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O Fancy Inc está levando um som diferente para as ...

O Fancy Inc está levando um som diferente para as pistas brasileiras

A cena nacional vive um dos momentos mais prósperos dos últimos tempos. Nunca antes, tantos DJs e produtores brasileiros haviam conquistado uma posição de destaque frente as principais gravadoras internacionais, público e clubs. O duo Fancy Inc é um projeto recente, mas que carrega consigo a experiência de dois nomes acostumados a comandar uma pista de dança. Dub Fragments e Matheus R. formam a dupla que tem levado um som que é sinônimo de qualidade por onde passa. Essa semana, eles assinaram o segundo mix do Fancy Inc no Alaplay Podcast (ouça o primeiro aqui) e também trocaram uma ideia conosco. Confira o papo abaixo! 🙂

1 – Olá, guris! Tudo certo com vocês? Bom, vamos começar falando um pouquinho da carreira de vocês antes do Fancy Inc. Como que cada um trabalhava e o que mudou depois que começaram o projeto?

Matheus: Eai Alan, um prazer bater esse papo com você!
Meu primeiro contato com a música eletrônica foi em 2006 no antigo Oxygen Club em Novo Hamburgo, era DJ em início de carreira então tocava aos sábados nas noites pops, enquanto nas sextas rolava e-music com grandes nomes da cena na época: Fabrício Peçanha, Alec Araújo, Jeff Oliver. Lá tive a oportunidade de entender o que era a cultura underground de verdade. Em 2013 fiz o curso de produção musical na AIMEC com um cara que, além de hoje sermos amigos de churrasco, considero meu mentor artístico: Mr. Cesar Funck (Sonic Future).

Adriano: Meu primeiro contato com música eletrônica foi em meados de 1999 em Curitiba, quando conheci o Igor Mattar, na época proprietário do Legends Underground Club, que foi o club referência em música underground no sul do Brasil. o Igor foi em quem me espelhei como DJ e também minha porta no mercado em Curitiba, onde tive a oportunidade de ser residente em diversos clubs e tocar em algumas das melhores festas até 2003, quando me mudei para Londres, onde estudei produção musical na renomada Point Blank e passei a tocar em clubs como Turmills, Ministry Of Sound, Sin Club, The Church, entre outros. Fui residente do Hazchem Festival por 2 anos. Retornei ao Brasil em 2008, quando comecei um novo projeto como Dub Fragments, e foi com esse que conheci o Matheus.

2 – Falando um pouco agora do começo do Fancy Inc. Quando surgiu a ideia de montar a dupla?

Matheus: Tudo começou quando estava procurando remixers para meu EP na Beachside Records de Miami. Acompanhava há algum tempo o trabalho do Adriano como Dub Fragments que era um projeto de SoulFul bastante interessante e sabia que um remix ficaria perfeito no EP, ele aceitou prontamente e desde então fomos amadurecendo a parceria que mais tarde virou um convite dele para juntos fazermos algo especial para o mercado, música eletrônica com objetivos sólidos e buscar nosso espaço na tão disputada cena mundial.

3 – Recentemente vocês tiveram em uma tour na Europa, onde tocaram em Londres e no ADE em Amsterdam também. O que se tira de melhor depois de uma viagem dessas?

Uma tour na europa tem vários pontos interessantes:

– Você percebe que ser um artista de fato, ter um trabalho autoral, bons releases e ser ativo no mercado é extremamente comum lá, o contratante não quer mais ouvir seu “set promo” e sim qual o produto que você tem desenvolvido.
– Durante a conferência o clima era como qualquer outro evento de outro ramo. Profissionais engajados em fazer novos negócios, novos contatos e absorver toda a informação possível que os workshops tinham para oferecer. O ADE é com certeza um grande evento em estrutura e organização.
– Falando das gigs, foi um pouco diferente do Brasil onde se espera um determinado tipo de sonoridade. Encontramos públicos bem diferentes em cada lugar que passamos, cada um com uma preferência específica, tornando cada gig imprevisível. Houve lugares que o techno reinava, mas em outros a excepcional house music era quem dava as cartas.

4 – A gente percebe uma inércia criativa em alguns momentos da cena brasileira. O quão importante é pra vocês estar buscando um som diferente do que “todo mundo está fazendo”?

É uma pergunta interessante porque “todos” estão realmente fazendo a “mesma coisa”, mas no Brasil, para gravadoras locais. O nosso objetivo sempre foi produzir coisas que dialogassem mais com as nossas referências de fora, buscando labels gringos, e acima de tudo tivessem identidade e encontramos um caminho paralelo entre o tech house europeu e o gosto dos brasileiros e isso tem repercutido positivamente e até de alguma forma engraçada nas gigs por aqui, recebemos elogios por ter feito um set diferente do usual, mas ao mesmo tempo é um som praticado há tempos no mundo todo. Nossa perspectiva é que o Brasil demore para absorver as tendências, agora que o Nu-Disco/Indie-Dance está de fácil assimilação por aqui, enquanto o resto do mundo já aposta em um som mais sério e objetivo.

5 – Falando um pouco sobre referências agora, quais são os artistas que mais inspiram vocês no projeto Fancy Inc?

Acompanhamos o mercado diariamente e são tantos produtores que estão fazendo um trabalho que nos identificamos, alguns deles: Kevin Over, Emanuel Satie, Oscar L, Paul Ursin, Hector Couto, Noir, Hot Since 82, Metodi Hristov, Sonic Future, Nic Fanciulli, Adriatique e Lee Van Dowski.

6 – Vocês possuem importantes lançamentos em labels como Indiana Tones e Go Deeva Records. Qual a importância de trabalhar com selos que possuem um bom nível de profissionalismo na promoção e distribuição das faixas?

Esse é a questão mais relevante quando escolhemos esse ou aquele label para enviar nossas demos. A importância da nossa música chegar aos ouvidos de quem pretendemos, a plataforma precisa ser bastante organizada, investir em serviços como Your-Army, ter um nível de engajamento com os DJs que estão no circuito de grandes gigs, e isso só acontece com frequência de qualidade nos releases. Já tivemos experiências em labels grandes totalmente indiferentes ao release, o que faz o seu trabalho ser jogado pela janela, por outro lado lançamos com a GoldenTears, estrante no mercado porém com budget para promoção e o nosso EP recebeu suporte de caras como DJ T., Human Life, Vanilla Ace, Chus & Ceballos, Trent Cantrelle e German Brigante. Nosso novo lançamento está assinado pela 303 Lovers e sairá nos próximos meses.

7 – Recentemente, vocês participaram da compilação Talents Vol. 10, que foi selecionada pelo Supernova para Lapsus Music. Como surgiu esse convite?

Essa foi uma surpresa para nós: O Supernova estava tocando no Vibe Club – Punta Cana, na República Dominicana onde somos residentes, logo após nosso boss, Luk Folin começa o set com a nossa track Hot Spot, na mesma hora o Emiliano já perguntou de quem era, na semana seguinte ele ja entrou em contato, daí surgiu o convite para fazermos parte da família Lapsus.

8 – Para encerrar, gostaria que vocês apontassem novos nomes da cena nacional que vocês tem acompanhando e percebido um bom trabalho. Muito obrigado pela entrevista!

Tem uma galera, que assim como nós está tentando fugir dos moldes, podemos citar Andre Gazolla, INC., Keskem, Stupidizko, IBX, Bacci, Lucas Arr, Vice Society. Com alguns deles já temos collabs em andamento.

Obrigado a vocês pelo convite e caso alguém tenha interesse em nossa apresentação e/ou qualquer tipo de projeto que envolva o Fancy Inc, favor entrar em contato com nossa agência Glide Talents (bookings@gliderecords.com) ou com nosso manager Maurício Angelo (mauricio@orgeventos.com.br).


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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