Alataj entrevista OZU

O downtempo ainda não é um estilo muito explorado no Brasil, especialmente dentro de uma abordagem lo-fi como a banda paulista OZU tem feito. Entretanto, esse cenário está mudando a cada novo release do sexteto, que no mês passado celebrou dois anos de existência com o lançamento do full álbum INNER.

Formada por Juliana Valle nos vocais, Felipe Pagliato na bateria, João Amaral no baixo, DJ RTA nos turntables, Sue-Elle Andrade-Dé na guitarra e Francisco Cabral no teclado, a OZU certamente é hoje uma das referências absolutas do estilo no país. Muito do sucesso deles até aqui deve-se ao clima contemplativo de suas produções e a atenção e simplicidade nos pequenos detalhes.

INNER, trabalho recém lançado da banda, é quase como uma trilha sonora influenciada por referências do hip hop para as estéticas de diretores como Jafar Pahani, Abbas Kiarostami, Akira Kurosawa e outros – como conta Francisco, tecladista da banda. Ainda que possa não parecer no primeiro momento, o álbum também tem uma estrutura idealizada para o uso de DJs, algo que faz total sentido se pensarmos na forma como o downtempo está inserido na eletrônica. No embalo deste release, falamos com eles:

Alataj: Olá, pessoal! Tudo bem? O som da OZU possui uma forte influência do trip hop inglês dos anos 90, certo? Como exatamente vocês absorveram os traços desse movimento no processo criativo da banda?

OZU: Acho que o traço mais importante é a questão estética mesmo. Uma preocupação com os andamentos mais lentos, harmonias em tons menores. Por outro lado também incorporamos o Trip-Hop japonês com as repetições e o lado Hip-Hop um pouco mais acentuado.

Apesar do som criado pela OZU ser bastante conectado a música eletrônica, as apresentações ao vivo são formadas por instrumentos orgânicos. Como funciona esse processo de preparação para os shows?

Tentar incorporar os elementos eletrônicos mas manter as qualidades de um show orgânico talvez seja um dos maiores desafios do nosso tempo na música. O que fazemos é deixar tudo o mais orgânico possível e trazer para o eletrônico apenas alguns elementos essenciais como algumas bases disparadas pelo DJ, alguns sintetizadores no teclado ou até o baterista usando um PAD para os timbres eletrônicos. Assim conseguimos elementos eletrônicos sem perder variações de dinâmica e improvisos.

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Parte das produções da OZU carregam uma atmosfera bem experimental. Na opinião de vocês, qual a chave do equilíbrio entre a parte experimental e a musical? Como criar algo que seja inovador ao mesmo tempo que tenha potencial de inserção frente ao público?

Eu particularmente tento não me preocupar muito com isso. Talvez o melhor termômetro seja a reação das outras pessoas mesmo. Mostrar uma ideia para alguns amigos e ficar atento a como eles reagem à aquela ideia, ouvir seus comentários. O jazz também dá uma boa dica, onde na maioria dos casos você tem um “tema” mais tranquilo e a experimentação vem baseada nele, se você sentir que esta extrapolando sempre pode voltar ao tema.

Desde que o DJ RTA passou a fazer parte da composição da banda, quais foram as principais novidades incorporadas ao workflow de vocês?

Foi uma das melhores coisas que aconteceram na banda. O Ronan é extremamente talentoso e as apresentações ao vivo ficaram muito mais soltas e confortáveis para nós. Ele rapidamente nos ajudou com o elemento eletrônico mas soube incorporar bem o lance dos improvisos, como dito anteriormente.

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Sobre o processo criativo de INNER, quais foram os principais desafios e aprendizados que vocês obtiveram durante essa etapa importante da jornada da OZU?

O maior desafio é encontrar a sua característica, achar um elemento que é seu e que você sabe fazer bem. Independente do estilo ou estética que você assume existe  sempre uma característica que é só sua como banda e acho que esse disco serviu como um primeiro passo para descobrir essa característica e poder dar outros passos estéticos e musicais.

Como vocês se relacionam com outros DJs e produtores com uma abordagem mais conectada ao dancefloor? Vocês possuem alguns nomes preferidos dentro dessa esfera?

Blank Banshee é bem foda! DKVPZ é uma dupla na verdade mas eles são mais conectados ao dancefloor e possuem uma sonoridade bem interessante. Quem sabe no futuro a OZU não siga essas caminhos…

Quão importante estar baseado em São Paulo tem sido para o desenvolvimento da OZU?

Na verdade somos baseados em Cotia-SP. É bom pra termos mais espaço pra ensaiar com menos vizinhos mas a distancia de SP as vezes é um problema. Mas sim, estar próximo a um centro cultural como SP é essencial, muitas festas e eventos acontecem por aqui e isso é muito vantajoso, sem duvida.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa na vida de vocês?

A verdade está na musica.

A MÚSICA CONECTA.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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