Alataj entrevista Guy Mantzur

A escola israelense da dance music é notória pelo uso de melodias e capacidade de hipnose. Guy Mantzur, DJ e produtor natural de Tel Aviv é um grande especialista nesse sentido. Seu trabalho é marcado por desafiar a classificação simplista de gêneros e colocar estilos como techno e progressive house no mesmo caldeirão de referências – algo que até parece fácil, mas não resulta em uma boa experiência para todos que tentam replicar tal mistura.

A forma como Guy mescla tais referências e vertentes o tornou conhecido no mundo inteiro. Grooves e melodias são elementos chaves de seus DJ sets, que já há algum tempo figuram entre os mais disputados do mundo. Em 2013, Mantzur foi premiado como Melhor DJ Underground de Israel pela XL Awards e desde então seu catálogo passou a ser composto por peças lançadas em selos como Kompakt, Diynamic, Systematic, Bedrock, Sudbbeat e Lost&Found, gravadora que recebe seu próximo EP.

Aqui na América do Sul ele construiu uma relação muito próxima as pistas da Argentina e desde o ano passado isso tem se intensificado com o Brasil também. Esse fim de semana, Guy Mantzur retorna para mais uma tour. Quinta-feira ele comanda a histórica pista do D-EDGE e na sexta retorna ao Warung para um long set no Garden. Antes disso, Mantzur gentilmente recebeu a nossa equipe para um bate-papo exclusivo. Confira:

Alataj: Olá, Guy! Tudo bem? Obrigado por falar conosco. Já tive a oportunidade de conversar com outros artistas israelenses e eles me contaram coisas boas sobre a cena do seu país. O que você destacaria nesse momento?

Guy Mantzur: Olá, obrigado por me receberem. Sim, a cena israelense está provavelmente no seu melhor momento. Temos grandes festas, festivais e artistas de todos os gêneros semanalmente.  Outra coisa especial é que Tel Aviv é conhecida por ser uma cidade 24 horas, então temos festas todos os dias que atraem muitos turistas e amantes da música.

Nos últimos anos você aproximou seu relacionamento com a cena eletrônica brasileira através de algumas gigs importantes. Na sua visão, o que o nosso público tem de mais especial? Qual sua expectativa para essa nova turnê?

Como vocês sabem, minha primeira grande impressão foi minha apresentação no Warung, após ouvir muito sobre o lugar, fui tocar lá e fiquei sem palavras. Já viajei muito e vi diversos lugares, mas esse lugar é diferente de todos os outros. Isso fez eu me apaixonar pelo público brasileiro e pelo clube, mal posso esperar para o meu retorno neste fim de semana.

Sua produção musical é marcada por uma fusão de gêneros que é difícil de ser classificada até mesmo pelos seus fãs mais próximos. Você se importa com essas questões de gêneros? Atualmente, seu estilo de discotecagem e produção tem se aproximado de algo mais obscuro ou melódico?

Sempre acreditei que a coisa mais importante em criar música é ficar animado e estar cheio de emoções e grooves. É claro que o meu coração sempre atrai as músicas emocionais mais melódicas, mas consigo me encontrar misturando isso com techno e deep house. Vejo música como pintura e gêneros como cores, adoro minhas pinturas coloridas.

Quais são suas melhores lembranças em torno da residência no The Cat & The Dog Club? Na sua opinião, o que uma residência pode trazer de mais valioso para um DJ?

Quando eu era residente do Cat & Dog, era realmente o melhor clube do país e nós tínhamos nosso próprio playground para o nosso som underground. Tocava lá de 1-2 vezes na semana, ao lado de amigos como Hernan, Digweed, Sasha, Guy J, Saiz, Gerber, Voorn e muitos outros.

Tocar como residente em um clube como esse mantém você afiado e relevante, pois você pode testar novas músicas sempre e tentar diferentes abordagens. Isso também ajuda você a entender bem o gosto do público, o que se torna ainda mais especial.

Qual foi o exato momento que você percebeu que a música seria mais do que uma paixão e se tornaria sua profissão?

Não consigo pensar no momento específico já que a música esteve dentro de mim desde muito jovem. Comecei a tocar piano com 6 anos e desde então, ela sempre foi parte da minha vida e não consigo imaginar minha vida sem ela. Quando as pessoas me perguntam o porquê de ter escolhido fazer música, sempre respondo que foi a música que me escolheu.

Aqui na América do Sul, o progressive house marcou toda uma geração na década passada, guiado por caras como Hernan Cattaneo, John Digweed e 16bit Lolitas. Como você avalia o atual momento do estilo num contexto global?

A coisa mais bonita do progressive é que sempre teve uma forte base de fãs que vão acompanhar e gostar. É claro que podemos ver isso bastante na América do Sul, que é o território mais forte, mas nos últimos anos, tornou-se um gênero mundial, lugares poderosos como Burning Man, Ibiza, Nova York e Berlim se apaixonaram pelo som progressive.

Hoje em dia, a maioria dos DJs grandes toca progressive e melodic, acho que é ótimo para todos, afinal de contas a música está aqui para conectar pessoas e melodias são a melhor forma de fazer isso. Me sinto muito sortudo por ser um dos artistas que mantém esse gênero, junto com todos os meus bons e talentosos amigos, todos nós fazemos por amor e isso é o mais importante.

Todo grande artista possui referências importantes fora da música eletrônica. Quais são as suas?

Tenho muitas. Para ser sincero, minhas referências vêm de bandas como Pink Floyd, Portishead, Guns and Roses até artistas como John Lennon, Niel Young, Dylan e muitos outros. Esse foi o básico de toda música que ouvimos hoje e para mim sempre traz inspiração.

No que diz respeito a lançamentos: o que vem por aí?

Meu próximo lançamento, que sairá em Outubro na Lost and Found, single com duas faixas, “Tremolo Man” e “Chasing the Frog”, também vem em uma edição especial em vinil. Depois tenho o próximo mix Live “A Guy in Boom – Live from Tomorrowland Festival” na minha gravadora Plattenbank, além de outro single na Plattenbank.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Estamos vivendo em um mundo louco, nossa vida pode ser uma montanha russa e às vezes sentimos que só precisamos nos afastar e respirar, olhar as coisas de um ponto de vista diferente, tirar um tempo antes de voltar para a rodovia da vida. Eu acho que a música é esse lugar de paz para onde todos vamos tirar algum tempo para nós mesmos, limpar nossas mentes e curar nossos corações.

A MÚSICA CONECTA. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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