Alataj entrevista Paramida

Por Chico Cornejo

Ela não é para todos e tampouco só para amigos. Se fosse para definir o que uma DJ como Paramida toca, seria necessário traçar um mapa com uma área de alcance que atravessasse a Europa toda, chegando aos limites glaciais nórdico-escandinavos, indo até os recônditos áridos do Oriente Médio e próximo e retornando pelas correntes que ligam Europa e América, recobrindo um repertório/território que talvez apenas um “vinilduto” trans-ártico-mediterrâneo-atlântico fosse capaz de suprir. Quem sabe a demografia aí incluída desse conta do vasto espectro de influências e preferências que formam o cadinho que cada um de seus sets se tornam ao fundir ritmos e humores numa densa e rica massa dançante.

Não obstante, ela mesma acaba se tornando esse ponto de ligação, operando como elemento conectivo entre uma diversidade de sons de diversas origens cujo destino principal é a pista de dança ou, mais especificamente, nossos receptores corporais. É isto que parece nortear suas atividades por toda a cena, desde seus inícios na loja Oye de Berlim ou como residente de festas como a Cocktail D’Amour até a fundamental iniciativa que impulsiona seu Love On The Rocks, um selo cujos rumos são tão fixados na variedade quanto qualquer uma de suas épicas e ecléticas jornadas nos decks e do qual selecionamos alguns de seus mais marcantes momentos abaixo.

Dona de uma das risadas mais infecciosas e de um humor dos mais corrosivos de sua terra natal, ela regressa com ainda mais vivacidade e fome de pista para a Heimatlos deste feriado em que divide a escalação principal com seu vizinho Ed Davenport e aproveita a deixa para uma conversinha ligeira conosco:

Alataj: E cá estamos mais uma vez. Já faz um tempo desde sua última visita a São Paulo, quando tocou na Gop Tun. Quais foram suas impressões de nosso público/cena/vibração/pista após aquela ocasião?

Paramida: Foi bem diferente do que havia experimentado até então e estou intrigada para saber como será desta vez. Sem dúvida conheci muita gente legal e estou ansiosa para tocar na Heimatlos, fazer novas amizades e reencontrar as antigas.

E o que andou fazendo nesse ínterim?

Eu viajei pela Ásia e pela Austrália em turnê. Estou exausta, mas mesmo assim pilhada para chegar em São Paulo!

O Love On The Rocks foi reativado recentemente com um trabalho de Danny McLewin e Thomas Gandey, o que veio como um surpresa como quase tudo que o selo tem oferecido até aqui. Qual a linha-mestra por trás de seu catálogo tão diversificado, se ela existir?

A linha-mestra é não ter uma linha-mestra, ou em outras palavras: não se leve muito a sério. Tudo gira em torno de boa diversão, bons momentos e, é claro, boa música.

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Ser uma residente de Berlim por um longo período lhe oferece uma visão privilegiada de como as coisas têm mudado no decorrer da última década, para o melhor e para o pior. Quais foram/são as mais profundas transformações que ocorreram na paisagem cultural da cidade para você?

Não curto ficar julgando Berlim muito. Eu já tive minhas boas e minhas más fases com a cidade, ela definitivamente tem seus altos e baixos, prós e contras. De todas as maneiras, acho que deveríamos ser gratos por termos uma cidade tão “livre” com festas que não acabam.

E o que o futuro reserva para você, seu selo, suas residências e tudo mais?

Eu também gostaria de saber tudo isso, mas não faço a menor ideia. Se você conhecer videntes ou oráculos bons, me avisa! Eu tenho algumas datas no PanoramaBar e no Robert Johnson, além de alguns festivais chegando no horizonte. Vai ser um verão divertido, com certeza.

Alguns dos principais lançamentos do Love on the Rocks, selecionados por ela mesma:

A MÚSICA CONECTA.


Equipe de reação do portal Alataj, focada em levar conteúdo cultural ao público antenado na música eletrônica.

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