Alataj entrevista Do Santos

A nova geração de produtores brasileiros teve o privilégio de se inspirar não somente em grandes nomes internacionais, mas também em uma leva de artistas que já vinha entregando um bom trabalho e elevando o nível da cena nacional. Dentro desse panorama, vale destacar o trabalho do gaúcho Do Santos, DJ e produtor que pode usar a palavra consistência para descrever seu trabalho nos últimos anos.

Seja discotecando nos principais clubs e festas do país ou ainda lançando pela Santos Music e por gravadoras renomadas da comunidade global como DFTD, Stereo Productions, Warung Records, Material e Toolroom, Do Santos sempre manteve um ótimo nível de entrega e isso é a chave para o desenrolar de sua carreira até aqui. Nos últimos meses ele deu início a uma importante parceria com a gravadora curitibana Laguna Records e nesse fim de semana tal relacionamento se renova com um showcase do selo no Bora Bora em Bombinhas, Santa Catarina – saiba mais informações aqui.

Paralelamente a expectativa pela gig de sábado, há também a espera pelo lançamento do single Tribo, marcado para o dia 19 de Fevereiro pela Santos Music. A faixa marca um novo momento na produção musical do brasileiro, que agora passa a explorar um som mais progressivo e percussivo. Aproveitamos o momento oportuno para uma nova entrevista com Do Santos, que gentilmente cedeu a premiere exclusiva de seu novo release. Confira abaixo:

Alataj: Oi, Do Santos! Tudo bem? Obrigado por falar conosco! Sua relação com a cena eletrônica nacional é algo que vem de longa data. Desde sua entrada para este mercado até o presente momento, quais foram os principais ensinamentos que você adquiriu?

Do Santos: Olá, pessoal! Tudo ótimo, muito obrigado eu por estar me recebendo aqui no portal! Durante a minha carreira existiram diversas fases e momentos, mas sempre precisei estar em constante evolução, fazendo parcerias e trabalhando ao lado das pessoas corretas para que tudo fluísse legal.

Acredito também ter aprendido e conhecido muitas coisas durante as viagens, sempre é legal sair da zona que você está para assim ter novas e diferentes experiências com culturas diferentes que sempre acabam abrindo sua cabeça!

Parte de seus principais lançamentos foram trabalhados por labels que você mesmo gerencia. É possível dizer que gerenciar gravadoras mudou a forma que você enxerga a música enquanto business?

My Bassline Friend foi uma das faixas que lancei pela Santos Music em 2013 que deu muito certo! Tocou 2 vezes na BBC Radio 1 pelo Pete Tong, além de ter conseguido suporte de nomes como Stefano Noferini, David Squilacce, Franky Rizardo, Chus & Ceballos e ter sido tocada em um b2b irado entre o Joseph Capriatti e o Stacey Pullen! Na época ela ficou quase 3 semanas no top 1 Beatport do gênero de tech house.

Com relação ao gerenciamento de gravadoras: Sim, com certeza! Quando se tem uma
gravadora você passa a ter uma noção melhor mercado, criando um networking mais extenso a partir dos seus lançamentos e isso te faz compreender melhor como funciona tudo por trás de um grande lançamento. Como por exemplo obter uma boa atenção nos sistemas de envio de promos, nas masters de cada track e no movimento do mercado.

Nos últimos meses você tem desenvolvido um trabalho bem próximo a Laguna Records, tanto na parte de releases, quanto nos eventos. Como tem sido essa parceria partindo do seu ponto de vista?

A parceria se iniciou há alguns anos, quando fui tocar numa festa da Laguna em Curitiba e conheci o Rafa e toda crew. Desde então os nossos trabalhos foram se aproximando até a minha entrada para QG Agency e um remix para Laguna Records numa faixa do Gianfranco Troccoli em parceria com o Lio Mass ano passado!

O trabalho ao lado do selo tem sido muito legal, com apresentações em locais como Curitiba, Ponta Grossa, Bombinhas e algumas outras que estão por vir, tanto na gravadora quanto em novas festas! É sempre gratificante apoiar novos projetos. Ver o sucesso que a label tem conquistado só me mostra que essa parceria ainda vai longe.

Ainda em fevereiro você terá alguns lançamentos importantes ganhando a luz do dia, certo? O que você pode nos contar sobre o single que sairá pela Go Deeva e o novo release da Santos Music?

Tanto o EP da Go Deeva quanto meu próximo lançamento pela Santos são singles! Acredito que dessa forma a música fique mais em evidência. Meu relacionamento com a Go Deeva e o Simone Vitullo já é de longa data, essa é uma label que eu gosto muito! Já o single da Santos mostra um pouco dessa nova linha sonora que eu tenho tentado trabalhar nas minhas últimas produções, que tem vindo mais sérias, progressivas e percussivas. Espero que gostem!

Em março você volta a tocar no México, país com o qual você mantém um relacionamento bem especial já há alguns anos, não é mesmo? Qual a sua expectativa para esse retorno?

Essa vai ser a terceira vez que eu estou indo pro México e é sempre muito gratificante ser chamado para tocar fora do Brasil! Isso me mostra que música não tem barreiras e me deixa muito feliz saber que o som que eu faço é aceito em lugares que eu nunca achei que pudesse chegar, isso só me deixa mais animado e com boas expectativas para a viagem!

A tour vai contar com 4 datas pelo país em 8 dias. Vou poder mostrar muitas tracks novas que estão pra sair e testar novidades que tenho escutando recentemente! México é sempre muito especial, porque além de um público super carinhoso é um pais que eu gosto muito pela cultura, pela parte mística e também pela culinária!

Você possui uma carreira fortemente ligada ao tech house, mas também se mostra muito talentoso produzindo outros gêneros ligados a pista. Como é possível criar uma identidade tão interessante flutuando entre diferentes estilos?

Em todas as músicas que eu produzo tenho um único objetivo, fazer a pista se mexer! Independente do gênero musical, sempre tento manter o groove e a energia da música para que as pessoas tenham vontade de dançar ao escutar minhas faixas. Acho que meu som está em constante mudança e evolução, meu gosto tem me levado para diferentes caminhos a medida que o tempo passa. A experiência obtida durante os anos em festas e festivais ao redor do mundo também abriram um grande leque musical de opções, me desafiando a experimentar e explorar novas atmosferas e possibilidades.

Nós enxergamos a música como uma forma de conexão entre as pessoas. Na sua opinião, qual o grande significado dela em nossas vidas?

A música é uma parte muito especial na nossa vida, seja para momentos de tristeza, melancolia, alegria, euforia ou até mesmo amor. Ela nos conecta através de sentimentos e sensações subjetivas, que apesar de serem diferentes em cada pessoa, toca todos do mesmo jeito. Para mim, a música é minha vida, presente em todas as horas, nas boas e más, desde a hora que acordo até a hora que eu durmo. Eu vivo da música e vivo com música, difícil eu me imaginar fazendo algo muito longe disso… eu simplesmente amo o que faço.

A música conecta.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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