Alataj Entrevista Fabe

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Um dos aspectos mais bonitos do cenário eletrônico é a sua capacidade de transformação ao longo dos tempos. Quem acompanha essa história há alguns anos já consegue captar na memória quantos estilos já nasceram e cresceram e quantos deles foram influência para o surgimento de outros novos estilos e assim por diante. Isto se deve muito pelos movimentos musicais ao redor do mundo que, além de propagarem novas sonoridades, também foram responsáveis por apresentar novos artistas. É em meio a um dos grandes movimentos da música eletrônica que Fabe iniciou sua trajetória.

Fabian Winkels, nascido em Berlim e radicado em Mannheim (Alemanha), cresceu profissionalmente em meio ao Mannheim Sound, movimento responsável pela grande onda do “deep house” em meados de 2008. Inspirado pela cultura Hip Hop e pelas melodias do house clássico dos anos 90, Fabe moldou sua personalidade musical de forma muito versátil, combinando elementos de suas influências com linhas de grave acentuadas.

Hoje, Fabe é residente do BE9, núcleo que engloba artistas, labels e clubs de Mannheim, é fundador e administrador da gravadora Salty Nuts, por onde lança a maioria de suas faixas, além de receber o apoio de grandes artistas do cenário mundial. Ele tirou um tempo para conversar com a gente sobre suas influências, carreira, criatividade e muito mais. O resultado você confere no bate-papo abaixo:

Alataj: Olá, Fabe! Tudo bem? Obrigado por nos receber. Já escrevemos por aqui sobre a importância e influência do Mannheim Sound. Em qual nível este movimento foi importante para o seu desenvolvimento enquanto artista?

Fabe: Olá, pessoal. O Mannheim Sound definitivamente significou muito para mim. Eu não conhecia a cena de Mannheim antes, vim do Mc’ing para o techno e house. Meu interesse em querer saber tudo sobre a história da música eletrônica em Mannheim surgiu quando conheci Sedee. Mais tarde, conheci Nekes e Federico Molinari, ambos me inspiraram muito quando se tratava de produções. Ampliamos tudo com BE9, mas ainda há uma conexão e amizade com muitos daqueles que colocaram Mannheim no mapa naquela época.

Hip hop, house em minimal podem ser apontados como pilares de seu perfil sonoro. Do ponto de vista pessoal, como é seu relacionamento com cada um destes estilos?

Ouço rap o dia inteiro, confiro os lançamentos de rap alemão toda sexta-feira e continuo apaixonado pelas batidas de DJ Premier. Não ouço muito house music durante a semana, pois já produzo house music todos os dias e meu case está cheio de jóias dos anos 80 e 90. Especialmente quando se trata de bateria. Sou muito inspirado pelas batidas de house do passado, como as de Todd Terry em meados dos anos 90.

Ainda sobre esta fusão de estilos, percebo que essa mistura de house e minimal tem se tornado cada vez mais eficiente nas pistas. É possível dizer que este é um dos sons desta nova geração?

Eu acho que sim, totalmente. Como você pode ver, alguns produtores que gostam desse gênero ou da mistura de gêneros estão atingindo sucesso comercialmente no Beatport. Não é mais um som nichado. As pessoas gostam muito disso e acho que o tech house que conhecemos nos últimos anos está se afastando cada vez mais das pistas de dança. Em minha opinião, é uma grande evolução acontecendo agora.

Mesmo antes de seu lançamento oficial, Gadget O’Flow, do EP Q4 Gadgets, já recebeu o importante suporte da lenda romena Petre Inspirescu. O que o apoio de grandes nomes da cena global representam para você enquanto produtor?

Ainda significa muito quando Pedro toca uma faixa minha, Arpiar sempre me inspirou muito e eles continuam sendo os caras que recebem minhas músicas primeiro, pois sempre me questiono como encaixaria uma faixa minha em seus mixes. Não há muitos nomes grandes com os quais estou compartilhando as minhas músicas atualmente. Mas sim, fico feliz quando uma faixa minha é agradável a ponto de alguém tocar e se alcança grandes nomes, bem, eu diria que não é ruim para mim.

A maioria dos seus lançamentos recentes foram trabalhados em sua própria gravadora, Salty Nuts. Há uma razão especial para isso? Você se sente mais livre trabalhando com as próprias regras?

Na verdade, não há nenhum motivo especial para isso. Porém é legal gravar uma música sem ter a necessidade de enviar demos e esperar um longo tempo até virar um lançamento. Sou uma pessoa espontânea e se quero lançar algo posso fazer isso na Salty Nuts. Outro motivo é que na Salty Nuts lançamos muito mais do que músicas que saem de um bom groove loopado sem passar por nenhuma mudança como efeitos. Produzo muitas músicas que combinam perfeitamente com a gravadora. Se há mais coisas que saem do conceito, penso em outra gravadora que funcionaria melhor.

Gostaria de perguntar como a conexão entre estúdio e cabine funciona em sua criatividade. Você testa faixas não finalizadas e tenta incorporar a dinâmica de alguns de seus sets em suas técnicas em algum tipo de “loop de feedback criativo”?

Na verdade, quando se trata de uma mixdown, não retorno para aquele projeto. Sou muito perfeccionista e não deixo algo não finalizado ser tocado em um club. Mas com certeza, é importante pensar em como as faixas se encaixam, adoro tocar faixas simples loopadas. Aquelas que tornam mais agradável de mixar um disco de house antigo. Para atingir uma mixagem suave é necessário saber sobre a entrada de frequência de todas faixas que você estiver mixando juntas, além de checar quais estão funcionando bem no seu sound system. No fim, estou mixando as faixas de um jeito clássico, uma faixa na outra, mesmo que esse jeito não seja espetacular para muitos DJs. É uma questão de gosto e de como você se sente confortável.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Música representa a maior parte da minha vida e não há nada em que eu esteja tão focado. Sou muito grato por ter a chance de fazer música todos os dias e compartilhar meus pensamentos musicais todo fim de semana com pessoas ao redor do mundo. É como o título de um dos meus discos: ‘Life is Audio’.

 A música conecta.


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