da agência. O que te levou a tomar essa decisão? O trabalho com a Alliance tomava muito seu tempo?

Senti a necessidade de cuidar mais da minha carreira; o motivo mais forte que me trouxe até aqui nesses 15 anos. Estou passando por um momento muito criativo, participando de novos projetos e para isso, preciso sim de tempo.

5 – Desde o ano passado você intensificou os lançamentos da AIA Records, que passou a lançar inclusive no digital. Quais são seus planos para com a gravadora? O que vem por aí ainda em 2017?

Sim, agora com mais tempo livre voltei a focar no AIA também. Nossa intenção com o selo é seguir de forma orgânica, destacando mais os nossos artistas nacionais, mas a partir 2018 iniciaremos os convites para os internacionais também. Temos lançamentos até o final do ano: Maax, Kultra, Arthus & Boghosian, Caio Stanccione e Aninha. Participo com um remix no EP do Maax e no meu EP terei um remix do L_cio.

6 – Uma das novidades mais importantes desse ano na sua carreira foi a entrada para Seas Label. Como exatemente isso aconteceu? Em quais projetos você está trabalhando junto com o coletivo?

O Seas é um projeto que observava fazia um tempo. Vi todo o amor que o coletivo tinha pela música através não só dos eventos, mas do conteúdo gerado e sua identidade visual. Então eu liguei para o Nezello e disse que queria muito participar. Temos alguns projetos: Seas View (festa para até 150 pessoas, com transmissão ao vivo), pistas assinadas pela Seas (exemplos como Magic Island e Quintaj, que faremos a partir de setembro) e, a queridinha Seas Beach House (nossa casa que ficará pronta em janeiro de 2018, com 12 estúdios de diversos núcleos envolvidos tanto de produção musical, quanto de jornalismo, publicidade e muito mais). Além é claro da Radio Seas, que está divulgando núcleos de várias partes do Brasil e as transmissões ao vivo que faremos com os nossos residentes em lugares diferentes toda a semana.

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7 – Sobre sua residência no Warung Beach Club: como tem sido trabalhar junto a um dos principais clubs do mundo após tantos anos de parceria? Você ainda sente um frio na barriga quando é bookada para tocar lá?

É uma honra e uma grande responsabilidade permanecer durante todos esses 14 anos como residente, mas confesso tenho aquela sensação de que foi ontem quando recebi o convite do Conti. As coisas aconteceram muito rápido desde a abertura do club até o primeiro título de melhor Club do mundo. Quando vejo uma data confirmada no Warung me dá muita alegria. Mas frio na barriga sinto quando começo a tocar e as primeiras pessoas aparecem na pista sorrindo pra mim.

8 – Recentemente você fez sua estreia na ODD, uma das principais festas independentes do país. Como você enxerga esse mercado? Conta pra gente como foi a experiência de tocar lá.

Vejo algo de extrema importância, pois as festas independentes alimentam a nossa cultura clubber também. Isso sempre existiu fora do Brasil e por que não aqui? Tem espaço para todos se soubermos administrá-lo. Sobre a minha experiência, não poderia ter sido melhor! Pista linda, bem informada e super aberta a novas sonoridades. A estrutura industrial (adoro), sound system impecável e iluminação discreta pra deixar as pessoas livres para dançar. Resumindo: demais!

9 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que te mantém motivada ano após ano?

A música, sempre. Por ela eu vim e nela permanecerei.

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A música conecta as pessoas!