Alataj entrevista Monoloc

O alemão Monoloc é mais um daqueles artistas que guiaram uma jornada de grandes experimentações até chegar no perfil artístico que conhecemos hoje. Criado na cena punk de Frankfurt, Monoloc vivenciou uma cultura com pontos convergentes e divergentes em relação a dance music durante sua juventude e com sabedoria, soube usar tal visão privilegiada a seu favor.

Por volta dos 17 anos, Sascha Borchardt, seu nome de batismo, mergulhou no universo da produção musical e, novamente, teve paciência para entender qual era o momento certo para dar seu próximo passo. Após uma busca constante por um som que definisse seu perfil enquanto DJ e produtor, Monoloc conquistou a atenção de Chris Liebing e em 2008 passou a lançar pela lendária gravadora CLR Records. Daí pra frente os lançamentos em labels de renome na comunidade internacional passaram a ser algo bastante frequente em sua carreira – Hotflush, Innervisions, Dystopian e Afterlife são alguns dos labels que captaram a atenção de Sascha e trabalharam alguns releases importantes com o DJ e produtor de Frankfurt.

Recentemente, Monoloc esteve em tour pelo Brasil com gig no D-EDGE. Agora, ele retorna para escrever, ao lado de nomes como Tijana T e Vril, o primeiro capítulo solo da Timetech, justamente na festa que marca o lançamento oficial da Tribaltech 2018 – tudo isso em Curitiba no próximo sábado. Antes disso, o convidamos para um bate-papo exclusivo sobre vida e carreira. Vem com a gente:

Alataj: Olá, Monoloc! Obrigado por nos atender. Dystopian, Afterlife, Soma e Hotflush são apenas alguns dos selos que você já colaborou. Pessoalmente e profissionalmente, o que representa pra você trabalhar junto com essas marcas?

Monoloc: São todos grandes selos, cujos estilos inviduais gosto muito, além de serem formados por pessoas ótimas. É por isso que sou ainda mais feliz por ter lançado neles. Cada um desses labels se destaca por um perfil musical de primeira classe – claro que fico muito feliz por fazer parte disso com meus lançamentos.

Em sua bio você cita que cresceu na cena punk de Frankfurt. Como exatamente esse cenário influenciou a sua formação artística?

Não foi apenas a cena punk que me influenciou. Quando adolescente, você experimenta diferentes coisas, então aconteceu que eu estava temporariamente no rock e depois também no hip hop. Todas essas influências formaram o estilo que tenho hoje. Eu acho que o desenvolvimento musical dura uma vida e nunca para.

Atualmente, com muitos compromissos na estrada, como funciona seu processo de criação? Você é do tipo que consegue criar algumas coisas no lap top ou precisa estar em seu estúdio?

Produzir durante uma tour é muito difícil para mim. A viagem é muito cansativa e me tira muita energia. Eu preciso de calma enquanto produzo, então prefiro me esconder no meu estúdio. Como tenho muitos processos criativos, em algum momento eu mergulho em meu próprio mundo e posso criar meus sons – durante a tour, isso não é possível para mim.

Como membro ativo da cena de Berlim, o que você pode comentar sobre o direcionamento que a cena tem tomado nos últimos anos?

Berlim ainda é um caldeirão de raças e um ímã para pessoas de todo o mundo. Isso traz uma enorme quantidade de influências para a cidade, o que faz com que ela se desenvolva rapidamente e dê essa maravilhosa abertura para coisas novas. O mesmo acontece com a cena local de techno – vive das influências globais. Isso é muito inspirador. Eu gosto de estar aqui e ainda absorver a grande atmosfera de Berlim.

Chris Liebing, Dixon e mais recente os garotos do Tale Of Us parecem ter exercido um papel importante na sua carreira. Como sua relação com esses caras começou e de que maneira eles impulsionaram sua carreira?

Tudo começou com Chris Liebing. Nós fomos vizinhos de estúdio em Frankfurt por anos – durante esse tempo a nossa amizade e também os nossos interesses musicais um no outro se desenvolveram. Ele foi um dos primeiros que viu potencial na minha música e com CLR ele me deu uma plataforma para me desenvolver. Anos depois, Matteo, do Tale Of Us, demonstrou grande interesse no que eu estava produzindo. Com remixes e faixas originais para Life and Death e depois também Afterlife, tive a oportunidade de me integrar musicalmente no selo e nos eventos. Eu lancei meu segundo álbum na Dystopian – eu me sinto muito conectado ao selo e à agência. É definitivamente o lugar musical onde me sinto nas melhores mãos. Estou ansioso para tudo o que vai acontecer no futuro.

Alguns dos principais DJs do mundo estão tocando sua música para grandes multidões recentemente. Qual a sensação ao ver suas produções indo tão longe?

É algo que te deixa muito orgulhoso, tanto um feedback bom sobre suas produções, quanto o fato das pessoas aceitarem o som nos clubes. Meus projetos com mais ouvintes também são bem recebidos, o que me deixa muito feliz, porque como produtor, posso mostrar ainda mais facetas de minhas habilidades. É importante continuar se desenvolvendo e isso é melhor se você receber um bom feedback – isso é muito motivador.

Certamente você é o tipo de artista que está a todo momento procurando por novos sons e estilos. Nos últimos meses, o que tem captado mais sua atenção?

Eu gosto muito de me manter atualizado musicalmente e sempre dar uma olhada fora da caixa. Recentemente eu escutei os novos álbuns e lançamentos de DJ Koze, Âme e Modeselektor Vol. 4 na Monkeytown Records.

A real essência de um DJ pode ser representada por aquele cara preparado para encarar uma pista em qualquer horário e sob qualquer circunstância, mas hoje em dia parece que isso tem se perdido um pouco e os artistas em geral estão apenas tocando em clubs, festas e horários que coincidem com seu estilo de produção – ou seja, as pessoas parecem estar mais interessadas na produção do que na discotecagem. Como você enxerga esse momento?

Sim, notei isso também. A verdadeira arte do DJing – ler a multidão, levar as pessoas durante a noite e tocar com altos e baixos – muitas vezes você não vê mais nos DJs jovens e promissores. Não podemos generalizar, mas mudou bastante em comparação com o passado. As habilidades de DJ são uma capacidade treinada e praticada ao longo de muitos anos. Muitos artistas jovens não têm mais esse talento e se concentram mais em definir seu estilo.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. Nós enxergamos a música como uma forma de conexão entre as pessoas. Na sua opinião, qual o grande significado dela em nossas vidas?

A música é uma forma de conectar pessoas – isso é exatamente o que eu vejo. A música é a única linguagem que nos conecta com todo o mundo – provavelmente ela é a maneira mais pacífica de se comunicar com as pessoas.

A MÚSICA CONECTA. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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