Alataj entrevista Joseph Ashworth

House e techno se encontram com altas doses de emoção e melodia na música do produtor britânico Joseph Ashworth, um dos artista com grande potencial de transformação em uma estrela mundial nos próximos anos. Natural de Bournemeouth, Joseph acumula releases de qualidades por labels como Pets Recordings, Dirtybird, Anjunadeep e Get Weird. Seu próximo EP conta com remixes de Ron Trent e Sebra, com lançamento confirmado pela Life and Death.

Uma análise rápida pelo perfil nos permite concluir que JA é o tipo de artista que possui uma boa reputação enquanto DJ e um perfil forte no estúdio. Sua mistura de house e techno não abre mão de referências do passado, mas possui uma forte atmosfera contemporânea, que tem posicionado de forma estratégia no cenário global. Outro ponto de destaque é a sua maturidade enquanto artista, algo que pode ser facilmente notado através de suas respostas registradas no bate-papo exclusivo que tivemos com ele. Confira abaixo:

Alataj: Olá, Joseph! Tudo bem? Obrigado por nos atender. É interessante analisar como suas produções flertam com diferentes estilos, sempre com uma atmosfera muito melódica e emocional. Como você enxerga e avalia esse árduo processo de criação de um perfil sonoro?

Oi! Estou bem, obrigado por me receber. Acho que nunca conscientemente decidi focar em um perfil sonoro – sempre pareceu bem automático para mim. Faço um grande esforço para ser fiel aos meus instintos no estúdio. Naturalmente, certos sons, atmosferas, progressões de acordes e ideias me atraem, também acho que o som que vem da minha música é, principalmente, o resultado de apenas criar o que eu quero ouvir.

Curiosamente, recentemente comecei a fazer uma faixa que eu queria que soasse comovente e emocional, fracassei totalmente. A mesma coisa quando tento fazer uma “grande faixa para a pista” – se eu tenho o produto final, gravadora ou gênero em mente quando começo o processo, quase sempre falho. As coisas funcionam muito melhor para mim se eu trabalho de forma intuitiva e sem um plano.

Você é um artista acostumado a trabalhar com grandes gravadoras da comunidade internacional. Trabalho após trabalho, quais foram os principais aprendizados que você obteve junto a estes labels? O que você considera mais importante no relacionamento entre artista e gravadora?

Acho que, como artista, uma coisa importante a ter em mente com os A&Rs do label é que você deve sempre ouvi-los e considerar suas ideias, mas também mantenha sua posição se você não concordar. Isso envolve tirar seu ego e colocar a música em primeiro lugar. A dance music é uma indústria enorme agora, mas eu sinto que as conexões pessoais entre artistas e labels estão mais próximas do que nunca – principalmente com as boas gravadoras. Então acho que é muito valioso manter um bom relacionamento que coloque o foco em fazer a música da melhor forma possível.

Viver na Inglaterra representa estar frequentemente em contato com uma das principais escolas da house music no planeta. De que forma o background musical britânico influenciou você enquanto DJ e produtor?

Me sinto sortudo por ter ficado imerso em muitas cenas ao longo dos anos. Quando comprei meu primeiro par de toca-discos, aprendi a mixar tocando com discos difíceis de house no meu quarto em Bournemouth, na costa sul, mas rapidamente mudei para o drum n bass. Quando me mudei para Londres, encontrei um amor pelo Booka Shade, tudo sobre a BPitch Control, festas Bugged Out, Erol Alkan, french electro, ínicio do dubstep e tudo isso me levou ao minimal, depois deep house e techno. Vejo o apelo em quase todos os gêneros quando eles surgem, então me sinto sortudo por estar perto dessas cenas enquanto elas florescem.

Estamos nos aproximando do que deve ser um dos lançamentos mais importantes de sua carreira até aqui. O que você pode nos contar sobre Trooper, seu EP de estreia pela Life & Death?

Trooper foi uma faixa que produzi há aproximadamente 2 anos, logo depois percebi que precisava me aproveitar mais tempo no estúdio. Passo muito tempo aperfeiçoando as gravações de outras pessoas, pensando demais em coisas que eu preciso lembrar no processo. Foi assim que acabei com Trooper e Laminated. Toquei por 6 meses ou mais, então Manfredi (Tennis) pediu para lançar imediatamente.

O que representa pra você receber a confiança do DJ Tennis e ser remixado por Ron Trent e Sebra Cruz?

DJ Tennis é uma grande inspiração para mim. Eu acho realmente encorajador ver pessoas que estão há anos na cena, mas ainda mantém um entusiasmo infantil e mente aberta a música, enquanto ainda consegue tocar uma gravadora, 5+ gigs por semana, lançar música boa e outras coisas. Estamos em contato e eu valorizo muito seus conselhos. Ron Trent é um dos pilares do deep house para mim, acho que ele quebrou naquele remix, assim como Sebra, que descobriu uma atmosfera na faixa que nem mesmo eu conhecia.

Uma de suas faixas que eu mais gosto é Vitamins, presente no EP Sienna lançado pela Pets Recordings. Como foi o processo criativo deste trabalho?

Obrigado. De vez em quando, ainda toco essa nos meus sets. Lembro de fazer os beats primeiro e depois ficar preso tentando achar o elemento principal. Tive a ideia de explorar algumas notas de piano e tocando no meu teclado, com alguns acordes e processamentos diferentes. Gravei tudo direto no áudio. Então, cortei a minha própria gravação, como se eu estivesse sampleando eu mesmo. Foi assim que acabei com o ritmo do piano.

Quais são suas principais resoluções para 2019?

Eles são quase chatos demais para digitar. Resumindo: ser mais saudável, proteger meus ouvidos, relaxar mais.

8 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Eu passo, em média, 8 horas por dia trabalhando em minhas músicas ou de outras pessoas, então durante todos esses anos minha mente foi treinada para ser muito crítico com melodias, qualidade de produção, letras e até os próprios sound systems. Quando estou longe do estúdio, acho difícil ouvir música sem me envolver, então se tem música ruim tocando, em uma loja, rádio, ou trilha sonora de algum documentário na TV, eu não consigo ignorar, torna-se meu foco principal. Uma das coisas estranhas da vida moderna, principalmente quando você mora em uma cidade, é que você ouve umas 50 músicas por dia, sem ao menos escolher alguma delas. Então, para mim, a música representa uma dualidade – em que é a minha coisa favorita no mundo, também algo que estou sempre fugindo.

A MÚSICA CONECTA.

                                                                                                                                                                                                                                                                              


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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