Alataj entrevista Melé

O caráter híbrido da dance music nos possibilita surpresas regulares não somente na pista, mas nas plataformas digitais também. Semanalmente somos pegos de surpresas por nomes que apresentam sonoridades contemporâneas sem deixar de lado os ensinamentos e referências do passado. Isso é uma espécie de resgate do velho no novo. Um olhar vintage para o futuro. Ou ainda, uma maturidade irreverente.

Foi em uma dessas viagens em playlists aleatórias do Spotify que nós conhecemos Melé, um dos nomes em ascensão da atual cena house global e aposta da super gravadora britânica Defected desde o ano passado. Melé é um DJ e produtor inglês que ao longo de sua formação musical foi influenciado por timos brasileiros, hip hop e house clássico. Esse mix interessante de backgrounds formou seu perfil sonoro, que definitivamente é algo diferente do que estamos acostumados a ouvir na maioria dos produtores do estilo.

Após emplacar o hit mundial Ambience em 2015 e aprimorar sua técnica nos anos seguintes, suas produções foram parar no case de nomes como Eats Everything, Patrick Topping, Giles Peterson, Jackmaster, Annie Mac e Pete Tong – apenas para citar alguns. Em 2017, Melé lançou boas faixas por Edible e Defected, firmando-se como uma das novas joias da cena. 2018 começou com um release na conceituada Unknown to the Unknown e na sequência ele conquistou sua própria compilação na Defected ao assinar a série The House. Nesse bate-papo exclusivo, Melé fala sobre essas e outras conquistas de sua carreira:

Alataj: Olá, Melé! Tudo bem? Logo no começo de sua bio você cita um amor pelas batidas brasileiras. Como exatamente esse movimento musical te inspirou? Quais são seus artistas brasileiros preferidos do momento?

Melé: Inicialmente, foi ouvindo as faixas de Masters At Work – o álbum Brazillika de Kenny Dope foi algo que gostei muito. Foram DJs como Eric Morillo que realmente me colocaram na house music influenciada pela pegada latina. Essas faixas tinham tanta energia que eu sempre era atraído por esses ritmos. Gosto muito do projeto Sonzeira que Gilles Peterson lançou em seu selo. Eu encontro muitas músicas brasileiras novas através de Gilles.

Seu começo na discotecagem foi ainda muito jovem, com apenas 13 anos. Quão importante isso foi para que você se desenvolvesse de forma profunda com a música eletrônica? Quais são suas lembranças mais importantes desse início de jornada?

A música é algo que sempre amei, ainda estou obcecado em encontrar novas músicas como sempre fui. Quando eu era mais novo e sonhava em ser DJ, eu fazia isso no meu quarto a cada hora que podia. Eu tinha um setup bem básico, mas funcionava para mim. A primeira vez que toquei em um clube, quando eu tinha 16 anos, tive que usar CDJs da pioneer e eu não sabia como usar, pois estava muito acostumado com o meu setup barato. Até hoje tento manter a mesma paixão que eu tinha naquela época.

Ambience representa um ponto de virada importante na sua carreira, não é mesmo? O que você pode nos contar sobre como estava sua vida pessoal e profissional no momento em que produziu aquela faixa?

Sim, Ambience foi um momento importante, com certeza. Foi um ponto em que eu não estava mais gostando da música que estava produzindo ou das festas que estava tocando, achei que precisava de uma mudança de direção se eu continuasse fazendo isso. Na minha cabeça eu quis fazer algo que Alexander Nut poderia tocar em seu show na Rinse FM. Foi uma faixa muito simples que obteve muito reconhecimento.

Nos últimos dois anos você construiu uma relação muito forte com a Defected, especialmente através de alguns lançamentos importantes pelo selo britânico. É possível dizer que trabalhar com a gravadora é como adquirir um selo de qualidade na cena house? O que isso tem representado pra você?

Sim, lançar na Defected com certeza foi algo grande para mim. Eles lançaram muitas das minhas faixas preferidas e tiveram muita influência em minha formação como produtor e DJ.

Até o momento, quais são os destaques de seu trabalho junto ao Club Bad de Liverpool? De que forma ter sua própria festa mudou a forma como você enxerga o mercado?

Cada show que fizemos até agora foi incrível. Organizar festas é uma coisa tão nova e divertida para mim, tudo é muito empolgante. Até agora tivemos DJ Haus, Mason Collective, DJ Boring, William Djoko, apenas para citar alguns. Ter minha própria festa fez com que eu admirasse o trabalho dos promoters e donos de clubes, com certeza. Ainda estou aprendendo muito, mas amo fazer isso.

Club Bad After Movie

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Posted by Melé on Friday, October 12, 2018

Como foi o processo de escolha para a série In The House da Defected? Quais foram os principais desafios que você precisou superar ao longo desse processo?

Levou bastante tempo. Criei uma playlist com mais de 200 faixas e foi a partir daí. Foram tantas faixas ótimas que eu tive que deixar de fora. Eu só quis que o mix representasse da melhor forma quem eu sou como DJ e pessoa, todas as minhas influências e os diferentes caminhos que posso seguir quando toco. Acho que consegui fazer isso muito bem e estou orgulhoso por fazer parte de uma série tão incrível.

Fazendo um paralelo com o passado e as origens do gênero, como você avalia o atual momento do house ao redor do globo?

Tem partes que gosto e partes que não gosto muito. Acho que muita música se tornou descartável, mas isso acontece com qualquer gênero que fique popular. Porém ainda há muita house music incrível por aí, gosto muito de selos como Fuse, Cuttin Headz, Made In Miami e Classic. Eles têm seu próprio som e estão levando o gênero para a direção certa.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Música é tudo, é a primeira coisa que eu penso quando acordo e a última quando vou dormir. Às vezes pode ficar um pouco chato, mas eu adoro.

A MÚSICA CONECTA.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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