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Alataj entrevista Johnny da Cruz sobre Antropofagik

Por Lucas Doné

Em meio a tantos núcleos borbulhando em São Paulo, todos estão tentando se manter diante de um público mais crítico e decidido no que quer consumir. Criar uniões entre essas festas parece um ótimo caminho para atingir uma audiência maior dentro da disputada programação paulistana. Foi exatamente através dessa ideia que surgiu o Antropofagik, união dos núcleos EKO, Sonido Trópico, Folklore, Tantsa e Soul.Set.

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A primeira edição da festa foi no Réveillon 2018, quando 16 artistas pegaram de jeito 2 pistas da Vila dos Galpões para dar as boas vindas em grande estilo ao ano novo. A proposta fora do eixo comercial é um ponto em comum entre os núcleos e garante uma experiência musical de ponta para os participantes, não somente pela curadoria avançada que tanto caracteriza essas festas, mas principalmente pela presença de seus residentes, grandes representantes do som que é difundido em cada uma das pistas.

A próxima Antropofagik já tem data marcada. Nesse sábado, São Paulo recebe o francês Shlomo, da Taapion Records, para uma noite enérgica embalada por 3 pistas: Tantsa, EKO/Folklore e Sonido Trópico. Conversamos com os organizadores do evento em busca de mais informações sobre essa próxima edição:

Alataj: Olá! Tudo bem? Quando e como surgiu a ideia/desejo/necessidade de criar um festival unindo esses núcleos? Todos já se conheciam? Quais foram as principais empatias e dificuldades para produção desse tipo de evento?

Johnny da Cruz: Essa ideia não surgiu de um núcleo específico, foi algo que já estava no consciente dos organizadores das festas envolvidas. Sempre que conversávamos entre nós sobre algo similar, isso empolgava a todos e aos poucos fomos nos unindo. Apesar de todos os organizadores não se conhecerem entre si no começo, formamos um grupo eclético e com opiniões bastante distintas sobre diversos assuntos. Isso algumas vezes é muito útil na resolução de problemas que surgem ao longo da produção do festival, pois são mais cabeças pensantes trabalhando juntas. Por outro lado, é também desafiador conciliar os interesses e convicções de cada um, que muitas vezes podem ser diferente de outros dentro do grupo.

A primeira edição rolou no réveillon, tive a sorte de ir pela manhã e pelo pouco que vi foi um sucesso. Até que a união das marcas fosse uma necessidade apenas para a ocasião em si. O que levou exatamente vocês a seguir o festival para uma festa fora do ano novo?

No começo a ideia foi sim fazer um festival para quem não fosse viajar. Já é tradição São Paulo ficar com aquele ar de vazia nas semanas entre o natal e o ano novo, mas muita gente bacana fica na cidade pelos mais variados motivos e há anos que essas pessoas não têm muitas opções para virar o ano em uma festa de música eletrônica. Mas antes mesmo da festa do réveillon acontecer, nós já sentíamos que a festa não iria parar por ali. Após o ótimo feedback da primeira edição era inevitável que não nos juntássemos novamente para dar sequência no trabalho.

Vejo que o intuito em si é muito maior em dar valor aos artistas de cada núcleo, ao invés de investir muito em artistas de fora para cada edição. Qual é a visão de vocês sobre os artistas nacionais e como lidar com os pedidos do público?

Na verdade o grande objetivo do Antropofagik é promover uma maior união da cena eletrônica e também começar a quebrar um pouco esse tabu de ou você gosta de Techno ou você gosta de House. Sair dessa visão dualista onde não se pode gostar de várias coisas diferentes. Acreditamos que todas as sonoridades possuem, cada uma, o seu momento mais apropriado para ser apreciada. A questão sobre o foco nos residentes foi algo consequente do grande número de núcleos envolvidos e todos fazerem questão de trazer os artistas que estão sempre ao nosso lado ao longo do ano, quando cada festa trabalha de forma individual.

Creio que cada festa tem o seu público específico, pois cada núcleo trabalha com uma sonoridade diferente. Como elaborar o lineup nesse caso para seguir com sua identidade, ou a Antropofagik em si da essa liberdade de mistura nos artistas para encaixar melhor em cada ocasião?

Como dito anteriormente, cada sonoridade é mais propícia para um determinado momento e ambiente. Na primeira edição fizemos duas pistas, sem uma divisão por núcleo, mas se preocupando sempre em trabalhar com uma progressão gradual e sutil ao longo da noite. Para a edição do próximo dia 28 testaremos um novo formato com três pistas, uma assinada pela Tantsa, outra pela Sónido Trópico e uma compartilhada entre EKO e Folklore. A mistura é permitida sim, tanto que teremos dois slots da pista EKO preenchidos com artistas da Folklore. Ou seja, da pra misturar, mas de forma organizada e sempre pensando no bem maior que é o evento Antropofagik.

A chegada de grandes festivais europeus como Dekmantel, DGTL e agora Time Warp para o Brasil, influenciou vocês na criação de algo mais conectado com a cara de São Paulo?

Essas conversas já vinham acontecendo um pouco antes disso de forma desorganizada e sem um centro de organização, era algo que ficava muito no ar. Mas o fato de você ver pessoas vindo de fora para fazer algo que nós sempre falávamos, um festival, deve ter influenciado sim, mesmo que de forma inconsciente, talvez dando aquele empurrão final que faltava para começarmos a nos organizar.

O que vocês esperam e tem trabalhado para conquistar a longo prazo?

Esperamos entregar um evento de qualidade ao público, e principalmente, promover esse intercâmbio cultural de diferentes cenas. Quando você tem a chance de experimentar algo, a chance de você abrir sua cabeça para aquilo aumenta consideravelmente, e só vemos vantagens quando isso acontece. Tanto para o público que descobre coisas novas, quanto para os núcleos individualmente que tem a oportunidade de apresentar seu trabalho para novas pessoas.

Para fechar. O que vocês podem adiantar sobre essa edição de Sábado?

O evento este sendo planejado desde janeiro com muito carinho. O lineup conta com grandes nomes da cena nacional e também com novos talentos que estão se destacando ultimamente. Vários deles, inclusiv,e já se apresentaram nesses festivais maiores que estão acontecendo na cidade, como Renato Cohen, RHR e Barbara Boeing. Também teremos uma atração internacional que nunca se apresentou no Brasil que é o Shlomo. Legal lembrar também que a festa será numa locação querida por todos em São Paulo que é o Nos Trilhos. Todo mundo com certeza já teve uma noite incrível por lá e o espaço nos permite trabalhar a estrutura que pensamos para essa edição. Mas a grande novidade é o fato de que a ideia de festival começa a tomar uma forma mais concreta com a divisão de pistas por núcleo, e também aumentando o número de pistas. Promete ser daquelas…

+ informações aqui. 

A MÚSICA CONECTA.

 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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