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Klaudia Gawlas chegou lá com disciplina, dedicação...

Klaudia Gawlas chegou lá com disciplina, dedicação e muito esforço. Confira entrevista exclusiva!

Se as mulheres ainda não possuem uma representatividade numérica próxima a dos homens no hall dos principais eventos internacionais, ao menos estão muito bem representadas pelas artistas que já chegaram lá. Ano passado, por exemplo, Klaudia Gawlas foi um dos destaques da edição principal do Awakenings, tradicionalmente realizada na Holanda. A DJ e produtor alemã entregou um set intenso, bem construído e arrebatador no evento. Ouça abaixo:

Quem acompanha a carreira de Gawlas sabe de suas principais qualidades e características. Desde o começo da década ela tem desenvolvido um trabalho exemplar como DJ, produtora e label boss do selo MOD. Seu techno tem emocionado fãs por todas as pistas que passa e seu álbum de estreia, Zeitgeist, lançado em 2013, foi sucesso absoluto de crítica e ajudou a posicionar Klaudia ainda melhor no mercado. Somando talento e experiências internacionais em países como Argentina, Bélgica, Portugal, Grécia, Suíça, Áustria e Alemanha, Gawlas tem se afirmado como uma artista formadora de opinião com potencial para seguir evoluindo.

Nesse bate-papo exclusivo, Klaudia fala sobre sua experiência frente a grandes festivais, caráter global do techno, seu label MOD, cena clubber da Alemanha em muito mais. Confira:

Alataj: Olá, Klaudia! Obrigado por nos atender. Awakenings, Tomorrowland, Love Family Park, Time Warp. A lista de festivais que você já participou é grande, não é mesmo? Fale um pouco sobre seu processo de preparação para gigs tão importantes como essa.

Klaudia: Olá, Brasil! Claro, é ótimo ter feito parte desses eventos incríveis. Principalmente tocar na edição brasileira do Tomorrowland, foi bom para mim e foi minha primeira gig no Brasil, tenho as melhores lembranças. Bem, eu não tenho uma preparação especial antes dos meus shows. Talvez eu durma muito, mas basicamente é isso. 

Podemos dizer que o techno, originalmente criado em Detroit, evoluiu para um estilo com referências globais atualmente. Na sua visão, cada região do planeta tem produzido algo diferente dentro do estilo ou isso é uma característica que varia muito mais de artista pra artista do que propriamente por região, como era antigamente?

Eu acredito que seja um pouco dos dois. O techno varia de região para região, mas em um país, as diferenças entre os artistas podem ser como você pronunciou.  

Sobre a MOD. Ter seu próprio selo modificou a forma como você enxerga o mercado enquanto negócio? Quais foram as principais dificuldades que você enfrentou para manter um bom trabalho desde 2012 a frente da gravadora?

Não alterou minha visão do mercado até agora, pois ainda é um pequeno selo e é mais um hobbie para lançar música. Não somos tão grandes com promoção e coisas do tipo. Então, ainda sou uma artista, que adora e aprecia a música. As dificuldades geralmente estão no processo de lançamento. Como isso depende de muitos estágios e pessoas, às vezes é um pouco irritante quando as coisas dão errado e um lançamento está atrasado, porque em algum lugar, alguém não fez seu trabalho corretamente.

Quão importante para o seu desenvolvimento artístico foi a cena clubber da Alemanha? Fora de seus momentos de trabalho, quais são suas atividades preferidas quando está de folga?

Eu diria que foi muito importante para mim, porque por muito tempo antes de começar a tocar, eu ia à grandes raves. Claro que nossa cena e nossos clubs me influenciaram muito, foi assim que comecei a gostar de techno.

Quando tenho tempo livre, adoro passar com familiares e amigos, também gosto de fazer caminhadas quando meu tempo permite. Às vezes só preciso do silêncio das montanhas.

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Certamente você é o tipo de artista que está a todo momento procurando por novos sons e artistas. Nos últimos meses, o que tem captado mais sua atenção?

Há sempre novos artistas talentosos. No momento, estou apaixonada pelas faixas de Flug. Sempre que ele me manda novas, gosto de tocar todo fim de semana e elas realmente botam a casa abaixo.

Seus últimos anos foram agitados, com muitas gigs fora de seu país de origem, não é mesmo? Como você tem buscado equilibrar produção e tours em meio a um calendário tão disputado?

Acredite, equilibrar estas duas coisas definitivamente não é fácil. Às vezes, estar em tour tira tanta energia que você precisa de muita disciplina para ir ao estúdio criar novas músicas. Mas uma vez que começo, isso recarrega milagrosamente minhas baterias. Em geral, eu adoraria ter mais tempo para produzir novas faixas, mas acaba ficando para trás por causa da minha agenda agitada.

Esse ano você completa 15 anos como DJ, certo? Ao longo desse período, certamente você aprendeu muito sobre a cultura DJing. Na sua opinião, o que separa um bom DJ dos demais?

Em primeiro lugar, acho que todos que amam a música que tocam são um bom DJ. Mas você também precisa de paixão, disciplina e resistência para ter sucesso no que faz. Entretanto, você não deve esquecer o papel que o público tem. Quando o público enlouquece, o DJ definitivamente fez um bom trabalho. Mas quem sou eu para julgar quem é ou quem não é bom?

Pouca gente leva em consideração, mas escolher a carreira de DJ traz muitos desafios diários e diferentes de outras profissões. No seu caso, o que você precisou deixar de lado para seguir seu sonho?

Eu nunca tinha dinheiro quando comecei minha carreira. Comprar equipamentos e todos os discos era incrivelmente caro naquela época. Então, foquei tanto na música que deixei um pouco de lado a escola e minha família também não me via muito. Olhando para trás, eu deveria ter tentado passar mais tempo com minha família.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Acho que ela completou todas as partes que faltavam na minha vida. Eu simplesmente amo música e não poderia viver sem.

A música conecta as pessoas! 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n’ Lights Management.

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