Alataj entrevista Mascaro

Entrevista por Victor Flosi

Absorver experiências de vida em diferentes lugares e uni-las ao conhecimento de mercado são algumas características que foram fundamentais no desenvolvimento do DJ e produtor Gabriel Zeitunlian aka Mascaro. Há mais de 10 anos cultivando uma jornada íntima com a música eletrônica, o artista viveu boa parte de sua adolescência na Itália e ao voltar ao Brasil trouxe consigo uma bagagem repleta de referências internacionais.

Inspirado por Loco Dice, Laurent Garnier e em especial por Martin Buttrich, que para ele é um dos produtores mais completos e diferenciados do mercado hoje em dia, Mascaro, atual residente do AME Club, acaba de lançar seu EP de estreia, intitulado Panorama e assinado pela Primatas Records. O EP é a representação do que ele realmente desejava transmitir, acreditando que a melhor técnica é saber a intenção e a sensação que deseja causar no ouvinte.

Em entrevista exclusiva, trocamos algumas palavras sobre este importante projeto pessoal, descobrindo alguns detalhes especiais do disco e falando também sobre seu desenvolvimento como artista. Acompanhe:

Alataj: Olá, Mascaro. Obrigado por topar conversar com a gente. Primeiramente, como você se envolveu com a música eletrônica?

Mascaro: Meu primeiro contato foi na Europa, há 13 anos atrás, na Itália, em um club chamado Il Muretto, muito conhecido por lá e que até hoje continua aberto. Tive a sorte de conhecer pessoas muito ligadas a música eletrônica quando morei fora, por isso, acabei me envolvendo na cena e desde então todo esse mundo faz parte da minha vida.

Você ficou um bom tempo pela Itália, certo? Como essa experiência te influenciou artisticamente? Há como comparar o mercado de música eletrônica de lá com o nosso?

Morei na Itália por seis anos, dos 13 aos 19, e posso afirmar que foi uma experiência única. Todas as minhas influências vieram de lá, desde dos gêneros musicais que eu escutava até os artistas que tocavam na época. Há muitas diferenças entre os dois mercados, é difícil comparar um com o outro, acho que temos algumas coisas para melhorar ainda por aqui.

Você é residente do Ame Club, um dos venues expoentes da cena underground no Brasil. Conta pra gente como surgiu essa oportunidade?

As primeiras conversas aconteceram em Amsterdam durante o ADE de 2016, meu primeiro ano no evento. Fui com alguns amigos pra lá e um deles era o Mario Sergio Albuquerque, um dos sócios da Laroc na época. O Ame club nem existia ainda, mas foi ele que acreditou no meu potencial e me deu a oportunidade de ser residente, me ensinou muitas coisas.

Tive experiências muito boas nesses anos de residência no Laroc, toquei ao lado de grandes nomes da cena mundial e amadureci muito como artista. Depois de um tempo o Ame club nasceu e eu me tornei residente da casa. Muito feliz em fazer parte do time.

O surgimento da Ame Club juntamente com o CAOS Campinas mostra uma nova tendência no estado em São Paulo, que já contava com selos como ODD, Tantša e o D-EDGE. Você acredita que temos mais espaço? Como você enxerga esse movimento?

Acredito que existe muito espaço, São Paulo é um lugar enorme, cheio de pessoas que amam música. Isso só mostra que a cena vem crescendo cada vez mais e ainda temos um longo caminho pela frente.

Referências são sempre fundamentais na identidade de qualquer artista. Atualmente qual DJ/produtor mais te inspira e por quê?

Muito difícil escolher apenas um, mas vamos lá. É raro achar um artista que faça as duas coisas com excelência, muitas vezes um bom DJ não é um bom produtor e vice e versa, os que conseguem são os que mais se destacam no final. Loco Dice foi um cara que me influenciou muito desde de quando eu comecei a escutar música eletrônica, as produções dele sempre tiveram muita personalidade , tracks como How Do I Know , Seeing Through Shadows, e La Esquina são musicas de 2006/2008 e ainda soam absurdamente bem hoje em dia. Além disso ele é um monstro nas pick ups, então, fico com Loco Dice.

Você acredita que a cena underground no Brasil está ganhando mais corpo com o aumento da vinda de festivais internacionais?

Com certeza! Se eles estão vindo é porque sabem que o mercado está crescendo, a vinda de labels como Elrow, Circoloco, DGTL e outros mostra isso claramente, um aumento na demanda do underground.

Falando um pouco sobre o EP Panorama, como foi a produção e qual a mensagem você buscou passar com ele?

Eu utilizei apenas synths analógicos em ambas as tracks, o nome veio justamente disso, fazer algo que eu sempre fazia mas de um outro ponto de vista, de um outro panorama. Costumo sempre tocar musicas com bastante groove, baterias e um bassline bem presente, então nada mais justo do que fazer algo na mesma linha.

A faixa-título tem alguns elementos diferentes no decorrer da música que caminham juntos, stabs de Juno, pads e na chegada do break uma melodia que dá o brilho do som, feita com uma TB 303. Tentei deixar elas leves, sem muita informação para preservar os timbres e deixá-los em evidência. Around segue a mesma linha de tech-house com elementos melódicos e acordes de piano para deixar a coisa mais bonita.

Por fim, qual mensagem você deseja passar aos produtores de apartamento que nos leem?

Se eu posso dar um conselho, eu diria para buscarem sempre autenticidade no som deles, não fazer algo que já foi feito, tentar coisas novas, acho que esse é o caminho. Muito obrigado, Alataj!

A música conecta.


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