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Alataj entrevista Mark Fanciulli

Alataj entrevista Mark Fanciulli

Mark Fanciulli carrega no nome a tradição de sua família frente a dance music. Apesar de ser irmão de Nic Fanciulli, esse não é nem de longe um dos principais destaques de sua recente, porém poderosa carreira. Dono de releases por selos como Mobilee Records, Moda Black e Saved Records, Mark se tornou um dos artistas a se observar logo após seu primeiro lançamento, isso no não tão distante 2011.

// O que artistas nacionais e internacionais pensam sobre o futuro do tech house?

De lá pra cá, este talentoso DJ e produtor britânico seguiu aprimorando suas habilidades flutuando seus trabalhos entre house e techno. Suas faixas passaram a ocupar os cases dos principais nomes do circuito internacional e Fanciulli desenvolveu uma ótima desenvoltura frente a diferentes tipos de pista, graças a uma profunda e contundente pesquisa musical.

Após uma série de lançamentos importantes em 2017, Mark Fanciulli está consolidado no cenário internacional e nesse fim de semana chega ao Brasil para tocar sábado no Jardim Elétrico da Radiola em Curitiba. Antes disso, ele concedeu uma entrevista exclusiva ao Alataj, além de uma faixa free download. Isso mesmo, pode acreditar : 

Alataj: Olá, Mark! É um grande prazer falar com você. Seu primeiro lançamento é relativamente recente. De 2011 pra cá, ano do seu primeiro disco lançado, o que mudou no seu processo criativo?

Mark Fanciulli: Com o tempo, me tornei menos disciplinado e mais relaxado. Por exemplo, ao usar sintetizadores, tento manter as notas um pouco soltas agora, pois acho que isso dá mais personalidade às faixas. Isso é algo que aprendi trabalhando com meu amigo Zoo Brazil.

Joris Voorn e Carl Craig são dois caras que tem aberto as portas de seus labels pra você. O que representa ter o suporte de dois nomes tão importantes? Você tem alguma espécie de mentor na música?

Quando Joris lançou The Tide em seu selo Rejected, as coisas realmente começaram a ficar loucas para mim. Eu estava recebendo muito mais atenção, mais bookings e mais solicitações de EPs e remixes. Eu já era amigo de Joris antes e tinha feito shows com ele ao redor do mundo, mas um que realmente se destaca para mim foi em 2012, quando nós dois tocamos juntos no México e foi a nossa primeira vez lá. Nós tocamos nossos sets e depois fomos para um b2b, é uma memória que eu sempre vou apreciar.

Carl sempre foi igualmente acolhedor e acho que ele começou a notar minha produção no lançamento Sacrifice na Saved. Depois disso, começamos a fazer shows juntos através do nosso booker, que era o mesmo, e isso evoluiu em lançar o EP em seu selo pioneiro, Planet E. É incrível ter desenvolvido um ótimo relacionamento com dois artistas que estão no topo do seu jogo e poder se inspirar em suas produções e sets. Se eu tivesse que juntar outro nome, eu diria que Laurent Garnier é um mentor. Quando você o ouve tocar é como uma sessão educativa.

Você é uma cria da cena house britânica e certamente aprendeu muito com o histórico desse cenário. De que forma isso influenciou a construção de sua personalidade enquanto artista?

Quando as pessoas perguntam que tipo de DJ eu sou, digo a elas que “eu sou um DJ de house e techno”. Você vai me ouvir tocar aqui, mas o que você vai ouvir nesse set depende de onde é a festa e o que a multidão quer. Continuo vasculhando os discos do final dos anos 80 e 90 da cena rave na Inglaterra, já que há muitas coisas que ainda podem ser tocadas em clubs e também me inspiram para o estúdio. Um lançamento que reflete isso é um EP que eu lancei no selo Play It Say It do Seth Troxler no ano passado.

Você é um cara que ainda costuma comprar discos? Se sim, quais são suas record shops preferidas do momento?

Adoro comprar discos, isso proporciona muitas coisas, mas uma das mais importantes é a inspiração, faz a sua criatividade fluir. Posso estar em uma loja e comprar uma faixa de techno de 1990 e pensar “vou fazer um disco como esse”. Pode ser a forma como os tambores são distorcidos ou o modo descontraído que foi programado. Minhas lojas favoritas são Vinyl Pimp em Londres, Nostalgipalatset em Estocolmo e Amoeba em Los Angeles.

Vinyl Pimp em Londres

Seu histórico de gigs nos revela passagens por algumas das cidades mais interessantes no mundo. Sei que essa é pergunta é difícil, mas vamos lá: qual a sua cidade preferida para tocar nesse momento?

Neste exato momento eu diria Nova Iorque. Eu já toquei muitas vezes lá, mas em outubro toquei no Panther Room do Output. Já havia tocado no Output antes, o que foi incrível e todos os meus amigos estavam me dizendo o quão legal era o Panther Room e fez jus à sua reputação. Eu estava em uma verdadeira felicidade natural no dia seguinte, a gig tinha sido tão boa e eu tinha alguns amigos comigo na cidade. Era meu aniversário e embora eu estivesse longe da minha família, o que não era o ideal, tive um ótimo dia conferindo as festas do bairro e descobrindo o porquê de Nova Iorque estar vivendo uma verdadeira alta na vida noturna.

Sobre as turnês? Você sente que isso causa prejuízos no seu tempo no estúdio? Você tem um cronograma ou uma “fórmula” que possibilite manter isso equilibrado?

Não acho, se você é bom com o seu tempo, você pode fazer isso. Faço muito rascunhos quando estou na estrada, pois é quando estou mais criativo e quando volto para casa, termino as ideias.

Quão animado você está para essa gig no Brasil? O que você tem ouvido falar a respeito da cena brasileira?

Assim que o convite apareceu, eu só quis aproveitar o momento e estar lá e estou feliz que está quase chegando. Já toquei no Brasil antes em clubs como o Warung, então eu entendo como as festas podem boas. Vai ser ainda mais especial, pois vou tocar ao lado de Honey Dijon e ela está on fire. No ano passado, o remix dela de um dos meus lançamentos ficou muito bom, então vai ser legal passar um tempo com ela.

Nós enxergamos a música como uma forma de conexão entre as pessoas. E você, como a enxerga?

Eu também enxergo assim, mas gosto de olhar mais profundamente para ela, o que mais ela é capaz. Por exemplo, como é uma ferramenta poderosa que pode contar uma história e descrever uma emoção. Eu gosto de olhar além da pista de dança… a forma como ela é usada em trilhas sonoras, etc.

A MÚSICA CONECTA. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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