Alataj entrevista DJ Dolores

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Helder Aragão, mais conhecido como DJ Dolores, é DJ, produtor, compositor, designer e escritor nascido no Sergipe, mas com alma musical pernambucana. Envolvido com os maiores personagens do movimento popular nomeado manguebeat desde a sua chegada em Recife, Helder adotou seu codinome artístico no final dos anos 80, iniciando uma carreira nacional e internacional que completa seus 30 anos de trajetória.

A comemoração veio em forma de música com o projeto Recife.19, que toma como base a cidade que batiza o álbum e reúne um grande time de musicistas, intérpretes e parceiros numa compilação de canções sem gênero pré-definido e de conteúdo reflexivo, que viajam através da história na busca da compreensão do atual momento histórico que estamos vivendo.

Mente criativa inesgotável, tanto na música quanto na escrita e trabalhos visuais, Helder Aragão respondeu algumas perguntas para o Alataj sobre o novo álbum, suas influências e também experiências ao longo das últimas três décadas. Confira a seguir:

Alataj: Olá, Helder! Tudo bem? Obrigado por nos atender. Sua jornada na música parece estar constante ligada a possibilidade de reinventar padrões e movimentos. Quais são as os principais desafios em torno dessa missão?

DJ Dolores: Oi, eu agradeço pelo interesse em meu trabalho. O que você fala sobre reinvenção de padrões e movimentos é, basicamente, o que me estimula desde sempre e é uma atitude de DJ, de curador, de quem gosta de mixar coisas. A grande dificuldade é não conseguir se encaixar em rótulos, o que pode tornar complicado para vender o trabalho. Não falo no sentido da compra através do dinheiro mas da contextualização que é importante para que o público entenda o que está ouvindo. Acho que costumo fazer coisas meio desnorteantes.

Recife 19 traz 11 faixas originais e inéditas em sua composição. Qual a mensagem principal por trás deste trabalho? O que ele representa em termos de evolução artística pra você?

Acho que o álbum é feito de reflexões pessoais sobre o momento histórico em que vivemos. Não sei se há uma mensagem, talvez no futuro eu perceba que há um fio condutor mas agora não consigo enxergá-lo. Em termos de evolução é o meu trabalho onde acumulei mais funções, da gravação até a mixagem e isso demonstra um know-how adquirido com o tempo e o exercício da profissão.

Há cerca de 8 anos você lançava A Dança da Moda, uma espécie de tributo a Luiz Gonzaga. Qual importância que a música regional e folclórica brasileira possui na sua formação enquanto artista? Gonzaga é uma inspiração em especial?

Em Dança da Moda eu só usei o título de uma música de Luiz Gonzaga. A letra citava Yamamoto e havia algo de fashionista nela que passou batido porque todo mundo reparava apenas no uso da eletrônica num tema inspirado pelo baião. Eu não gosto do termo regional porque é usado pelo sudeste para coisas que não são do sudeste. Do meu ponto de vista, regional são os Racionais! Cresci ouvindo música de terreiro e os hits de rádio, as duas coisas se completavam assim como entendo que Gonzaga é meu Elvis. Sim, uma grande inspiração no sentido de ter uma grande percepção sobre o sentimento do povo nordestino.

O manguebeat é um movimento histórico para cultura musical brasileiro. Como um profissional que ajudou a difundir esta cena em diferentes aspectos, qual sua interpretação em torno de presente, passado e futuro do estilo?

Acho que os ecos do manguebeat ainda soam por aí. Sua natureza é anticolonialista, mas não xenófoba. Talvez a gente precise mais disso em nossas vidas e na cultura de modo geral.

Paralelamente a música você também assina alguns trabalhos ligados ao design. Como exatamente um movimento criativo impulsiona o outro neste caso?

Certamente minha experiência com audiovisual influenciou mais meu jeito de produzir do que a experiência como designer. Penso cada faixa como um curta, com atores, roteiro, cenário, etc.. mas, principalmente, domínio narrativo.

Sua música possui uma presença assertiva fora do país também, não é mesmo? Como tem sido levar essa mistura diferente para outros países? O que há de mais surpreendente nisso?

Acredito que o Brasil que eu levo ao exterior quebra um monte de estereótipos. Não só eu faço isso, claro. Outros grupos em outras searas fazem o mesmo e são bem sucedidos. Inspira-me muito a cultura das ruas, a eletrônica urgente e com sotaque que é feita nas periferias do Brasil. Estava há umas duas semanas tocando como DJ na China e, entre outras coisas, toquei brega funk – um estilo bem recifense – e foi um sucesso de pista.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

“Minha melhor amiga até o fim”, como diria o velho Jim.

 A música conecta.


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