Cariocas de nascimento e coração, Marian Flow e Zeo Guinle são mais conhecidos no mundo da música eletrônica como Flow & Zeo. Há quase 20 anos eles tocam juntos pelas principais pistas, clubs e festivais do Brasil, levando como marga registrada um entrosamento de rara eficiência entre os artistas que decidem dividir juntos mais do que o palco – eles também são marido e mulher.

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Entre viagens, tours e experiências relacionadas a música, estão os festivais que Marian e Zeo já se apresentaram: eventos do calibre de Rock in Rio, Tribaltech, Creamfields, Universo Paralello e até mesmo o LOVE PARADE, famoso festival berlinense que recebia mais de um milhão de pessoas por edição estão na lista. Portugal, Dinamarca, Suécia, Colômbia e México também estão constantemente na rota do duo, responsável por executar sets que vão do house ao techno com bastante naturalidade.

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Atualmente na Alliance Artistas, Flow & Zeo conduzem uma carreira dividida entre compromissos no palco e fora dele. Juntos, eles comandam a gravadora Tropical Beats e promovem eventos tradicionais na Cidade Maravilhosa. Aproveitando a recente apresentação deles no RiR, batemos um papo com o casal mais querido da música eletrônica brasileira. Confira abaixo:

1 – Olá, Casal! Tudo bem? Já são mais de 15 anos tocando e viajando juntos para diversos estados e países. No caso de vocês, manter essa parceria exige um equilíbrio muito grande além da parte pessoal, na profissional também. Como foi possível fazer isso de forma sustentável?

Tudo bem Alan e você? Temos o prazer de trabalhar com o que amamos e ainda poder compartilhar isso diariamente. O amor alimenta a música e a música alimenta o amor.

2 – Vocês já caminharam por diversos estilos e gêneros musicais, não é mesmo? Ao que vocês atribuem essas mudanças? Como tem sido trabalhar com diferentes cenas ao longo dos anos?

Começamos nossas carreiras individuais há aproximadamente 19 anos, e estamos juntos há 17, desde o ano 2000. Nos conhecemos exatamente no periodo de início das “raves” no Brasil, quando frequentávamos clubs como Bunker – RJ, onde fomos residentes, Lov.E – SP, B.A.S.E., eventos de techno/house/drum n’ bass (Avonts, Skol Beats – tocamos em 2008, Bunker Rave) e festivais como Trancendence e Universo Paralello, os quais também tivemos o prazer de tocar.

Acreditamos que devido ao longo tempo de carreira e a evolução constante e cada vez mais dinâmica da música eletrônica, com inúmeras possibilidades e ferramentas de criação, seja natural a absorção de novos estilos, gêneros e sub-gêneros na cena. Compreendido isso, nossa atenção se volta para a identidade musical do nosso som, seja no estúdio ou em nossas apresentações aonde buscamos sonoridades profundas e harmônicas. Somos muito gratos pelo público que nos acompanha desde o início e pela nova geração que se identifica com o nosso trabalho.

3 – A carreira do Flow & Zeo é bastante conectada com o Rio de Janeiro, certo? Falem um pouco sobre essa trajetória de vocês na cidade maravilhosa:

O Rio de Janeiro é a nossa base e ainda é o nosso trampolim para o mundo. Temos orgulho de ser cariocas, mas há bastante tempo tocamos mais fora do Rio do que por aqui.

Nossos primeiros passos na música se deram na Cidade Maravilhosa. Tocando ou produzindo eventos, sempre movimentando a cena local. Nosso primeiro label de eventos juntos foi a Entre Amigos em 2001. Em 2004 demos início a nossa festa Level e há seis anos criamos a noon. Além de outros eventos que produzimos em parceria como a H.O.M.E., Blend, Tasty, Raw Room, Chemical Musical Festival entre outros.

Mas o incrível o poder da música vem nos levando a desbravar novos lugares. Em julho fizemos nossa primeira apresentação em Santiago no Chile, em novembro estaremos partindo para a nossa 1ª tour na Australia, este mês tivemos a oportunidade de conhecer duas novas cidades no Brasil: Rio Branco – Acre e Palmas – Tocantins. Além de já termos tocado na Africa do Sul, México, Equador, Colômbia e boa parte da Europa.

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4 – Leo Janeiro, Gabe, Wehbba, Adana Twins, Fabo. A lista de colaborações, seja em produções, remixes ou discotecagem, é bastante ampla. Quão importante foram para moldar o amadurecimento do Flow & Zeo enquanto artistas?

A colaboração/parceria sempre acrescenta para o amadurecimento das partes envolvidas. Todos que você citou na pergunta e outros tão importantes quanto, como Trentemoller, D-nox & Beckers, Oliver Klein, Martin Eyerer, Lennox (Mumbaata), Kriptus Gomes (Nytron). Esses nomes fizeram parte da nossa trajetória como artistas e também como pessoas. Boa parte das parceiras acabam se tornando amizades. A vida é um constante aprendizado e nada melhor do que trocar informações e aprender com quem se gosta!

5 – A respeito do trabalho de vocês com a Tropical Beats. Gerenciar um selo mudou a forma como vocês enxergam a cena enquanto business?

O nosso lado business sempre caminhou junto com a carreira artística, seja no gerenciamento da Tropical Beats, que também já foi agência, ou na produção dos eventos. Cada atividade que fazemos agrega ao nosso conhecimento e experiência profissional, trazendo outros pontos de vista importantes para o desenvolvimento. Assim como a nossa formação acadêmica influência também (Marian em Marketing e Zeo em Direito).

6 – Warung, D-Edge, Privilege, Deputamadre, Vibe… em meio a tantas gigs especiais, há alguma que vocês consideram um ponto de virada na carreira do Flow & Zeo?

A Love Parade, na Alemanha, em 2006, certamente foi uma das mais importantes de nossa carreira. Que emoção tocar para mais de 1 milhão de pessoas nas ruas, um verdadeiro carnaval eletrônico. Depois disso, fomos durante dez anos seguidos fazer tours pela Europa. O Rock in Rio também é um marco e cada vez que tocamos é um novo desafio e conquista. Somos residentes desde o surgimento do Palco Eletrônica e também tivemos a oportunidade de nos apresentar na edição de Lisboa em 2014. Este domingo, dia 17/09 estivemos lá com Luciano, Andhim e Renato Ratier. Adoramos todos os clubes que citou e é sempre um prazer tocar em cada um deles. Temos também um carinho especial pelo templo Warung Beach Club.

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7 – Super festivais ou clubs undergrounds. Qual desses dois ambientes fornece uma pista mais confortável para o Flow & Zeo?

Gostamos de ambos, cada um com a sua atmosfera. Adoramos tocar tanto para grandes públicos quanto plateias mais intimistas e para nós é aí que reside a magia em ser DJ. Estar animado e preparado, sempre.

8 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa na vida de vocês?

Tudo! É o alimento da nossa alma. Music is love <3

A música conecta as pessoas!