Alataj entrevista Mella Dee

Ryan Aitchison é mais conhecido no universo musical como Mella Dee, nome que tem ligação direta com uma das principais características de sua música, a melodia. Ao misturar techno, house e jungle, Ryan chegou até o seu atual perfil sonoro, marcado por um grande mix de referências, por vezes difícil de descrever em palavras, mas extremamente dançante, como a dance music deve ser.

A influência do background rave que pulsa em parte da cena do Reino Unido foi bastante importante em sua formação. Cidades como Leeds, Manchers e Sheffield exerceram uma grande influência na forma como Ryan consumiu música nos seus primeiros anos de contato com a dance music e isso ajudou a moldar esse estilo mais eclético que contempla suas produções e DJ sets.

Considerado uma das novas estrelas da dance music mundial ao lado de nomes como Mall Grab e Denis Sulta, Mella Dee (que inclusive já tocou b2b com ambos) dirige seu próprio label, a Warehouse Music, e através de releases em gravadoras como Shall Not Fade, Defected e 17 Steps, Ryan conquistou o suporte de aritstas do calibre de Daniel Avery, The Black Madonna, BICEP e Radio Slave. Aproveitamos o recente release, Exactly Made, para bater um papo com o DJ e produtor britânico:

Alataj: Olá, Ryan! Tudo bem? Obrigado por falar conosco. Partimos do princípio: por quê exatamente “Mella Dee”? Aqui no Brasil este seria um nome feminino, durante muito tempo pensei que você era uma mulher.

É basicamente como falamos “melodia” onde nasci, apenas o meu sotaque. Passei por isso algumas vezes nos últimos anos, mas não importa, é tudo sobre a música.

House, techno, hardcore, jungle. Como você tem colocado cada uma dessas vertentes na sua música? Misturar tudo de uma forma que faça sentido é uma missão ou apenas diversão?

É a forma como eu vejo a música, não há limites, são gostos pessoais e como você quer dar sentido ao que te influencia. Então, no que diz respeito aos DJ sets, é só garantir que você se apresenta de um jeito que faz sentido para as pessoas e que ainda é verdadeiro para você.

Daniel Avery, The Black Madonna, Bicep, Radio Slave e Len Faki estão entre os nomes que apoiam sua música. O que exatamente ess reconhecimento representa pra você?

Estou muito animado com a minha música sendo tocada em diferentes clubes e espaços em todo o mundo. Ter pessoas que eu respeito e que são alguns dos maiores artistas me apoiando torna isso ainda melhor.

Cada DJ possui um perfil artístico diferente. Alguns se destacam por uma pesquisa contemporânea, outros pelos clássicos. Há também aqueles que discotecam 100% em vinil ou ainda os que buscam misturar diversos movimentos musicais em seus sets. Como tem sido sua busca em relação a construção desse perfil sonoro que é tão importante a longo prazo?

Eu trato música como boa, ruim ou mais ou menos, depois disso é sobre o contexto e o entendimento de onde você está tocando e para quem você está tocando, para adaptar o que você faz a uma situação específica.

Exactly Mate, seu novo EP, será oficialmente lançado no dia 30 de novembro pela Warehouse Music. O que você pode nos contar sobre os desafios que regiam o processo criativo deste release?

Tudo o que escrevo tem seus desafios e cada vez mais eu fico autocrítico. Ao longo dos anos, descobri um jeito de não deixar isso me atrapalhar, principalmente com a Warehouse Music, em que tenho que agradar apenas a mim mesmo e a minha noiva e manager, que dirige o selo comigo, que me ajuda com suas opiniões e ideias.

Londres pode ser considerada uma cidade base para o desenvolvimento da música eletrônica a nível global. Ao longo de sua carreira, como a cultura da cidade impactou suas criações?

Imensamente, porque muito do que sai de Londres influencia o resto do Reino Unido, mas vindo do norte da Inglaterra e tendo morado lá até os 27, realmente o principal impacto sobre mim vem de lugares como Leeds, Manchester, Sheffield, que eram muito acessíveis e também causaram um enorme impacto na cultura da dance music no Reino Unido.

Na sua opinião, quais características são indispensáveis para um artista trabalhar com profundidade tanto sua discotecagem, quanto a produção musical?

Acho que é diferente para cada um, mas para mim é sobre trabalho duro e determinação. Apenas libere a música que você quer e tente continuar progredindo com o que você faz e como você faz. Não há regras.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Se não fosse pela música, não sei o que faríamos

A MÚSICA CONECTA.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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