Alataj entrevista Ben Rau

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Cada artista recebe um chamado diferente para se dedicar à música e construir sua carreira nessa indústria, mas um ponto em comum percebido em todos é a paixão pelas pistas. Ben Rau descobriu sua alma raver no final da adolescência, em Berlim, e desde então iniciou uma jornada de autodescobrimento no universo da música, tornando-se um frequentador assíduo de clubes e festivais em sua cidade natal.

Pouco depois de descobrir a música eletrônica, o alemão se mudou para a Inglaterra para estudar animação digital na cidade de Bournemouth e o contato com a cultura musical britânica só aumentou seu interesse pela cena underground. Alguns anos depois, Ben trocou o litoral britânico por Londres, onde começou a circular pelas principais festas e entendeu que as pistas já não eram mais suficientes, ele precisaria mudar para o lado dos decks.

Durante a temporada em Londres, Ben conheceu o label owner da Fuse, Enzo Siragura, gravadora que lançou seu primeiro EP. Enquanto o artista iniciava sua carreira musical na Inglaterra, a indústria em Berlim vivia um de seus momentos mais aquecidos, o que o levou de volta para sua terra natal para criar os selos Inkal e Meta, feito que marcou de vez seu nome na cena internacional. Nós o entrevistamos para conhecer mais de sua carreira e ele anunciou com exclusividade o lançamento do novo EP, Out There, pela Inkal que acontece no dia 6 de setembro. Mas enquanto ainda não chega, você pode conferir nosso papo com ele:

Alataj: Olá, Ben! É um prazer falar com você. De Berlim para Londres, de Londres para Berlim. Como foi esse início da sua carreira na música? Houve uma certa indecisão para saber o lugar certo para dar o pontapé inicial?

Ben Rau: Embora minha carreira musical tenha começado em Londres, eu já frequentava raves muito antes de me mudar para o Reino Unido. Eu não decidi sobre o lugar, aconteceu de ir para Londres. Eu quis fazer música e Londres estava agitada na época. No entanto, como eu comecei a produzir todos os dias, Berlim foi definitivamente a única escolha para mim. Os aluguéis de estúdio são acessíveis e Berlim tem invernos frios e escuros, por pior que isso pareça, é ótimo para ser produtivo em um aconchegante estúdio.

Agora já são quase 10 anos na estrada, não é mesmo? Você possui uma estética sonora mais próxima do house minimalista, mas com bastante inserção de pista, explorando muito bem as linhas de baixo. Este é o seu ambiente ou você prefere não defini-lo?

Para mim, é tudo house music. Eu não gosto desses rótulos, pois eles são muito redutivos. Também toco uma grande variedade, do vocal ao disco, para o tech house e por aí vai. Os discos que me tornaram conhecido têm uma certa estética do minimal, mas são muito interessantes. Isso é o mais importante para mim.

E quais artistas mais influenciaram você nesse sentido? Existe algum atualmente que o incentiva a ir além dos seus limites?

Minhas influências atuais estão mais no big room. Floorpan é uma grande influência. O início do filter house francês também, assim como o início do tech house no Reino Unido continua me influenciando. Um dos meus produtores favoritos no momento é Jansons, na verdade, estamos colaborando no momento e lançaremos um EP em breve. Sua produção no estúdio é next level, então adoro trabalhar com ele.

Falando um pouco mais do lado business… Hoje vemos muitos artistas criando gravadoras para lançarem seus trabalhos. Qualquer um realmente pode criar um selo? Como você enxerga este movimento?

Eu acho que ter sua própria gravadora é empoderamento, mas ao mesmo tempo, poucas têm sucesso a longo prazo. Assinar suas músicas não é fácil, então ter a sua própria gravadora pode fazer a diferença na hora de lançar, mas somente se as músicas forem boas, caso contrário, você irá falhar.

No seu caso, você decidiu dar vida a duas: Inkal e Meta. Profissionalmente e pessoalmente, o que de mais importante gerenciar os selos agregou a Ben Rau?

Acrescentou um monte de trabalho [risos]. As gravadoras são minha paixão, adoro assinar novas músicas e tocar todas elas. Conheço todos os meus artistas pessoalmente como amigos, então elas me trouxeram network. Além do mais, uma gravadora bem sucedida torna você mais poderoso enquanto artista. Eu não conheço ninguém que seja bem sucedido e não tenha uma gravadora.

Os trabalhos disponibilizados antes apenas em vinil agora ganharão versões digitais. Podemos dizer que essa mudança ocorreu principalmente por sua vontade de compartilhar música com mais pessoas pelo mundo? Quais outros fatores influenciaram essa decisão?

Vinil é um ótimo formato, mas muito elitista e limitado em seu alcance. Como você disse, alcançar mais pessoas é muito importante para mim, pois quero que minhas gravadoras cresçam e prosperem. Estou animado que todas as minhas músicas estão disponíveis agora no formato digital.

Para finalizar: a indústria eletrônica certamente é um campo repleto de desafios, principalmente pela evolução do cenário nos últimos anos. Quais foram os principais aprendizados/lições que você tirou?

Você precisa continuar evoluindo porque as coisas mudam rapidamente. Streaming não era nada há poucos anos, agora pode fazer carreiras. Facebook está quase morto e o Instagram é rei. A tecnologia evolui rapidamente, por isso, se você não prestar atenção, ficará para trás. Particularmente gosto dos desafios porque a mudança também significa oportunidade.

A música conecta


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