Papanduva é uma pequena cidade no interior de Santa Catarina, com população na casa dos 20 mil habitantes. Apesar do pequeno tamanho da cidade, a cena na região vai na contramão da maioria dos municípios desse porte e não para de crescer. Muito disso por conta da Field, club com localização privilegiada próximo a exuberante natureza do planalto norte catarinense, que conta com uma programação que foi capaz de desviar da rota habitual alguns dos principais artistas brasileiros. Dashdot, Vintage Culture, Renato Ratier e Gabe são alguns dos brasileiros que já se apresentaram na casa. A lista aumenta se inserirmos os gringos D-Nox, Sharam Jey e Sonny Fodera, que também já sentiram o que é passar uma noite no club. Esse ano, a Field foi indicado ao V Prêmio RMC na categoria “Melhor club off circuit”. O título não veio dessa vez mas em compensação uma mega agenda será apresentada ao público para essa temporada. Conversamos com Ary Junior que nos contou um pouco do que só a Field tem. A música conecta as pessoas!

1 – Olá, Ary! É um prazer poder falar com você. Nos conte um pouco sobre o surgimento da Field… como o club foi construído e de que forma vocês planejaram os eventos por ali?
O clube nasceu de uma forma muito natural. O terreno onde ele está localizado é da minha família e como um amante da música eletrônica eu comecei a fazer algumas festas nele, apenas para amigos. As festas se tornaram uma tradição, e logo surgiu a ideia de transformar o espaço num local fixo, e assim nasceu o Field! Os eventos foram planejados de acordo com o meu gosto musical e logo passei a atender também ao que o público ia pedindo até montar uma identidade em nossa programação.

2 – A Field talvez seja o club brasileiro com calendário ativo localizado mais no interior… se é que podemos dizer assim. Quais as principais dificuldades que vocês encontram por trabalhar em uma cidade fora das rotas de aeroportos e etc?
As dificuldades são grandes: estamos numa cidade pequena e sem nenhum grande pólo próximo. Mas o fato do aeroporto de Curitiba estar a duas horas daqui ajuda muito na questão da logística, e a verdade é que a paixão das pessoas de toda a região pela música eletrônica é tão grande que se tornou o alicerce do Field. Festas memoráveis foram sendo realizadas e o famoso “boca a boca” entre frequentadores da casa e artistas impulsionou o clube.

3 – O desenvolvimento da cena eletrônica na região de Papanduva se deve muito ao trabalho da Field. Ao olhar para o começo dessa história, quais as principais diferenças que você consegue observar no público que frequentava os primeiros eventos e no público atual da casa?
O público cresceu e se diversificou muito nestes anos. Acredito que hoje temos frequentadores mais exigentes e também mais antenados no que acontece na cena eletrônica, posso dizer que o público do Field é informado, daqueles que pesquisa sobre música. O que está acima da diferença entre o começo e o momento atual e que permanece inalterado é a energia e disposição das pessoas em se divertir: isto é uma constante na nossa pista!

4 – Em mais de 5 anos de história já são muitos eventos que marcaram a jornada do club. Tem algum que você considera mais especial ou que traga lembranças inesquecíveis em sua mente? 
Acho que é difícil escolher um evento, cada um tem algo especial, cada um representa muito esforço e dedicação então acaba que no final tudo se torna meio que especial.

5 – Ano passado, a dupla Victor Ruiz e Anny Mello tocou no club e nessa ocasião o Victor postou uma foto agradecendo a hospitalidade de vocês. Essa parece ser uma marca registrada da casa. Como vocês recebem os DJs que tocam por aí? Há realmente o cuidado em oferecer uma experiência diferente para os artistas?
Nos esforçamos muito para que todos os artistas sejam recebidos da melhor forma. Compreendemos que eles estão vindo para uma cidade pequena e que nesta qualidade possui limitações quando se fala em serviços, comércio e infraestrutura. Estamos sempre muito atentos aos pedidos dos artistas e queremos proporcionar a melhor experiência possível para eles!

6 – Também no ano passado, a Hot Content assumiu a comunicação do club. Na sua visão, qual a importância de ter uma das principais agências de conteúdo da música eletrônica no Brasil cuidando dessa parte?
Vejo isso como um aprendizado, uma oportunidade grande que o clube esta recebendo e também sinto que estamos dando um passo a frente de tudo o que ja fizemos. O trabalho desenvolvido por eles esta cada vez melhor é notória a diferença em nossa comunicação.

7 – Para encerrar. Uma pergunta bem especial. O que só a Field tem? Obrigado por participar!
Grandes laços de amizade, grandes momentos envolvendo um grupo de pessoas que sempre esteve com a gente, uma vibe e uma energia muito especiais!