Alataj entrevista Man Power

Se há algo que realmente pode transformar por completo a vida de um artista, este algo é o contato com diferentes culturas e povos. É claro que toda essa questão que envolve fronteiras geográficas tem se tornado mais turva com o passar dos anos, mas inegavelmente viajar o mundo e conhecer pessoas de origens distintas ainda (talvez sempre será) algo transformador.

+++ Conheça a essência do Fabric, em Londres. 

Man Power, alcunha artística do DJ, produtor e dono de selo Geoff Kirkwood, já teve a oportunidade de beber influências diretamente da fonte de países como Inglaterra, México e Alemanha, que em determinado momento foram chamados de lar por Geoff. Atualmente baseado em Londres, este renomado artista é o líder da Me Me Me Records e enxerga a música através de uma ampla gama de estéticas e referências.

Em maio, Man Power lançou seu novo álbum de estúdio. Now Now Now 1: Man Power “This Is Not An Album”, pode até parecer confuso pelo nome, mas é claro aonde quer chegar através de suas 8 faixas originais e inéditas. Outro destaque recente da discografia de Geoff é o trabalho para Full Capacity, do Infinity Ink, no disco de remixes da dupla que saiu na última sexta-feira (14). Aproveitamos o momento para correr uma entrevista com DJ e produtor:

+++ Quero ler a entrevista com Infinity Ink!

Alataj: Olá, Geoff! Tudo bem? Obrigado por falar conosco. Inglaterra, México, Alemanha: cada um desses países deve representar algo importante na sua formação musical. Como você se relaciona com esse background geográfico no ponto de vista artístico?

Man Power: Crescer no nordeste da Inglaterra definitivamente ajudou nos fundamentos da minha abordagem musical. Nos anos 80, o mundo estava menos conectado e acho que as regiões tinham uma atmosfera mais distinta, até os anos 90, quando comecei a frequentar clubes e raves.

Newcastle sempre teve uma cena local muito melódica, o que eu acho que você pode perceber por nossas bandas famosas como Prefab Sprout, Dire Straits e Lindisfarne, mas também foi um dos lugares em que house e techno nasceram, assim como no Reino Unido, e eu acho que essas são duas grandes influências que você consegue notar na minha música (entre muitas outras).

Na época em que morei em Berlim ou no México, acho que fiz parte de uma cena globalmente voltada para a Internet. Quer dizer, eu sempre estive interessado em discos de todos os cantos do mundo, mas quando me mudei, não era mais um caso em que a geografia tornava mais fácil ou difícil ouvir ou comprar qualquer tipo de música.

Me Me Me Records. Principais dores e conquistas dessa bela trajetória?

Acho que o primeiro lançamento vai ser para sempre um marco. Eu diria que as pessoas começaram a prestar atenção com o remix de Pional para Pale Blue, então se destacou para mim também, mas para ser sincero, cada novo lançamento é especial e parece outro marco em uma jornada consistentemente incrível. Ainda estou chocado e maravilhado pelos artistas incríveis que tem nos confiado suas músicas.

É claro pra gente que seu trabalho é influenciado por uma ampla gama de sons e referências. Como é organizar tudo isso de forma que faça sentido tanto na produção quanto discotecagem?

Nada disso faz muito sentido se eu escrever, mas parece funcionar quando você consegue ouvir. Isso vale para o DJing e para a produção. O que posso dizer é que meus gostos surgem muito mais naturalmente quando estou em um bom estado mental e relaxado, então apenas tento ficar relaxado e confiante sobre quem eu sou e o que eu faço.

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This Is Not An Album é, para os critérios da indústria, um álbum. O que te moveu nesta produção e o que representa exatamente esse jogo de trabalhos? É como um marketing reverso?

É um álbum para todos os efeitos, mas do ponto de vista pessoal, preciso de um certo elemento de coesão criativa no processo de escrita de um álbum. Não significa que precisa ter um conceito por trás de algo para ser um álbum, mas uma paridade nos métodos de trabalho, bem como alguns motivos e o estado de espírito é fundamental. Caso contrário, é apenas uma coleção de faixas que fluem, como nesse lançamento.

As faixas funcionam juntas, mas para mim é só um EP, já que as faixas não foram criadas para completar uma a outra, mesmo que completem.

Você é um artista com o privilégio de já ter tocado em alguns dos principais clubs e festivais do mundo. Atualmente, como funciona sua preparação para as gigs? Isso muda de acordo com a relevância de cada uma?

Acho que se você já tocou em alguns lugares, você consegue ter noção de quais aspectos seus vão ter respostas melhores e isso te influencia em um nível. Nesse estágio e nível estou mais preocupado em apenas tentar me representar com a maior sinceridade possível.

Percebo que, aos poucos, a figura e o conceito por trás de um bom DJ tem se transformado. Na sua visão, o que diferencia um bom DJ atualmente comparado ao começo do século? Aliás, tem alguma diferença nisso ou é basicamente sobre colocar as pessoas pra dançar?

Em sua essência, sempre será sobre usar a música para compartilhar um pouco de você com outras pessoas, de uma forma que ambos tenham uma experiência em comum e um tipo de conversa não verbal (geralmente envolvendo a dança).

À medida com que as pessoas têm acesso a mais música e cada vez mais coisas são gravadas e compartilhadas, está se tornando cada vez mais difícil encontrar músicas específicas para você. Isso significa que as faixas têm menos vida ou se tornam clássicos excessivamente usados, com muito pouco espaço para existir entre esses dois estados. Então, o nosso “underground” tem muito mais em comum com o mainstream atualmente. Por fim, conceitos como underground e mainstream, são bastante insignificantes para o prazer individual de uma experiência.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Representa muita coisa.

A música conecta.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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