Alataj entrevista Dusky

Oriundos de Londres, Alfie Granger-Howell e Nick Harriman são as cabeças pensantes por trás de Dusky, conceituado projeto de house que mescla o que há de mais tradicional na escola britânica com traços clássicos do estilo criado em Chicago e consagrado nas pistas do mundo inteiro. Desde 2011. Alfie e Nick vem estabelecendo o conceito musical do projeto que já permeou por traços de outros movimentos, como o techno de Detroit, ambient music e o jazz.

O sucesso constante nas paradas de sucesso do Beatport ajudaram a desenvolver ainda mais a música da dupla. Cold Heart, Square Miso, LF10 e Bowed são alguns dos principais sucessos do catálogo do duo, que também aparece remixando em alto nível Justin Martin, Andre Crom, Hot Chip e Above & Beyond. Outro ponto decisivo na jornada do Dusky é a 17 Steps, gravadora comandada pelos próprios que já lançou talentos como Tuff City Kids, Jamie Jones, Solomon Grey e Alan Fitzpatrick.

Com DJs sets elogiados em clubs do escalão de Panorama Bar, fabric, DC10 e Warung, não demorou para que Alfie e Nick conquistassem uma posição privilegiada no cenário internacional. O retorno deles ao templo acontece esse fim de semana, justamente na festa que celebra os 6 anos de história do Alataj. Com exclusividade, falamos com eles: 

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Alataj: Olá, meninos! É um grande prazer falar com vocês. Nos últimos anos foi notório o sucesso de vocês na mídia especializada internacional. De alguma forma, isso potencializou a boa fase de vocês nos estúdios e nas pistas?

Dusky: Na verdade, nós apenas escrevemos músicas que gostamos de fazer e se pessoas de diferentes países gostam, é ótimo. Somos mais conscientes das diferenças de gosto de país para país quando estamos tocando, pois alguns estilos não funcionam tão bem em determinados lugares. Por exemplo, as pessoas no Reino Unido são mais abertas a faixas com batidas quebradas, pois há uma longa história de breakbeat e drum n’ bass, enquanto em outras partes da Europa as pistas em que tocamos tendem a preferir estilos mais four-on-the-floor.

Londres é uma das cidades mais interessantes do mundo do ponto de vista artístico e cultural. De que forma a cidade e suas pessoas impactam no trabalho de vocês atualmente? Isso exerce de fato alguma influência?

Sim, crescer lá teve uma grande influência e continua sendo importante em nossas vidas, pois ainda moramos e trabalhamos em Londres. A rádio pirata teve um grande impacto em nós dois quando estávamos crescendo, mas em um nível mais geral, a vida nas cidades pode colocar você em um certo estado de espírito sem que você tenha plena consciência e isso com certeza pode influenciar seu trabalho.

A mistura de diferentes movimentos musicais forma o perfil sonoro de vocês enquanto Dusky. Esse grande mix se formou propositalmente ou as isso se desenvolveu seu que vocês percebesse?

Temos preferências bastante amplas na música, então naturalmente isso é encontrado na forma como escrevemos nossas faixas. É um pouco dos dois, consciente e inconsciente.

Vocês são artistas com uma capacidade de entrega de lançamentos bastante significativa ano a ano. Há alguma fórmula ou algo do tipo para manter a produtividade em alta mesmo com uma agenda de gigs intensa?

Não há fórmula mágica, você só precisa ter uma boa ética de trabalho. Temos sorte de fazer música e tocar como hobby antes de se tornar trabalho, então sempre estaremos rabiscando ideias e procurando música quando estamos na estrada ou em casa, é o que gostamos de fazer.

Fabric, Panorama Bar, DC10 e Warung são apenas alguns dos clubs icônicos que vocês já se apresentaram. Dentro de um contexto mais geral, há algo que vocês enxergam em comum entre esses clubs?

É difícil dizer. Cada lugar tem a sua própria energia, mas geralmente os melhores clubes têm uma grande multidão que está aberta a ouvir música nova e se divertir, assim como um bom soundsystem.

17 Steps exerce um papel importante na fixação da marca Dusky. Como tem sido desenvolver esse trabalho? Quais são os principais planos para 2018?

Tem sido muito divertido construir 17 Steps e ver o desenvolvimento ao longo do tempo. Acabamos de terminar a primeira turnê da gravadora no Reino Unido e na Europa, onde organizamos festas com outros artistas do selo, além de nós, e foi uma experiência ótima. Nós definitivamente faremos mais tours como essa no futuro. Quanto ao resto do ano, além das turnês, estamos dando os toques finais em algumas músicas novas, então lançaremos em breve. Continuaremos construindo o selo também, procurando novas músicas para lanças e apoiar artistas em que acreditamos.

Sempre fui muito curioso quanto ao processo criativo de duplas e trios de música eletrônica. Como isso funciona pra vocês? Cada um possui sua função ou as coisas fluem naturalmente?

Nós dois temos diferentes formações musicais, Alfie é formado em composição e eu estudei produção, então essas são as nossas áreas de especialização. Porém, com o passar do tempo, desenvolvemos nossas habilidades gerais.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em suas vidas?

Engloba tudo, é parte de tudo que somos.

A MÚSICA CONECTA. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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