Alataj entrevista Fabio Florido

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Uma série de lançamentos relevantes para gravadoras como Second State, MOOD, Moan, Rukus, SCI + TEC e Minus, conduziram o DJ e produtor italiano Fabio Florido a um caminho acelerado para o topo do cenário eletrônico europeu.

Fabio se apaixonou pela cultura clubber e as sonoridades eletrônicas quando adolescente, passando a maior parte de sua juventude em boates do cenário underground da Toscana e em seu estúdio.  Hoje, radicado em Berlim, ele é presença regular em clubes e festivais renomados e foi escolhido por ninguém menos que Richie Hawtin para representar a PLAYdifferently como um dos embaixadores do inovador mixer MODEL1, ao lado de outros grandes artistas mundialmente reconhecidos como Chris Liebing, Nicole Moudaber, Dubfire, Loco Dice e Paco Osuna.

Conversamos com Fabio para saber um pouco mais sobre sua evolução como DJ e produtor, seu recente lançamento pela Kuukouu Records, experiência como embaixador do MODEL1 e muito mais. Confira abaixo:

Alataj: Olá, Fabio! Tudo bem? Obrigado por falar conosco. Sua forma de tocar mudou muito desde que passou a utilizar o MODEL 1? Quais características você apontaria como destaque compartilhado entre os artistas da PLAYdifferently?

Olá, pessoal. Estou bem, obrigado pela oportunidade! Absolutamente, a forma que eu toco evoluiu completamente por causa deste mixer. É o único em que posso esculpir as frequências de cada canal de uma forma totalmente inovadora. É como dirigir uma Ferrari depois de anos dirigindo um Ford. É totalmente diferente usar este mixer. 

Uma coisa que está acima de tudo é o som, não importa se você está tocando uma faixa ou quatro juntas, se você está usando percussões ao vivo, efeitos ou simplesmente dois discos, o som que sai sempre será envolvente, quente, profundo, único e poderoso. Os filtros de cada canal me dão a oportunidade de fazer coisas que nunca consegui antes. Há muito mais, porém não quero ser muito técnico. Definitivamente: experimente!

+++ O brasileiro tarter é outro a representar o MODEL1. Falamos com ele recentemente também! 

Sabemos que a cena italiana possui uma ampla tradição no cenário techno e isso tem se fortalecido ainda mais nos últimos anos. Como você enxerga o impacto que isso teve na formação de seu background musical e qual é a sua avaliação do atual momento da cena no país?

Sim, foi essencial passar minha adolescência na Itália. Florença estava no meio de uma infinidade de clubes. Havia de tudo: techno, hard techno, house, deep house… todo fim de semana tínhamos a oportunidade de escolher entre diferentes DJs e clubes. Lembro que costumávamos andar de scooter antes de completar 18 anos e disfarçávamos nossas carteiras de identidade para entrar nos clubes [risos]. Que momentos! Muita diversão e muito a aprender durante aquelas noites. 

Infelizmente as coisas seguiram outra direção. Todos os clubes fecharam, talvez tenha permanecido um por região. Às vezes acho que há uma “força” invisível que está tentando tirar a oportunidade dos jovens de expandirem seus sentidos, de se sentirem vivos, unidos, mas diferentes, parte de uma comunidade. Hoje, os jovens saem para dançar música comercial, a mesma que ouviram o dia inteiro na rádio, nada de novo, nada de inspirador. Eles ficam bêbados e a noite acaba. Apesar de tudo, tenho certeza que esse momento estático irá passar.

SCI+TEC, Moan e M-nus são alguns dos selos que já apoiaram a sua música. Quão importante marcas como essa foram para a evolução da sua jornada? O que você considera essencial no processo de escolha de uma gravadora?

Escolher uma gravadora para minhas músicas sempre foi o maior e mais frustrante problema da minha carreira. Muitas pessoas pedem conselhos sobre isso, essa é a minha resposta mais sincera. Sendo a música uma “indústria”, isso implica que existam regras, há uma infinidade de fatores a serem levados em consideração, quando, na minha opinião, as decisões devem ser tomadas por pura paixão. Talvez a melhor solução seja encontrar um bom equilíbrio entre: paixão e mente de negócios. 

De qualquer forma, escolha uma gravadora que represente o seu som, que inspire você e cruze os dedos para que eles tenham uma boa distribuição e promoção, caso contrário sua música não será ouvida. Se você puder, invista junto com a gravadora para promover seu lançamento de forma inteligente, mas, por favor, não faça músicas comuns apenas para ter sucesso. Não copie e cole faixas que estão nos charts, este jogo está matando a criatividade de todos lentamente.

Qual formato de pista te deixa mais animado para um set: a multidão de um grande festival ou a atmosfera intimista de um club underground?

Provavelmente a privacidade de um club. Porém acho os dois necessários, tanto para o DJ quanto para as pessoas, eles se compensam. O club, muitas vezes escuro, considero mais introvertido. É mais provável que as pessoas mergulhem em si mesmas para descobrir lugares distantes do seu “eu interior”, obviamente, através da música, que também é mais pessoal e introvertida dentro do club. 

Festivais são maiores, a música costuma ser mais colorida, assim como as luzes e atmosfera. Provavelmente faça você se sentir parte de um coletivo, pensando nas centenas de pessoas ao seu redor. Ambos são experiências maravilhosas e componentes necessários para entender a música eletrônica. Sempre tenha a oportunidade de aprender com ambos.

Twilight, seu recente EP pela Kuukou, apresenta uma atmosfera de BPM alto e caráter introspectivo. Quais foram as principais referências que te guiaram na produção deste EP?

Criei esse EP como todo mundo, seguindo o que me inspirou no momento. Lembro que foi na primavera, um momento de vida e alegria em que, principalmente em Berlim, passamos do cinza do inverno para as cores do verão. Tudo isso inspirou essa faixas que, sem dúvidas, são cheias de grooves e notas positivas, mas ainda com a introspecção que eu carreguei do longo inverno.

Quando estamos falando de música em alto nível, certamente a consistência é um ponto a se debater. Como você busca manter o nível tocando e produzindo um som tão dinâmico e inovador?

Simplesmente tento fazer o meu trabalho da melhor forma possível, tento não “descansar”, mas sim lembrar a mim mesmo que devo constantemente “buscar”. Leva um tempo até você se encontrar na mediocridade, ou melhor, em um impasse na criatividade… basta que seu cérebro pense uma vez: “Ah, cheguei onde queria! Agora posso relaxar”. Outro fator com o qual devemos ter cuidado é o “medo de arriscar coisas novas e ser julgado”, que é como todos os medos, um bloqueio inútil. Particularmente, sempre tento cuidar e lembrar que sou o primeiro a quem devo algo. Se eu não me surpreender, perco a faísca que me faz amar esse trabalho.

+++ Ler uma entrevista com o inspirador Joris Voorn sempre vale a pena. Veja aqui!

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Não é muito pessoal, pelo contrário, acho que significa o mesmo para cada ser humano, até para aqueles que ainda não perceberam. Música é vida. Vibrações e frequências são a base da nossa verdadeira essência e provavelmente são a base dos mecanismos que regulam a natureza, o cosmos… simplesmente ainda não descobrimos. Já vimos a ciência descobrindo coisas sobre ela todos os dias. Sem música e vibrações não haveria nada com muita probabilidade. Então, queridos DJs e produtores, sempre lembrem do enorme poder e responsabilidade que vocês tem em mãos… use bem isso!

A música conecta.


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