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Alataj entrevista Joris Voorn

Alataj entrevista Joris Voorn

Este fim de semana o Brasil recebe novamente a figura única de Joris Voorn. O DJ e produtor holandês toca sexta-feira em São Paulo, na Collective, e sábado em Curitiba e Caxias do Sul, jornada dupla no Warung Day Festival e Colours 10 anos, respectivamente. Há pelos 3 anos perseguíamos uma entrevista com Joris, desde que o vimos tocando pela primeira vez no pistão do Warung. Agora, este bate-papo finalmente aconteceu.

Pouquíssimos artistas possuem uma leitura de pista tão eficiente, inteligente e dinâmica quanto Voorn na atualidade. Sua música está focada em house ou techno? Dark ou melódico? Não há como dizer, justamente pelo caráter versátil de suas apresentações. Até mesmo esta versatilidade é algo especial, dado a identidade musical que: sim, Joris possui, mas não é bloqueada pela barreira de um ou outro movimento musical. Uma prova disso são seus sets que passeiam por diferentes gêneros e podem possuir uma estética mais underground ou acessível, dependendo da situação.

Ao longo de sua vitoriosa carreira, JV coleciona passagens pelos principais clubs e festivais do mundo, lançamentos e remixes de grande sucesso e uma jornada empreendedora frente a suas duas gravadoras: Rejected e Green. Nessa entrevista exclusiva para o Alataj, este experiente e centrado artista holandês comenta do ponto de vista pessoal e profissional sua intensa relação com a música. Não dá pra perder:

Alataj: Olá, Joris! Tudo bem? Obrigado por nos atender, é um grande honra falar com você. A cultura do DJ se transformou de forma significativa nos últimos anos, como você tem lidado com isso tudo, especialmente no que diz respeito a forma como as pessoas se relacionam com sua música?

Joris Voorn: Olá, obrigado por me receber! A indústria musical está sempre evoluindo e acho que isso é bom. Como seres humanos, mudamos ao longo de nossas vidas também, então é compreensível que a indústria e o público desejem ou esperem coisas diferentes. Isso não significa que você precisa fazer o que todo mundo faz, apenas pegue as mudanças para o seu melhor. Como artista, você só precisa continuar produzindo o que gosta, você irá se orgulhar do seu trabalho e cumpri-lo. Aqueles que também gostam são os que você precisa ao seu redor.

Pessoalmente considero você um dos DJs mais precisos na arte de misturar house e techno em suas essências. Qual é o segredo para possuir um perfil tão forte dentro desses dois movimentos musicais?

Realmente não sei o segredo. Não é como se houvesse um código que você possa aplicar em todos os lugares [risos]. Sempre produzi a música que eu gosto e funcionou. Acho que é uma das coisas mais importantes, continuar e produzir com o coração. Às vezes pode ser difícil de fazer, mas no final, acho que sempre funciona.

Uma de suas principais características é a leitura de pista, quase sempre muito certeira. Como você tem buscado exercitar essa qualidade ao longo dos anos? A experiência mais ajuda ou atrapalha nesse sentido?

É algo que você aprende, eu acho. Com todas as gigs que você faz, você começa a observar e a entender como o público reage. Isso me ajuda, pois você consegue ver quais faixas funcionam e o que o público quer ouvir. Quero dar a audiência o melhor, então sim, isso ajuda.

Você é um cara que toca com um setup um pouco diferente do habitual. Poderia explicar pra gente em qual formato você se sente mais a vontade para discotecar?

Tocar no digital é algo que eu faço há muito tempo, mais de 10 anos, então essa é a forma natural e mais confortável para eu me apresentar. Tenho um setup técnico que está em constante evolução, com avanços no software e equipamentos disponíveis. No entanto, agora estou tocando com o MODEL 1 Mixer, um controlador Allen & Health Xone K2 juntamente com o software Traktor e algumas ferramentas no iPad.

Amsterdam e toda Holanda representam uma parte muito importante de sua carreira. De que forma cidade e país contribuíram para o seu desenvolvimento enquanto artista?

A Holanda é onde tudo começou para mim. Aprendi a tocar e produzir, minhas primeiras gigs foram aqui. É onde eu cresci para ser quem sou hoje. Tocar aqui, principalmente em Amsterdã, é sempre um prazer e parece que estou em casa novamente.

Acompanhei seus dois últimos sets no Warung Beach Club e posso dizer que a experiência no dance floor foi mágica. Quais são suas melhores memórias em torno do club e do público brasileiro de uma forma geral?

De fato, tocar lá foi mágico. A energia do público é surreal, com todas as faixas. Isso é o que você precisa e quer ver como artista. Na minha opinião, Warung Beach Club é um dos melhores clubes do mundo.

Joris Voorn @ Warung Beach Club

"Spectrum Brazil proved why Warung Beach Club is one of the very best clubs in the world!!" – Joris Voorn em sua apresentação aqui (fev/18).17 de Novembro, ele é uma das atrações confirmadas do Warung 16 Anos. Ingressos e passaportes à venda: warungclub.com#warungbeachclub #warung16 #w16 Joris Voorn

Posted by Warung Beach Club on Wednesday, July 25, 2018

Arquitetura e fotografia parecem exercer uma influência na construção de sua música. Como isso funciona exatamente?

Estudei para ser um arquiteto e trabalhei para uma empresa de arquitetura no passado. Aprendi a ser preciso e usar uma abordagem criativa. Adoro envolver fotografia no que faço, com o Spectrum por exemplo. A fotografia torna possível capturar emoção em um determinado momento. Acho que essas lições seguem no processo de produzir uma faixa. Com a música, eu sou um perfeccionista, mas criativo, que gosta de capturar emoções em suas músicas.

Green e Rejected: o que cada um desses selos trouxe de melhor para sua carreira? Pessoalmente, o que eles representam pra você?

Os labels são uma saída para mim. É uma forma diferente de expressar minha criatividade e realmente gosto muito do trabalho deles. Rejected é o lugar em que posso mostrar meu lado house, através do meu alter ego Dark Science. Um pouco mais de energia nas linhas de baixo e sons animados. Na Green, eu trabalho em uma energia mais atmosférica, é uma mistura de techno e melodias deep.

ANTS e elrow: como tem sido trabalhar com duas marcas tão importantes para a dance music de Ibiza? Na sua visão, o que a ilha espanhola tem de melhor atualmente?

É uma honra, de verdade. Ambas são organizações incríveis e muito influentes para a cena da dance music. Quando você toca lá, você apenas sabe que será ótimo, estou feliz por fazer parte disso. Ibiza é uma ilha feita para festas. A energia é inacreditável e o público está lá pela música. Nada além de boas lembranças de Ibiza.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Música é uma forma de auto-expressão, parece muito clichê, mas é uma linguagem universal. Tem o poder de conectar as pessoas e permite que você mostre seus sentimentos. Espero que eu consiga fazer o que amo pelo resto da minha vida.

A música conecta.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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