Alataj entrevista Floyd Lavine

Um dos grandes representantes da atual geração da dance music no continente africano atende pelo nome de Floyd Lavine. Vivendo na ponte aérea Berlim/Cape Town, Floyd criou uma carreira de respeito na cena eletrônica e hoje seus lançamentos podem ser encontrados em selos do calibre de Rise, Moonharbour, Upon You Records e Watergate.

O último dos citados, pode ser apontado como um dos destaques da jornada deste jovem e talentoso DJ e produtor sul-africano. Ao longo de sua evolução trabalhando com música eletrônica, Lavine colaborou em diferentes formatos para a evolução da cena enquanto comunidade. Floyd já gerenciou seu próprio selo, já teve um projeto paralelo ao lado de Quintin Christian e atualmente tem apoiado talentos emergentes através da Nomadiq Music, sua atual gravadora.

No próximo fim de semana, Floyd Lavine faz sua estreia em terras brasileiras tocando em três das principais pistas do país. Quinta-feira o rolê é no D-EDGE, na super tradicional noite Moving. Sexta, hora de colocar o pé na areia em Floripa, festão apresentado pela Trip to Deep. Por último, sabadão no estilo com a turma da Sunset Sessions em Santa Maria. Antes de sua chegada, falamos com Floyd:

Alataj: Olá, Floyd! Tudo bem? Percebo que há uma nova geração de artistas africanos entregando ótimos trabalhos frente a house music. Como você sente este atual momento musical do continente?

Floyd Lavine: É um momento emocionante para os artistas africanos, há uma nova onda de artistas que estão quebrando barreiras e expondo a música africana para o mundo. Me sinto honrado por ser um dos nomes que estão trabalhando para mostrar a beleza e criatividade do continente africano.

Berlim e Cidade do Cabo: como cada uma dessas cidades influenciou a forma como você cria sua música?

Cidade do Cabo ou digamos que a África do Sul é a minha casa, o meu local de nascimento, por isso tenho uma conexão profunda com o lugar, esse ambiente moldou quem eu sou e isso é evidente no trabalho. Meu ambiente influencia a mim e meu trabalho.

Berlim agora é a minha nova casa, o que eu gosto da cidade além da louca vida noturna, é que me sinto livre para me expressar, aprecio a parte criativa do lugar e energia das pessoas. Posso ser eu mesmo em Berlim, mas também ser criativo, isolado e focado.

Em sua bio, você cita nomes como Master At Work, Kerri Chandler e Dennis Ferrer como grandes referências. Hoje, quais artistas e movimentos musicais inspiram diretamente seu trabalho na pista e nos estúdios?

Minhas influências atuais na música eletrônica são principalmente amigos, todos os produtores talentosos que me incentivam e me inspiram: Hyenah, David Mayer, Minco, Dede, Kususa, Enoo Napa, Deep Aztec, Ben Rau, Bruce Loko, jazzuelle, Lazarusman, Fred Buddha & T. Siza, apenas para citar alguns. Além deles, meus amigos e família são minha maior influência, eles desempenham um grande papel na minha vida criativa.

Seu catálogo conta com lançamentos importantes em labels como Rise Music, Get Physical, Moon Harbour e Defected. O que você aprendeu com cada um destes selos no processo de lançamento?

Bom, sou muito grato que minha música foi lançada em todos esses selos lendários. Foi uma honra fazer parte de marcas com uma história forte. A única coisa que posso levar por trabalhar com esses selos é o cuidado e o profissionalismo. Isso dá a confiança aos artistas de que sua música estará em boas mãos.

O Brasil é um país com uma cultura musica que se aproxima muito da África em alguns momentos. Qual sua expectativa para essa tour por aqui? O que você espera encontrar em nossas pistas?

Eu sinto essa conexão com o Brasil musicalmente e, mais importante, ritmicamente. Estou indo com a mente aberta, mas eu sinto que o povo brasileiro tem muito espírito e acho que vamos dançar até de manhã. Então estou esperando boas energia e muita dança.

Ainda sobre Berlim, é notório que o Watergate tem um papel muito importante no seu desenvolvimento. Fale um pouco sobre o seu relacionamento com club e os planos para o futuro:

Tenho um relacionamento especial com o Watergate. Eles são uma grande parte do meu desenvolvimento. Uma coisa que respeito nas pessoas que trabalham por lá, é que eles são muito honestos. É muito difícil encontrar profissionais nessa indústria que sejam honestos e se eles acreditarem em você, apostam tudo em sua carreira. Planos para o futuro: continuar construindo esse relacionamento e continuar trabalhando duro para ser um artista melhor.

Tom, harmonia e ritmo dizem muito sobre a emoção que a música pode causar no corpo e coração dos ouvintes, certo? Pra você, é mais importante fazer uma música que seja tecnicamente perfeita ou que toque a coração do maior número possível de pessoas?

Para mim o que importa é a energia. Música não precisa ser perfeita e polida. Como humano eu não sou perfeito, então não preciso que a música seja perfeita, preciso senti-la.

Para finalizar, uma pergunta pessoal: o que a música representa em sua vida?

Ubuntu.: uma antiga palavra africana que significa “humanidade para os outros”; também significa “eu sou o que sou por causa de quem somos”; “a crença em um vínculo universal de compartilhamento que conecta toda a humanidade”.

A MÚSICA CONECTA. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

RELATED POST

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

INSTAGRAM
SIGA-NOS