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Alataj entrevista Marc Romboy

Alataj entrevista Marc Romboy

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Como o cenário da música eletrônica é relativamente jovem, temos a sorte de ainda poder contar com alguns profissionais que ajudaram a moldar o que conhecemos como house e techno hoje, atuando em alto nível. Um destes nomes é o do alemão Marc Romboy, dono de uma mente criativa e responsável por trabalhos elogiados com seu selo Systematic Recordings.

Inserido no alto escalão internacional da música eletrônica desde o início dos anos 2000, Marc já é um veterano, mas que ainda mantém acessa a chama da juventude em seu trabalho. Ao longo dos últimos anos, Romboy tornou-se sinônimo de um som globalizado, livre de rótulos e marcado pela experimentação. Nesse caminho, ele passou a colaborar com labels de extrema influência para a cena global, entre eles Innervisions, 20:20 Vision, Ovum e Kompakt.

Paralelamente a isso, no ano passado, Marc Romboy protagonizou um excelente trabalho junto a Orquestra Filarmônica de Dortmund, num espetáculo transmitido pelo Boiler Room. Qual a chama para manter-se fresh mesmo após tantos anos? Não confiar em truques ou obviedades e fazendo da música uma poderosa ferramenta de conexão. No embalo de sua tour pelo Brasil que passou ontem pelo D-EDGE e nesse fim de semana chega ao Mobil Club em Londrina e Levels Sunset em Porto Alegre, falamos com ele:

Alataj: Olá, Marc! Tudo bem? É um grande prazer falar com você. Quando e como você percebeu exatamente que música eletrônica seria mais do que uma paixão? Você acredita ter impactado a vida de algumas pessoas por conta de seu trabalho?

Marc Romboy: Estou muito bem, obrigado por perguntar. Esse ano tem sido maravilhoso até agora e estou aproveitando as coisas que estão acontecendo. Para voltar a sua pergunta, minha paixão pela música eletrônica deve ter começado quando eu tinha quatro ou cinco anos. Minha avó costumava ouvir a Radio Luxemburg, uma estação com uma perspectiva visionária no passado. Eles sempre tocavam “Autobahn” de Kraftwerk e depois “The Robots”. Sem saber muito bem o que essa música do espaço era, eu sempre perguntava a minha avó quando as músicas tocariam novamente [risos].

Innervisions, Ovum, Kompakt e a sua Systematic Recordings. Na sua opinião, quão importante uma gravadora é para o desenvolvimento artístico de um produtor na atualidade? De que forma os selos citados impactaram o desenvolvimento de sua carreira?

Hoje, os selos são muito mais do que apenas uma marca, eles são como filtros onde você tem a melhor música selecionada por um DJ, o qual você segue e cujo o gosto você identifica. Essa é a razão pela qual eu decidi lançar em gravadoras como Kompakt ou Innervisions. Consigo me identificar com a filosofia e o gosto dos selos.

Quando você criou a Systematic, em 2004, o mercado das gravadoras e a indústria eram completamente diferentes, certo? Como você avalia a atual forma que o público consome música? Ao seu ver, trabalhos mais densos como full lenghts, perderam um pouco de força dentro da indústria?

Sim, era diferente na medida em que vinil e o CD tinham mais influência na forma que as pessoas estavam consumindo música. Hoje, a quantidade de opções de como e onde ouvir música se tornou maior e eu gosto dessa situação. Uso plataformas streaming quando estou na estrada e toco discos de vinil quando estou em casa sentado no sofá, algo para cada situação, legal.

Grandes festivais ou clubs undergrounds: qual dessas duas atmosferas te deixa mais confortável quando está discotecando? Você possui algum club ou pista preferida ao redor do mundo?

Foi no club que a dance music começou e progrediu. Pegue lugares legendários, como o Studio 54 em Nova York ou Front em Hamburgo, onde nossa música foi estabelecida. O club é sempre o lugar onde eu quero tocar, embora os DJs estejam ganhando mais dinheiro em festivais. Gosto do fato de que os festivais estão se tornando cada vez mais importantes, pois eles são uma forma de alcançar novas pessoas, que às vezes não conhecem o techno tão bem e mudam de ideia quando estão em contato.

Em Setembro você retorna ao Brasil para algumas gigs especiais, certo? Nosso país costuma tirar DJs como você da zona de conforto? Quais são suas melhores lembranças de outras passagens por aqui?

Sim, voltarei para o Brasil (D-Edge São Paulo, Londrina e Porto Alegre), um país onde tenho muitos bons amigos e vivenciei noites inesquecíveis. Sim, requer mais esforço voar 12 horas sobre o oceano do que voar para Paris, que leva apenas 45 minutos. Na maioria das vezes, a experiência vale a pena e não me arrependo de nenhuma viagem, embora eu também goste de trabalhar no estúdio. As pessoas me devolvem muita energia, é fantástico.

É notório que o techno evoluiu consideravelmente nos últimos anos, com diversos nomes de uma nova geração desenvolvendo novas texturas para o estilo ao lado de medalhões com décadas de experiência. Como você avalia esse atual momento do gênero em uma perspectiva internacional? Para qual caminho o techno tem caminhado ultimamente?

Hmm, primeiramente, a questão é o que o techno realmente é. Apenas pegue a expressão deep house. Quando você pergunta a pessoas mais jovens, elas têm uma imaginação diferente sobre essa palavra, diferente do que as pessoas que vivenciaram o verdadeiro deep house, por volta do começo dos anos 90. Deep house é, na verdade, um subgênero da house music, combinado com vocais gospel, como o de Robert Owens, que costumava cantar no coral da igreja quando mais novo. A discussão sobre o techno é parecida. Quando olho o top 100 de techno no Beatport, provavelmente encontrarei três músicas que eu considero o verdadeiro techno, no verdadeiro significado da palavra e de onde vem. Techno é uma música que vem de Detroit, produzido por Kevin Saunderson, Blake Baxter e Derrick May. Eles, por sua vez, foram extremamente influenciados por Stockhausen, Kraftwerk, Oscar Sala e até mesmo Johann Sebastian Bach.

Aqui do Brasil temos uma imagem muito interessante sobre a cena eletrônica da Alemanha, mas certamente há alguns problemas por aí também. Nos últimos anos, quais tem sido as principais dificuldades da cena como um todo?

Para ser sincero, não vejo nenhum problema. Tem uma cena incrível em Berlim com Watergate, Tresor e Berghain, mas também tem muitos clubes novos e festas como i.e. Cocktail l’amore. Também tem pequenas cenas vibrantes em Hamburgo, Colônia e Munique. Apenas as cidades menores são um pouco chatas quando se trata da cena clubber.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

A música é o meu tudo.

A MÚSICA CONECTA.

Kerberos de Stephan Bodzin e Marc Romboy foi remixado por Solomun & Johannes Brecht, André Hommen e Matador via Systematic


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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