A maneira emocional e criativa como Guy J encara a dance music é notória. O DJ e produtor israelense teve seu start na música aos 14 anos de idade, influenciado pela forte cena psy-trance e progressiva do país. De lá pra cá, seu estúdio, apelidado de The Cave, tem sido seu grande habit natural. Guy é o tipo de artista que encara de maneira muito séria o ato de fazer música e talvez por isso, sua evolução é contínua. A reputação conquistada por ele em cenários onde o house progressivo possui uma cultura forte, é algo imaginável apenas nos maiores sonhos de um artista.

Flertando com house, techno e trance, Guy J conseguiu criar uma identidade difícil de ser categorizada, mas com grande potencial para o dancefloor, mesmo sem bpms elevados ou clichês construtivos. Tal estilo, caiu nas graças de John Digweed, que apadrinhou o jovem israelense em seu aclamado selo, Bedrock. O selo britânico foi a casa de releases famosos de Guy, entre eles a faixa Nirvana, um de seus principais hits, e o álbum The Trees, The Sean & The Sun, lançado em 2015.

Além da Bedrock, Guy também passou por microCastle, Sudbeat e Tronic (apenas para citar alguns bons labels), mas foi em seu próprio selo, Lost & Found, onde ele encontrou o melhor lugar ao sol para produzir seu som e revelar artistas. A “casa” de Guy J, como assim podemos chamar a L&F, já recebeu nomes do calibre de Henry Saiz, Guy Mantzur, Pig&Dan, Hernan Cattaneo e Agents Of Time. Seu último release, MDQ EP, saiu por lá no dia 10 desse mês. Ouça abaixo:

Às vésperas de uma tour sul americana que terá o Carnaval do Warung Beach Club como única passagem pelo Brasil, conseguimos um entrevista exclusiva com ele, um dos principais nomes do house progressivo no mundo. Guy J nos falou sobre o caráter emocional de sua música, Israel, Lost&Found, relação com o público brasileiro e muito mais. Confira abaixo:

1 – Olá, Guy J! Muito obrigado por nos atender. Sua música possui um caráter emocional muito forte. Como foi que você construiu essa identidade sonora tão marcante?

Eu acho que vem da música que eu costumava escutar quando cresci e também da música que estava ao meu redor na época. A dance music tem uma grande cena em Israel e foi fácil de ficar exposta a ela. Eu amava principalmente progressive e trance, era mágico como poderia reunir todos junto e fazer todos sentirem aquilo.

2 – Israel é um país muito conhecido na cena internacional por seus grandes artistas de psy trance. Como foi para você se aventurar dentro das cenas house e techno? Em algum momento o psy trance influenciou seu estilo musical?

Eu acompanhei por cerca de 2 anos o psy trance e acredito sim que tenha afetado o que eu faço. Tudo faz você aprender alguma coisa. Eu acho que o psy trance foi uma grande cena em Israel, mas a cena house também era muito boa na época. Talvez não se fale tanto, por que Israel não exportou muitos produtores desse gênero naquele momento.

3 – O que você pode nos contar a respeito da cena de música eletrônica em Israel atualmente? O house e o techno possuem mais espaço nos clubs e festivais?

Com certeza! A cena é muito forte e boa. Existem diversos clubes em Tel Aviv que tocam música eletrônica e temos muitos eventos ao ar livre durante o verão.

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4 – Como você conseguiu levar sua música até John Digweed? Qual a importância que a Bedrock possui em sua carreira?

Na época, meu manager conseguiu levar algumas produções para John e nos apresentou. Bedrock foi e é parte mais importante da minha carreira e um reflexo do meu gosto musical. É um label que eu cresci seguindo e é o lar do meu “álbum de artista” que produzi. John Digweed é alguém que eu aprendi muito e o label que ele dirige é uma máquina!

5 – Fale um pouco sobre a concepção do trabalho da Lost&Found. Como tem sido ser o frontman de um selo tão aclamado nas últimas temporadas?

A Lost & Found é dirigida por mim e Scott Dawson. A idéia do label é lançar house music de qualidade, apesar de eu não achar que o selo tenha seguido apenas house como nos últimos 3 anos. Lançamos música de diferentes produtores, de diferentes partes do mundo e isso tem sido incrível. Esse ano temos muitas boas surpresas e levaremos a gravadora para o próximo nível de criatividade.

6 – Ano passado você retornou ao Warung após um hiato de alguns anos sem se apresentar por lá. Como foi a experiência de tocar novamente no club? Há algo especial na atmosfera do público brasileiro?

Wow! Ambos os shows foram absolutamente inesquecíveis, momentos incríveis! Na primeira vez com John Digweed eu estava muito nervoso e animado, porque havia escutado muito sobre o lugar. Na segunda vez havia um clima especial, pois eu era o headliner e sentia que tinha de entregar meu máximo para a pista. Foi mágico, estou tão feliz por voltar e espero que se torne uma tradição.

7 – Como foi o processo criativo de seus albuns até então? É possível dizer que você se encontrava em um momento emocional diferente na produção de cada um deles? No que exatamente eles se diferem entre si?

Eu acho que todos os 3 álbuns que fiz foram diferentes, principalmente porque eu fiquei mais maduro quando terminei cada um deles. É um longo processo e um processo pessoal produzir um álbum. Você passa por coisas diferentes na vida enquanto os faz para que eles não possam Ser semelhantes. O mágico é um álbum que consiga contar uma história completa e é isso que eu tento fazer ao produzir um, este é o objetivo principal de um álbum, que toda a música faça sentido.

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8 – Algumas pessoas caracterizam seu som como progressive house. Outras, como techno. Como você define seu estilo musical atualmente? Gêneros são realmente importantes?

Eu acho que meu som é um house emocional. Tento produzir tudo, não fico preso a um gênero hoje em dia.  Isso é porque eu aprendo muito sobre música e não acredito que deveriam existir quaisquer limites para a criação. Os gêneros de hoje são apenas uma ferramenta para o marketing. Eles realmente não importam na minha opinião.

9 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

A música é a trilha sonora para a vida, é a língua mais internacional que existe. A música pode mudar as pessoas, pode construir caráter, pode ajudá-las e pode curar. É parte da vida. Língua é música, ruído é música, tudo é música.

A música conecta as pessoas!