Na semana passada, Dado Prisco embarcou para mais uma tour na Europa. A programação da viagem é de se tirar o chapeu. Entre gigs, entrevistas, gravação de podcasts para importantes canais e jantares de negócio, ele arrumou um tempo para se dedicar ao estúdio por lá também. Dado irá se reunir com alguns artistas para atividades que incluem a gravação de vocais que devem embalar as próximas músicas do produtor. Nós aproveitamos o gancho e entrevistamos o produtor catarinense, para descobrir um pouco mais sobre sua carreira e as curiosidades que marcam sua profissão. Então, se liga aí.

1 – Você está na Europa, para mais uma tour ai no velho continente. No teu ponto de vista, quais fatores mais diferem o mercado brasileiro do europeu?

Para mim a maior diferença é com certeza a “seriedade” do som daqui, é um som muito mais “warehouse”, mais noite, obscuro, mesmo sendo verão. É um som mais cru, que pra mim é a essência do House e todas as suas vertentes. Também tem uma grande diferença nas novas tendências, porque tudo acontece aqui um pouco antes, as vezes até bastante tempo antes, do que no Brasil. Então viajando duas ou mais vezes por ano pra ca é sempre bom porque sempre volto com uma cabeça diferente e cada vez desenvolvo mais minha linha de som.

2 – Nessa sua tour na Europa, quais atividades você destacaria?

Nessa tour estou focando bastante em mixes e entrevistas para radios do Reino Unido, de Londres á Glasgow, algumas são radios grandes como a Kiss Fm London, então isso pra mim é com certeza um marco muito importante porque tenho a chance de tocar minhas próprias tracks em shows que tem mais de 5 milhões de ouvintes. Também vou gravar cantores para tracks minhas que ainda saem esse ano, com que eu conectei pela internet, então é muito legal conhecer eles pessoalmente e ir a um studio que nunca fui antes e trabalhar em colaboração coma artistas daqui, sempre aprendo coisas novas e renovo bastante o que venho fazendo.

3 – Tudo indica que o Deep House será o novo mainstream, como você enxerga esse movimento natural da cena e o que vai separar o chamado deep “underground” do “comercial”?

Para mim o “Deep House” sempre existiu, a mais de 30 anos existe no mundo inteiro, sempre teve quem gostasse, só não era tão notado como esta sendo agora. Acho que com a saturação do chamado “EDM”, que não concordo com o nome, porque pra mim Electronic Dance Music engloba todos os gêneros, o publico teve que buscar um som novo por ter cansado de um som tão agressivo, e ai veio o som mais tranquilo, BPM mais baixo que muitos chama de Deep mesmo muitas vezes não sendo. Mas eu acho uma coisa ótima ter ficado mais conhecido e aparecer mais na radio, porque é uma grande entrada para pessoas que jamais ouviriam esse tipo de som, ninguém começa a curtir som “Underground” de um dia pro outro, não vai ser Maceo Plex o seu primeiro artista preferido. Mas minhas próprias tracks, algumas podem ser consideradas Deep Comercial, porque acho importante facilitar, sem perder minha essência, para que as possas possam conhecer meu som, e a partir dai gostar de algo mais elaborado e que exige um “gosto pelo estilo” bem maior para que gostem desse tipo de musica, então eu acho que os dois vão sempre caminhar juntos, e acho uma coisa muito boa o deep vir a tona como esta vindo!

4 – Você tem lançamentos recentes por labels de expressão, como a Loulou Records, por exemplo. Na sua opinião, o trabalho dos selos ainda é muito importante para a promoção dos artistas ou com o poder das redes sociais essa questão se perdeu um pouco?

Acho que na verdade ficou mais importante ainda, porque hoje em dia com R$ 100,00 num anuncio de facebook qualquer um consegue 300 likes em uma track ou em um post. Até mesmo a compra de likes e plays hoje em dia virou banal, muitos fazem, o mercado meio que força quem não esta pensando no longo termo a fazer isso para poder fazer parte da cena, o que eu não concordo, mas também não julgo porque isso não cabe a mim. Mas sempre procuro lançar minhas musicas em bons labels, que eu definiria como labels que lançam somente tracks legais e que se importam com os artistas, as vezes não é o maior label que vai fazer o melhor trabalho e nem alcançar o melhor resultado, então tem que cuidar bastante com cada lançamento. Mas de qualquer forma tive muita sorte de mesmo estando apenas a pouco mais de um ano lançando tracks ter gravadoras como a Bunny Tiger e LouLou Records lançando minhas tracks, isso motiva muito a continuar o trabalho!

5 – Por fim, uma pergunta curiosa. Se você pudesse fazer uma track em collab, qual produtor escolheria? E com qual DJ você sonha dividir a cabine?

Para uma colaboração vou ter que expandir em duas respostas, porque um produtor que curto muito e um cantor também. Para produzir uma track juntos com certeza seria Nic Fanciulli, admiro muito o trabalho e a perfeição e detalhes nas tracks, então com certeza seria com ele. E outra collab dos sonhos seria ter um vocal do Fritz Kalkbrenner, que pra mim é um dos melhores vocalistas que já ouvi, e tem uma facilidade de fazer letras sobre coisas banais mas que refletem muito no dia a dia te todo mundo e acabam ficando na cabeça. E dividir a cabine com certeza seria com o mestre Maceo Plex, sem a menor duvida, porque ja vi muitos videos dele tocando e os mixes são longos e incríveis, é basicamente produzindo ao vivo. Tenho uma historia engraçada que de tanto ver o boiler room dele em Berlin, eu botava tocando no computador do meu studio e ligava meus cdjs, e fixava de volta com o youtube haha de tanto que queria estar lá tocando também!

Soundcloud / Facebook

Datas: Hypno Artist Agency (paulosilveira@hypno.com.br)