Josh Wink é um dos nossos heróis dentro das cenas house e techno. O artista americano vai contra as regras quando o assunto é arte, ideal esse que abriu um leque de opções infinito para criação de sua música. Seu contato inicial com a arte foi aos 13 anos e logo ele percebeu que produzir música não seria uma escolha e sim o único caminho a seguir.

Após algumas experimentações e trabalhos, em 1994,  ele criou a Ovum Recordings, gravadora que até hoje segue como um oásis de qualidade dentro da dance music. Desde então, Josh roda o mundo espalhando seu trabalho como DJ, produtor e boss label. O DJ e produtor da Philadelphia foi um dos primeiros artistas que alcançaram sucesso internacional, produzindo e tocando música underground.

Seu primeiro álbum foi lançado em 1996. Left Above The Clouds saiu pela Nervous Records e antecedeu HearHere, lançado em 98 pela Ovum. Em 2003, mais um trabalho para Ovum, dessa vez o aclamado 20 to 20. 2008 ficou marcado pelo release de When a Banana Was Just a Banana, novamente por sua gravadora Ovum Recordings. No intervalo disso tudo, vale ressaltar que Josh se manteve ativo, colaborando com uma série de artistas de ponta e colocando no mercado diversos singles e EPs que se tornaram hits na pista.

Apesar de possui uma relação antiga com o Brasil, Josh Wink nunca tocou no Warung. Sua estreia estava marcada para Janeiro desse ano, mas um atraso da American Airlines acabou adiando a gig para o próximo sábado. O americano chega sob grande entusiasmo e expectativa, sentimentos que podem ser observados nas palavras de Leo Janeiro, residente do Warung, grande fã do trabalho de Josh e responsável por conduzir a entrevista abaixo. A música conecta as pessoas!

1 – Você começou cedo a carreira como DJ. Como é estar tanto tempo nessa profissão e ainda manter uma carreira tão intensa?

A paixão ajuda! Eu ainda amo o que eu faço, tanto quanto quando eu comecei em meados dos anos 80. É muito mais fácil fazer algo por um longo período de tempo quando se há uma intensa paixão!

2 – A Philadelfia é uma cidade com muitos artistas ligados a música. De alguma maneira, isso influenciou sua carreira?

A Philadelfia em si me influenciou. A cultura, as pessoas, o modo de vida. A música realmente não me influenciou até que me tornei um DJ e comecei a buscar por vinis. Então, tive uma compreensão muito melhor da importância da música da minha cidade, quando sai de Philly.

3 – A Ovum é um dos selos mais importantes dos últimos tempos e pessoalmente um dos labels que mais me influenciou musicalmente. Como é manter durante tanto tempo algo que continua soando sempre muito bem?

Obrigado pelas palavras! É difícil manter um rótulo, especialmente por 22 anos. O que costumo destacar nessas perguntas sobre a Ovum é a integridade. Nós sentimos que se mantermos nossa integridade na frente, coisas boas virão. Assinamos músicas que tocam nossos corações… nem sempre elas estão na tendência. Mas, sou feliz por ouvir comentários como o seu e também por ouvir nosso catálogo e não sentir que nossos lançamentos soam datados ou tendentes a uma época. Este é um dos ideais mais importantes para nós.

4 – Você acaba de lançar o Profound Sounds, um podcast aonde os sets são gravados pelas suas gigs em todo mundo. Fale um pouco da ideia e por que só agora fazer algo nesse formato.

Eu tenho feito esse podcast semanalmente durante os últimos 6 anos para uma rádio nos EUA, com distribuição na Europa. No entanto, sentimos que a apresentação de um dos shows por mês como um podcast seria algo bacana que os fãs e os futuros fãs iriam apreciar. Estamos percebendo que isso tem funcionado exatamente assim!

5 – “Higher State of Consciousness” foi uma música que mudou bastante a cena musical da época. Me lembro que na Bunker 94, no Rio de Janeiro (isso há muito tempo) eu estava em uma noite sua lá e as pessoas que estavam na pista gritavam na primeira virada, uma típica emoção como se fosse um gol no futebol. Como você vê esta faixa sendo um clássico até hoje?

Estou feliz por saber que ela causa a mesma reação hoje, se comparada quando foi originalmente lançada, há 21 anos. É loucura pensar isso.

Eu me lembro dessa gig no Bunker! Momentos de diversão jovem. Muito legal que você estava lá. Impressionante!

6 – Nos seus sets, inclusive nos que eu escutei recentemente, há sempre algo com seu DNA. Como é pra você, se manter fiel as suas raízes?

Obrigado novamente! É engraçado como as pessoas tem comentado as mesmas coisas a respeito dos meus DJ sets e minhas produções. Elas costumam dizer “Há algo nisso, você sabe que é do Josh Wink”. É realmente incrível ouvir isso, algo que eu não posso explicar, apenas dizer que minha integridade criou esse estilo, o que é muito legal.

7 – Quais sãos suas recordações das gigs no Brasil?

Tenho viajado para o Brasil algumas vezes nos últimos anos. Não muito, mas o suficiente para conhecer um pouco as grandes cidades e viajar para algumas menores também, desde o fim dos anos 90 até agora. Você tem um país mágico, enorme e há espera para ser descoberto. Na maioria das vezes eu fiquei no Brasil por apenas dois dias, o que torna difícil obter mais conhecimento sobre. Mas, sempre há grandes memórias e estou ansioso para as futuras!

8 – “When a Banana Was Just a Banana” é um dos nomes mais legais que eu vi nos últimos anos para um álbum, além de ser um trabalho com sonoridades diferentes – techno, deep, tech house. Até que ponto este background de anos de experiência é importante para se fazer um álbum?

Nosso background nos torna quem somos. A experiência de vida é o que molda tudo o que fazemos. Então, sim, se é consciente ou não, qualquer coisa que fazemos é usado a partir do nosso passado.

9 – Esse fim de semana você estreia no Warung, que é considerado por muitos o templo da música eletrônica. Quais são as expectativas?

Estou super animado! Tenho vontade de tocar lá já há alguns anos, mas infelizmente nunca deu certo. Em Janeiro fiquei profundamente chateado após o meu voo da American Airlines atrasar por 14 horas, fato que me fez perder a gig – não foi uma experiência divertida ficar preso no aeroporto JFK por tanto tempo. E sim, os artistas falam muito sobre como o Warung é, estou empolgado para finalmente experimentar a ‘temple experience’.

10 – Para finalizar, pode nos falar um pouco a respeito do futuro? Novos projetos, músicas, carreira… o que vem por aí?

Música! Um mini ou full LP em trabalho. Uma faixa exclusiva para cada uma dessas duas compilações: 25 years of Soma Recordings e Cocoon Recordings Compilation. Lançamento do meu remix para Luke Slaters e meu debut na Boys Noize Records com remixes de MonoJunk e Truncate. Além disso tudo, grandes músicas a caminho na Ovum.

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