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Reconhecido no Brasil e no exterior, Davis celebra grande fase de sua carreira com excelentes novidades

Se existisse uma seleção da música eletrônica brasileira, certamente Davis seria o camisa 10 da mais recente convocação. O DJ e produtor paulistano vive um ano de sucessivas conquistas expressivas. Razões para isso não faltam: sua festa ODD tem se tornado cada vez mais referência no cenário independente de São Paulo. Além disso, Davis e sua equipe foram os responsáveis por apresentar a primeira edição do DGTL em solo nacional. No campo artístico, uma sequência imponente de lançamentos e uma tour com datas muito importantes na Europa se aproxima.

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No último dia 7, Davis se tornou um dos primeiros brasileiros a lançar pelo aclamado selo de Frankfurt, Live At Robert Johnson. Perle é um EP denso e composto por atmosferas bem trabalhadas que refletem a atual preocupação do artista brasileiro em entregar algo de ponta para o circuíto internacional. Simultaneamente, foi aberta a pre-order de Limba, EP produzido em parceria com Zopelar que será lançado pela Connaisseur Recordings. E não para por aí…

Como DJ, Davis levará seu talento para o velho continente ao passar por 6 pistas diferentes. Entre elas a do DGTL Barcelona, Panorama Bar, Melt Festival e Robert Johnson. Sem dúvida alguma, estamos falando de um dos nomes mais consistentes da atualidade, um artista que teve potencial para ser reinventar após deixar duas residências importantes a nível nacional e partir para criar seus próprios projetos, baseado em seus ideais. Já em solo europeu, Davis respondeu algumas perguntas para o Alataj. Confira:

Alataj: Olá, Davis! Tudo bem? Você será o primeiro brasileiro a lançar um EP de originais dentro do consagrado selo Live at Robert Johnson. O que isso representa para a sua caminhada enquanto artista? Podemos dizer que é a realização de um dos seus maiores sonhos?

Davis: Para mim representa o reconhecimento da evolução do meu trabalho de anos. E, com certeza, uma grande realização, algo realmente especial. Ainda comemoro esta conquista, isto porque, acompanho há muitos anos o trabalho que rola em Frankfurt (e seus arredores). Desde o selo Playhouse, passando pelo LARJ e chegando no Die Orakel, muito da música que ali se prolifera está presente na minha pesquisa, na minha formação artística.

É interessante analisar como você tem adotado uma postura versátil, mas ainda assim com muita identidade no que diz respeito aos seus DJ sets. Atualmente, como tem funcionado sua preparação para as gigs? Você tem priorizado a compra por discos ou o digital é o formato de mídia mais usado durante as suas apresentações?

Atualmente minha preparação acontece organicamente na correria do dia-a-dia. Durante a semana recebo material de outros artistas, selos e amigos e o separo para uma última audição no final de semana. Prefiro me organizar mais perto das gigs do final de semana, na maioria das vezes durante os vôos ou deslocamentos. Sobre comprar música, eu poucas vezes compro música digital e muitas raras as vezes que compro discos de vinil – alias, por coincidência, acabei de voltar da Phonica Records e comprei alguns discos hoje para tocar durante minha temporada na Europa.

Falando em discos, é impossível não citar o trabalho com a In Their Feelings. Desde que você começou o trabalho com o selo, você se enxerga como um novo artista? Qual o grande objetivo que você e Zopelar possuem com o selo?

Sim, desde que iniciamos o selo, a minha visão sobre o mercado de música (distribuição física ou digital, prensagem, direitos autorais, etc) se aprimorou e ajudou muito a melhor relação com a música sob o ponto de vista empresarial – ajudou muito a melhorar minha relação com outros selos, pois passei a entender como funciona para muitos outros que administram um selo.

No In Their Feelings, sempre conversamos muito sobre como executar ações fora da caixa, não só sobre a música, mas sobre as artes das capas, distribuição de promos, como proporcionar melhor suporte ao artista, enfim, não queremos seguir qualquer formula para o selo, estamos abertos a experimentar caminhos.

A ODD tem ajudado a transformar a cena de São Paulo nos últimos anos, mas como todo evento independente, sofre com algumas questões burocráticas. Quais tem sido as principais dificuldades que vocês tem encontrado na produção da festa? O que o público pode esperar em termos de evolução da ODD para o futuro?

O maior desafio é manter a oferta de uma experiência única, onde as artes (som e visuais) estejam totalmente interligadas e harmonizadas. E, tão importante quanto as artes, é a manutenção do respeito as liberdades individuais. Deixar qualquer forma de discriminação ou violência fora do nosso ambiente.

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Esse mês você terá uma sequência importante de gigs na Europa, incluindo datas no DGTL Barcelona, Panorama Bar e Robert Johnson. Essa tour representa o momento mais importante da sua carreira? Fale um pouco sobre a expectativa para essa caminhada em solo europeu.

Sim, é um momento muito importante da minha carreira. Serão aproximadamente 7 semanas de viagem, onde minha expectativa é realizar boas apresentações, conseguir gravar alguma colaboração e, claro, ter bons momentos com meus amigos.

São Paulo vive um momento de grande efervescência cultural, com mais pessoas se interessando em consumir arte de maneira mais profunda e verdadeira. O que falta para a cidade ser reconhecida como referência artística para outras metrópoles?

Acredito que ainda falta a cidade ser mais acolhedora para as artes e artistas em geral. Na minha visão, dentro muitas coisas que podem ser feitas, neste momento prefiro mencionar que ainda faltam palcos, galerias, museus, residências artísticas, enfim, espaços para que a população possa ter acesso e convívio com estes artistas. Sugiro mais acesso à cultura para população, e digo isso para toda a cidade e não apenas esse eixo central das artes que São Paulo criou.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. Nós enxergamos a música como uma forma de conexão entre as pessoas. E para você, qual a razão da existência dela na vida humana?

Posso dizer que, além de ser uma forma de conexão entre pessoas, a música literalmente salvou minha vida. Bem, foi depois de uma grande perda na minha vida, uma daquelas quedas que eu não sabia se eu poderia recomeçar, a música se tornou meu apoio naquele momento de incertezas. Coloquei ela em primeiro plano na minha vida e até hoje é assim que funciona. Música é minha vida, é por meio dela que me conecto com a maioria das pessoas, é que me motiva, é uma grande fonte de alegria.

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A música conecta as pessoas! 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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