Alataj entrevista Carly Foxx

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Carly Foxx é uma DJ e produtora australiana atualmente vivendo em Londres. Sua música é o resultado de experiências pessoais com referências que ela faz questão de deixar bem à mostra enquanto discoteca e produz – é justamente ao incorporar o house, acid e disco com pitadas de Detroit que ela tem conquistado seu lugar ao sol na disputada cena londrina.

Em 2015, Carly lançou seu debut EP, Let Me Be Yours pela Danse Club Records – com direito a um remix do lendário DJ T. Dois anos mais tarde, em 2017, veio seu próprio selo: com a Love Story Recordings, ela ganhou um lugar para chamar de seu e muito mais liberdade no desenvolvimento de seu trabalho – além da possibilidade de apostar em jovens talentos.

Esse senso de integração é um dos destaques da carreira de Carly e dita o ritmo de sua nova iniciativa. A Level Up é uma noite dedicada a apoiar a carreira de mulheres ligadas a música eletrônica. O evento acontece hoje (28.06) em Londres e irá apresentar palestras, workshops e debates com nomes conhecidos da indústria, tudo isso no lendário Fabric. No embalo da noite, Carly conversou com exclusividade com a nossa equipe:

Alataj: Olá, Carly! Tudo bem? É certo que um DJ/produtor deseja transmitir diferentes emoções através de sua música. No seu caso, quais são os sentimentos que você tem levado para a pista recentemente?

Carly Foxx: Para ser sincera, houve uma ou duas músicas que eu produzi e realmente significaram algo para mim, que foram feitas com emoção de verdade. Foi um disco que saiu há alguns anos chamado Burns Like e um EP chamado From Casablanca With Love. Você pode perceber quando os ouve. Hoje em dia, quando faço música para a pista, não é sempre emocionante para mim. Apenas tento criar uma certa energia ou algo que possa funcionar em um determinado momento ou lugar.

Jennifer Wallis me contou sobre o Level Up e eu fiquei realmente feliz com a iniciativa. Como exatamente surgiu a ideia? Quais melhorias você e suas convidadas querem projetar para a futura geração de profissionais da música?

Parece que Londres se aproximou de mim, já que estou trabalhando em um evento em nome do prefeito da cidade, que visa apoiar a cena musical de Londres. Esse ano o tema passou a ser mulheres na música. Então, junto com a Judy e Kirsti da fabric, surgiu a ideia para o evento. Todos os envolvidos estão doando seu tempo e experiência de graça, o que é incrível e maravilhosamente generoso. Acho que daqui pra frente, eu, particularmente, gostaria de ver muito mais transparência e inclusão dentro da indústria da música e muito mais oportunidades de oficinas gratuitas de música e indústria disponíveis para pessoas mais jovens que vêm de um background menos favorecido. As diferenças salariais entre homens e mulheres também é um ponto a se resolver.

Sobre seu trabalho com a Love Story Recordings: ter seu próprio selo modificou a forma como você enxerga o mercado enquanto business?

Eu não chamaria minha gravadora de business ainda, porque a) não comecei para ganhar dinheiro algum e b) não gera dinheiro. Muito pelo contrário, na verdade: consome tudo. Existem algumas razões pelas quais eu comecei a minha gravadora, uma delas é que eu não conseguia encontrar nenhuma gravadora decente que estivesse interessada em lançar minhas músicas, então decidi fazer isso sozinha, sob os meus termos e o meu controle. Me interessei em lançar músicas de outras pessoas depois de receber ou tropeçar em alguma música eletrônica de artistas talentosos. A única forma que muitas gravadoras menores da dance music conseguem ganhar dinheiro é através de eventos, etc. Não acho que alguém começa uma gravadora porque quer ganhar dinheiro, mas se acontecer de você fazer alguns trocados ao longo do caminho, dias felizes!

Sabemos que seu próximo lançamento pela Love Story será Body Ache, EP que está sendo projetado com remixes importantes. Como tem sido desenvolver esse trabalho? O que você poderia nos contar sobre o processo criativo?

Tem sido muito bom! Um processo muito orgânico. Eu tinha a faixa original e consegui Manik a bordo para remixá-la, como ele remixou meu primeiro lançamento no selo, Call My Name, e eu simplesmente amei o que ele fez. Depois enviei algumas das minhas músicas para Parris Mitchell pelo Facebook e ele respondeu dizendo que fuçou minhas coisas, o que foi legal de ouvir. Eu o conheci pessoalmente quando ele estava tocando em uma festa da DBE (boas energias nessas festas por sinal) em Londres e depois disso perguntei se ele poderia remixar Body Ache. Paradiso Rhythm, em seguida, se aproximou de mim para ver se poderia fazer um remix para a gravadora, e eu gosto das suas produções, então fiquei feliz por ele fazer parte disso também. Também aprecio muito do design, criado por um cara do Reino Unido que dirige a Pointless Illustrations.

Na sua visão, o que falta para as mulheres ocuparem o mesmo espaço em relação aos homens no mercado? Você já sofreu algum tipo de preconceito por ser mulher num cenário predominantemente masculino?

Não, eu diria que não sofri preconceito, nem tive experiências particularmente ruins. Em minha opinião, a maioria dos caras (normais) acha que é ótimo ter DJs/produtoras ou qualquer outra coisa, mas há duas questões principais ao meu ver. Uma delas é que existe um grande talento feminino por aí, embora em menor quantidade e um pouco mais difícil de encontrar talvez, mas está aí, e acho que os bookers/promoters etc. precisam tirar um tempo para encontrar, estimular e também contratar essas mulheres para ajudar a restaurar um pouco do equilíbrio.

A outra questão que noto é a criação de uma indústria ou uma cena em que as mulheres se sintam confortáveis e apoiadas, e com outras mulheres que elas possam admirar, em vez de ser um clube de homens. Eu sei, às vezes trabalhando em um lugar tradicionalmente masculino, me sinto particularmente muito intimidada e insegura, acho extremamente benéfico ter outras mulheres trabalhando juntas.

Olhando um pouco mais para o seu lado pessoal, nós gostaríamos de saber quais foram suas primeiras influências dentro da música e não necessariamente na dance music. Sua famíla exerceu algum tipo de influência ou apoio para que você seguisse a carreira de DJ?

Sim, definitivamente. Você vê muitas vezes que a maioria das paixões e interesses dentro de uma pessoa são desencadeados a partir de sua infância e seus próprios pais/familiares. Minha mãe ama música e eu cresci escutando música o tempo inteiro. Ela aprendeu bateria e percussão, então tínhamos uma casa cheia de batidas, música e aquilo. Quando eu era adolescente, pedi para aprender a tocar violão e aprendi a cantar principalmente jazz. Mas eu cresci em uma dieta de rock n’ roll. Minha primeira experiência real de música eletrônica foi quando Moby lançou “Play”, eu tinha 10 anos e lembro claramente.

Para encerrar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Sensações, memórias e momentos incríveis.

A MÚSICA CONECTA. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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