Alataj entrevista DJ Heather

Representante feminina da cena house de Chicago, Heather Robinson é mais conhecida na cena como DJ Heather. Uma grande habilidade frente aos decks garantiu a ela a posição de destaque em uma cidade famosa por sua história musical, mas pouco atenta a artistas mulheres no âmbito da house music – ao menos internacionalmente, já que os principais medalhões do estilo são homens.

Na música eletrônica, um artista pode garantir seu lugar ao sol de diferentes formas, Heather escolheu um dos mais árduos: o repertório. Conhecida como uma das principais seletoras do país, ela já foi nomeada como uma das Top 50 artistas de Chicago, numa lista que ainda contava com nomes como Kanye West, Billy Corgan e Green Velvet. Mais do que isso, esse grande talento de Chicago possui algo raro: transmitir sentimentos e vivências pessoais por meio da música.

No próximo sábado, DJ Heather é uma das atrações do palco D-RRETE na primeira edição do D-EDGE Festival (leia entrevista com Renato Ratier sobre o evento aqui). Antes disso, falamos com ela sobre a cena de Chicago, profundidade na pesquisa musical, equilibro pessoal e muito mais. Confira:

Alataj: Olá, Heather! Tudo bem? É um grande prazer falar com você. Impossível começar essa entrevista de outra forma: como você enxerga o cenário histórico da dance music em Chicago e quão importante a cidade foi para o seu desenvolvimento?

DJ Heather: A cidade e sua influência são uma grande parte da história do house e de como eu cresci. As estações locais de rádio colocavam house music ao lado de r&b, soul, new wave, rock e hip hop. O som era inescapável.

Recentemente eu falei com Jamie 3:26 e ele me contou que, ao contrário do que muitos pensam, Chicago não possui uma cena clubber forte e jovem atualmente. O que você pode comentar sobre esse atual momento na cidade?

A cena aqui é o que você faz. Há festas e eventos que atendem a diferentes faixas etárias, eu acho que a introdução da house music em de uma forma tradicional já mudou muito. A porta de entrada pode ser mais comercial, mas eventualmente os fãs encontram o caminho. Semelhante a como raves funcionavam antigamente. Os jovens iam de lugar em lugar, palco em palco e acabavam encontrando algo com o qual se conectavam.

Seus sets não nos deixam mentir: uma pesquisa musical afiada é fundamental para colocar a pista em movimento. Sei que isso é quase um segredo, mas como você pesquisa seus sons? Há um processo para essa busca ou tudo flui de forma mais natural?

As pessoas enviam músicas, eu faço meus próprios edits e compro muitas coisas. Adquiri o hábito de literalmente ouvir faixas que não são apenas para a pista de dança. Encontro muito material desta forma.

Como é a sua relação com o público através das redes sociais? Você acha que, de certa forma, elas tem atrapalhado o desenvolvimento da cena em algum momento?

Eu tento não confiar muito nas mídias sociais. Postar apenas por postar nunca foi minha postura. Faço um esforço para interações o mais honestas possíveis. A presença da mídia se tornou mais importante do que a música para alguns.

Após duas décadas de pista, o que te tira o fôlego quando está discotecando? Qual foi a melhor pista que você já pegou na vida?

Depois de tocar por alguns anos o que realmente me faz feliz ainda é apenas um sistema de som sólido e a proximidade com o público. Nada supera a interação imediata. Alguns dos meus lugares favoritos para tocar incluem Smart Bar (Chicago), Fabric (Londres), Open Studios (Vancouver) e, claro, D-EDGE (São Paulo).

Inegavelmente a criatividade é uma das coisas mais importantes e indispensáveis dentro da música eletrônica. Como pessoa, você se considera criativo? Como você busca estimular a criatividade no dia-a-dia?

Me considero criativa e o que me mantém nesse modo é me expressar em mais do que apenas uma forma. Parece ajudar a me manter motivada.

Equilibrar uma agenda profissional junto a pessoal é uma tarefa ingrata e muito difícil. Como você busca fazer isso? De alguma maneira, você não sente que os dias, meses anos estão passando cada vez mais rápido?

Nunca sinto que não há horas suficientes no dia. Estou tentando melhorar a maneira como administro meu tempo, mas não tenho certeza se isso acontecerá.

Sobre sua próxima tour pelo Brasil: há algo que você tenha escutado sobre o D-EDGE recentemente? O que você sabe sobre a cena eletrônica brasileira?

Agora que o D-Edge expandiu com um label, sinto que a marca está se expandindo também. As pessoas se tornaram mais familiarizadas com o som sinônimo do club. Eu sempre apreciei o país e são pessoas que realmente tem conhecimento e estão dispostas a dar uma olhada em novos talentos.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Música é prazer.

A MÚSICA CONECTA.

Saiba mais sobre o D-EDGE Festival aqui. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n’ Lights Management.

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