Alataj entrevista Noir

Perguntas por Alan Medeiros

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A ação do tempo é algo a que todos nós estamos sujeitos e seus efeitos podem ser devastadores ou altamente positivos. No caso do dinamarquês Noir, que completa 15 anos de carreira em 2019, fica evidente a relação benéfica travada com o tempo ao acompanhar a evolução de sua carreira desde o início em 2004. A principal mudança percebida ao longo desses anos de carreira é o perfil sonoro adotado pelo artista, que foi se moldando de acordo com o aumento da sua experiência e mudança da sua percepção do mercado.

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Atualmente, Noir é um nome de peso no circuito internacional, flutuando entre os gêneros house e techno, com uma musicalidade bastante voltada para as camadas mais undergrounds desses gêneros. Desde que começou a produzir suas próprias faixas, ele já acumulou algumas centenas de lançamentos por algumas das maiores labels do mundo e ainda é a mente por trás de nada menos que 4 selos de sucesso: Noir Music, NM2, Klimaks Records e Lovesine. O artista esteve em breve passagem pelo Brasil recentemente e bateu um papo conosco sobre carreira e algumas de suas referências. Confira:

Olá, Noir! Tudo bem? Obrigado por falar conosco. De 2004 pra cá, é claro pra gente que sua música passou por algumas transformações. De dentro para fora, como você enxerga essas mudanças?

Para mim, são mudanças naturais, pois é um reflexo do meu gosto na música e como isso tem mudado nos últimos 15 anos. Estou apenas seguindo meu coração, meu ouvido e produzindo o tipo de música que gosto. Provavelmente amadureci e minha música também. Sei que minhas músicas são mais underground agora do que há 5/10 anos. Mas a verdade é que agora me sinto mais confortável e focado do que nunca, não estou sendo influenciado por nenhuma moda, charts ou opiniões da indústria. Estou sendo 100% Noir.

Você é o tipo de profissional que se dedica a indústria em diferentes frentes, não é mesmo? É possível dizer que esse grande envolvimento é um dos fatores responsáveis pela sua longevidade na indústria?

Eu sempre quis fazer as coisas 100% sem cortar nenhuma parte. Também tenho uma curiosidade natural de saber como as coisas funcionam por trás dos bastidores. Mas como você disse acima, eu mudei ao longo dos anos e a constante mudança também ajuda a longevidade. Não há nada mais chato do que quando músicas, artistas, gravadoras se tornam previsíveis e parecem a mesma coisa lançamento após lançamento e ano após ano. Eu produzo todas as minhas músicas. Eu comando todos os meus selos. Faço tudo sozinho. Eu tomo todas as decisões. Estou 100% no controle da minha direção e é isso que me anima. O que me mantém motivado e inspirado. Acho que esse é o segredo do meu sucesso contínuo.

Falando um pouco mais sobre a Noir Music… o que exatamente você tem procurado para lançar no selo? Há uma característica central que consegue unir todos os lançamentos na sua visão?

Noir Music é um reflexo do meu gosto na música. Não posso me esconder atrás do nome do selo. Não posso fazer outras pessoas cuidarem do selo. Chama-se Noir Music, pois é o meu gosto na música e não um A&R em que descubro músicas que seriam boas para minha reputação. Noir Music é Noir. Sempre lancei músicas que realmente gosto, não para ser popular. Nunca assinei algo que eu não tocaria em um DJ set. Assim como com as minhas próprias produções, tenho maturidade e me tornei cada vez mais consciente do que eu gosto, quem eu sou, quem eu quero ser no futuro e o selo reflete a mesma situação. O som da Noir Music é techno. É industrial, underground e forte. É o tipo de som que toco nos meus sets. É o tipo de som que eu produzo. É o tipo de som que me anima, inspira e motiva a continuar.

Quando o artista Noir me vem à cabeça, logo lembro de alguns de seus principais sucessos, antes de lembrar do seu radioshow de sucesso, por exemplo. Você concordaria com a afirmação que sua frente produtor é mais lembrada em relação a discotecagem? Isso é proposital de alguma maneira?

Na verdade, sinto que as pessoas são mais impressionadas pelos meus sets do que qualquer outra coisa. Em alguns lugares do mundo, minha música representa muito para as pessoas, já em outros, elas só querem escutar um set fresco. Aproveito todas as partes. Produzindo música, DJing, gravando podcasts, sendo boss label e dirigindo três gravadoras. Não penso no que as pessoas mais gostam, apenas espero que elas aproveitem e encontrem algo único em Noir.

Fora da música eletrônica, gosto muito de esportes, principalmente futebol, assisto sempre que posso. Me preocupo com a saúde (exercícios e alimentação). Gosto de moda (principalmente tênis). Gosto de ler livros e assistir documentários, geralmente sobre música e artistas que admiro.

Quais são suas principais referências fora da música eletrônica? Em algum momento você já se viu influenciado por um produtor musical brasileiro?

Gui Boratto, Victor Ruiz, Wehbba, Anna (e a lista continua), são todos produtores que admiro e que me inspiram. Gui Boratto principalmente, ele me surpreendeu quando lançou Chromophobia em 2007 – me inspirou muito. Fora da música eletrônica eu não tenho muitas inspirações. A maioria das músicas que eu gosto são eletrônicas. É assim desde os meus 6/7 anos, quando ouvi Kraftwerk pela primeira vez.

Seu extenso catálogo é formado por releases em labels de renome na comunidade internacional. Geralmente, você costuma produzir suas faixas pensando em alguma gravadora ou a estratégia é deixar as coisas fluírem mais naturalmente?

Costumava fazer isso há 15 anos, com o tempo isso mudou. Parei de fazer música para agradar os outros. Como disse acima, amadureci e com isso comecei a acreditar em mim mesmo. Então hoje isso flui naturalmente. Deixo cada faixa se desenvolver naturalmente e produzo 100%.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Representa tudo. É por causa dela que respiro hoje e quero respirar novamente amanhã.

A música conecta.


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