O tech house é um estilo com grande aceitação nas pistas brasileiras. Dentro da vertente, uma das escolas mais fortes é a espanhola, caracterizada por faixas com altas doses de groove e baterias bem trabalhadas. Alguns dos principais artistas, labels e agências da atualidade possuem residência por lá. A Cumac Bookings, por exemplo, é referência para o mercado espanhol e europeu de tech house e seu casting conta com artistas do calibre de Wade, Miguel Bastida e Fernando Mesa. A nova empreitada da agência de Galiza, é uma filial em terras brasileiras, com objetivo de alavancar tour e claro, DJs e produtores brasileiros do estilo. Conversamos com Oscar Fernandez, mente forte por trás da agência, que nos falou um pouco mais a respeito dos planos da Cumac para o Brasil. A música conecta as pessoas!

1 – Olá, Oscar! Tudo bem? A Cumac é uma agência focada em management e bookings a nível internacional, certo? Fale um pouco sobre as principais filosofias de trabalho da marca.

Olá! sim, por aqui tudo bem! Agora neste exato momento estou de viagem com um artista da Cumac num tour na América Central e respondendo as perguntas a mais de 10.000 metros de altitude, num voo nacional do México, rumo a Playa del Carmen.

Referente à filosofia de trabalho da Cumac depende muito do artista, pois não temos uma filosofia de trabalho geral, que seja válido para todos os artistas. Sempre pensamos que cada artista, necessita um cuidado individual e pessoal, talvez seja ai que mora a melhor filosofia da Cumac, em um trabalho pessoal, diferenciado até onde o artista mais necessita, sempre com base na humildade, tanto do artista como do manager.

2 – Notamos que é uma característica comum dos artistas da Cumac, um número consistente de lançamentos por selos importantes. Na visão de vocês, qual a importância dos produtores manterem uma regularidade de lançamentos considerável para o mercado atualmente?

O mercado da música eletrônica está em constante evolução e como em qualquer setor de trabalho, se tu se considera uma pessoa com ambição, sempre vais querer ser competitivo e estar ativo, mas não temos uma regra exata de números de lançamento de um artista em um ano, já que os artistas possuem diferentes momentos que devem ser estudados, e onde devemos tomar decisões (sempre junto ao artista, em quais labels lançar, como lançar, como buscar remixes, como fazer um crescimento anual em labels e conseguir ter artistas com melhores vendas nos portais digitais de música eletrônica). A única regra é que se nos continuamos não editamos a música, só por ter que editar, ou estar com pressa para colocar a música no mercado. Para a nossa equipe é muito importante estar atento que todos os lançamentos dos nossos artistas sejam de excelente qualidade. Para isso, temos tem um departamento de apoio com os artistas, para assessorar todo tipo de decisões desde o momento em que a track é finalizada para posteriormente enviar a label adequada.

Acreditamos sim, que um movimento errado constante, colaborações equivocadas em original mix ou más decisões em futuros lançamentos com labels, afetam muito o rendimento anual do artista.

3 – Miguel Bastida e Wade são talvez os artistas mais conhecidos da Cumac aqui no Brasil. Ambos estiveram por aqui recentemente. Fale um pouco sobre o trabalho que tem sido desenvolvido pela agência junto a carreira de cada um deles.

Com Miguel e Wade, a relação entre manager e artista sempre foi muito transparente. Momentos bons e ruins já passaram, mas sempre juntos pra vivê-los e trabalhar mais duro dia pós dia. Somos grandes amigos antes de tudo, depois artistas. Mas eu acredito que o mais importante que nos unem e motiva para seguir crescendo é a confiança. Referente ao trabalho, as estatísticas como produtores são brutais, ambos estão com frequência em posições de top10 no chart do Beatport de tech house.

4 – O foco principal da agência são artistas de tech house, certo? Há uma preocupação em manter a curadoria dentro dessa vertente ou nada os impede de trabalhar com artistas de outros segmentos?

Na hora de buscarmos artistas de tech house ou techno, o estilo não nos importa. Nos importa mais a criatividade, talento e humildade que esse produtor tem.

5 – Como você enxerga o mercado brasileiro de música eletrônica atualmente?

Gosto muito!!! Esse ano abrimos o primeiro escritório da Cumac no Brasil, com managers do vosso país, pois sempre foi um mercado muito interessante para nós, com um crescimento muito importante. Durante este primeiro ano de trabalho no Brasil, temos nos dado conta que a economia no país está delicada no momento, onde clubes muito importantes, estão passando por problemas financeiros. Por eles, estamos sendo muito conscientes com esses problemas. Tentamos sempre chegar a acordos que sejam favoráveis para ambos lados, nesse momento difícil. Para nós, os clubs são muito importantes, pois dão equilibro a cena eletrônica durante o ano. Se não cuidamos e valorizamos os donos de clubs e promoters de eventos, estaremos com sérios problemas.

Também, desde que começamos no Brasil, estamos querendo fazer o management do artista brasileiro, nessa opção estamos trabalhando com Fancy Inc, uma dupla de artistas, onde o talento e a qualidade de produção, estavam dentro do que buscamos para artistas da Cumac Worldwide. Com o pouco tempo que temos trabalhando juntos, já tem confirmações de datas no Japão, Tailândia, Europa, América Central e do Sul.

6 – Em Abril, 5 pessoas perderam a vida durante a Time Warp em Buenos Aires. Acredito que seja importante um posicionamento dos profissionais de música eletrônica a respeito do assunto. Qual a sua visão e opinião sobre o ocorrido?

Foi terrível!! Sempre que há mortes, é uma péssima notícia.

Acho que medidas de segurança devem ser tomadas em eventos de grande porte: melhor controle de ar condicionado, informação sobre os efeitos das drogas, análises das drogas.

O que me dá muita pena, é que sempre que ocorrem essas más notícias, todos os governos, ou as pessoas no geral, já estão culpando a música eletrônica por estas mortes, sejam elas por consumo de droga ou por qualquer outro motivo. Escusa das drogas: acho ridícula, pois em qualquer elas são encontradas e por mais que te proíbam de fazer algo, o consumo de drogas tem a ver com a informação e educação que cada pessoa possui.Má organização dos promoters: acho justo que sejam feitas medidas de segurança, mas também, desconheço 100% os motivos reais dos problemas relacionado às mortes das 5 pessoas na Argentina.

Repito, a morte de pessoas jovens, sejam em eventos de música eletrônica ou qualquer outro tipo de música, ou ato, são péssimas notícias. Deixo aqui, minhas condolências aos amigos e familiares dos falecidos.

7 – Já estamos quase ultrapassando a barreira de 1 terça de 2016, mas ainda há muita coisa pra acontecer. Em relação aos artistas da Cumac, o que você pode antecipar pra gente em relação a novidades?

Os próximos meses dos artistas da Cumac tem confirmações de grandes lançamentos em importantes labels, tours em diferentes continentes e datas importantes. Aconselho a seguir as redes sociais da agência para estar por dentro de qualquer notícia: cumacbookings.com e facebook.com/cumacbookings.

8 – Para encerrar, uma pergunta pessoal. O que a música eletrônica representa em sua vida?

Tudo!