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Os beats do Carlos são envolventes e impactantes

Os beats do Carlos são envolventes e impactantes

A gente não cansa de falar que existe uma infinidade de artistas desenvolvendo um trabalho com qualidade excepcional fora das cenas techno e house. Muitas vezes, nosso radar está desligado para esses nomes e consideramos sempre válido abrir espaço pra gente talentosa por aqui.

O Carlos – ou Carlos do Complexo – por exemplo é um jovem produtor carioca que se destaca através de suas faixas, que carregam uma rica e vasta gama de influências que vai desde o funk que rola nos bailes das comunidades cariocas até o RnB. Sua música é autêntica, envolvente e impactante.

A nosso convite, Carlos preparou um mix exclusivo para o Alaplay Podcast e respondeu algumas perguntas, que o nosso grande amigo e parceiro Castelan preparou. Se liga abaixo no resultado desse rolé todo 🙂

01. E aí Carlos, tudo certo? Primeiro queria saber de você quais são as principais influências que se escuta numa track do Carlos do Complexo atualmente?

Eu com 15 anos ouvia somente músicas africanas, zouk, hip-hop de Angola e drummers de Gana. Antes disso, eu ouvia os CDs de funk que meu irmão comprava, os funks do baile daqui e os discos de Charme, RnB e Hip-hop do meu pai. Meu som é todos esses gêneros formando um só. Eu faço o que eu gosto de ouvir.

02. Eu percebo uma variedade de estilos quando escuto os teus sons, mas acho que acima de qualquer influência paira o funk carioca. Qual é a importância do funk pra você? Algum estilo te influencia tanto quanto ou mais que o funk?

Eu devo tudo ao funk. Funk faz parte do meu cotidiano, desde os carros que passam com o som alto até sexta-feira que é dia de baile aqui. Mas o RnB é um outro estilo que tem uma importância igual para mim. Ainda assim o funk carioca pra mim é insubstituível, talvez por ter sido criado aqui.

03. Ano passado você lançou uma faixa pela curadoria da First Ear, chamada “Satisfação”. Como surgiu esse convite qual foi a repercussão dessa track?

O Mike da First Ear já me procurava a um tempo para eu mandar uma track para ele, mas eu estava sem tempo. Um dia fiz essa track, sem muitas pretensões e o resultado foi lindo, não imaginava que eu iria ter uma track que o pessoal iria gostar tanto.

04. Também em 2015 você fez collabs com o Maffalda, Dorly e Leo Justi, Bad$ista, TWO KPZ, lançou single pela Beatwise Recordings, e também participou do último lançamento do americano Sango, o “Da Rocinha 3”. Como foram surgindo essas conexões e o que elas te trouxeram de bom no ano que passou?

Maffalda e Bad$ista são meus irmãos de outro estado, sempre que dá estamos fazendo algo juntos, gostei muito de fazer essas collabs, Leo Justi, Dorly e o Two Kpz sempre adicionaram muito no meu desenvolvimento artístico. Fazer single na Beatwise foi maravilhoso, é meu selo preferido e a track com o Sango já era algo que eu arquitetava à muito tempo na minha mente.

05. E o Bruk Collabs? A faixa “Mais Tarde” com participação do Zeca Maretzki me chamou muito a atenção no ano passado, com certeza um dos destaques de 2015. Como surgiu a ideia e como funciona o Bruk Collabs?

Bruk Collabs é um grupo de produtores daqui do Rio De Janeiro que se juntam para fazer algum som e comer pizza, a “Mais Tarde” surgiu com a passagem do Swindle pelo Rio. Inicialmente projetamos essa track para ele participar, mas ele achou que a track já estava pronta para tocar. Então, só adicionamos o saxofone do Zeca Maretzki, pai do do João (1/2 Two Kpz) e ficou linda, né?!

06. Agora olhando pra frente, quais são os projetos, ideias em andamento, ou lançamentos que você tem para 2016?

Estou projetando alguns EPs. Sei que eu demoro para lançar coisas, mas gosto de projetar coisas livre de prazos e de um jeito que eu realmente vá gostar de ouvir depois. Esse ano vou trabalhar mais focado em trabalhos fechados e menos singles. E estou recrutando alguns produtores poucos conhecidos porém geniais para trabalhar comigo, aguardem.

07. Quanto mais eu procuro, mais eu encontro produtores nacionais de alto nível. Realmente é impressionante como tem música de qualidade no Brasil. Queria saber se você concorda com essa afirmação e como você enxerga a situação do artista independente no país?

Sim, como dito acima, eu estou “garimpando” alguns dos produtores que admiro muito, por que a cena independente aqui no Brasil é bem difícil. São caras que tiram um som com o que tem, do jeito que dá. Há muito artista valioso por aqui, principalmente nas periferias e os gringos já estão percebendo isso e dando o seu devido valor aos pequenos produtores independentes.

08. E quais são as tuas apostas pra 2016? Quem a gente ainda vai ouvir muito falar, tanto do Brasil como de fora?

Daqui do Brasil, com certeza, esse ano é da Bad$ista. Ela representa demais. E um gringo que em 2016 vai crescer demais é o LOTSO, esse cara é bom demais também.

09. Abro um espaço aqui caso você queira deixar alguma mensagem.

Gostaria de agradecer vocês pelo convite, e como de costume, a todas as pessoas que sempre tiveram comigo me apoiando principalmente o Renato (Funk Na Caixa), em breve voltamos com novidades. Paz.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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